sexta-feira, abril 10, 2009

Carlos César e a Sorte de Varas



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quinta-feira, abril 09, 2009

Os Animais devem ser Respeitados



Defensores dos Direitos dos Animais criam novo Blogue: Açores Melhores sem Maltratos Animais que pode ser consultado aqui.

sábado, março 28, 2009

“Os Montanheiros” já têm núcleo em São Miguel

Foi na década de 60 que surgiu na ilha Terceira a associação “Os Montanheiros”. Começou com um grupo de jovens que tinha um espírito aventureiro e que começaram por percorrer a ilha explorando todos os cantos e recantos. Através das caminhadas o grupo de jovens descobriu um algar, baptizado por Algar do carvão. Com a exploração de rochas daquele local a população começou a ficar sensibilizada para a espeleologia, uma actividade que era pouco conhecida nos Açores. A partir daqui nasceu a vontade de criar um movimento associativo.
“Os Montanheiros” estenderam-se depois a outras ilhas, e mais recentemente à ilha de São Miguel com um novo núcleo que tem como presidente João Paulo Constância, como secretário João Carlos Nunes e como tesoureiro Pedro Dias Freire. A associação tem vindo a crescer e a fortalecer-se, sendo que o número de interessados em associar-se tem vindo a intensificar-se sobretudo nas ilhas onde não existiam um núcleo, como era o caso de São Miguel. “À medida que se vão abrindo novos núcleos em outras ilhas é mais fácil para as ilhas em que existia uma lacuna em termos de associação ambiental crescer o interesse da população que fica com vontade de participar e de se associar ao núcleo”, disse Paulo Barcelos.
“Para 2009 vamos continuar com algumas actividades que são recorrentes e que têm impacto junto da população, dos visitantes e junto dos próprios associados e pessoas que estão a colaborar”, referiu Paulo Barcelos, presidente da direcção da associação “Os Montanheiros”. A associação irá também dar prosseguimento à gestão turística das três cavidades vulcânicas, isto é, o Algar do Carvão (Ilha Terceira), a Gruta do Natal (Ilha Terceira) e a Gruta das Torres (Ilha do Pico). Contam também fazer cerca de 30 passeios pedestres entre as ilhas Terceira, São Jorge e Pico e visitas de estudo a diversas cavidades na ilha de São Miguel. Além de continuarem a gerir três ecotecas nas ilhas Terceira, São Jorge e Pico.
“Os Montanheiros” mantêm ainda uma participação activa, enquanto parceiro social, junto de vários departamentos do Governo Regional, nomeadamente com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e as suas respectivas Direcções Regionais.
Correio dos Açores, 26 Março 2009

quinta-feira, março 19, 2009

Montanheiros com Núcleo em São Miguel

CONVOCATÓRIA - ILHA TERCEIRA, S. JORGE, PICO E S.MIGUEL
Terça-Feira, dia 10 de Fevereiro de 2009
Associação
Os Montanheiros

ASSEMBLEIA GERAL
CONVOCATÓRIA

Nos termos do ponto 4 do artigo 12º dos estatutos convocam-se todos os associados a reunirem-se em Assembleia-Geral, no dia 19 de Fevereiro de 2009, na sede desta associação na ilha Terceira, na sede das Ecotecas das ilhas de São Jorge e Pico e na sede da Sociedade Afonso Chaves – Ed. do Museu Carlos Machado na ilha de São Miguel, pelas 21:30 horas, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1.Eleição de novos Corpos Sociais para o biénio 2009/2010
2.Apresentação do Plano de Actividades para 2009;
3.Outros assuntos do interesse da associação.
Caso à hora indicada não tenha comparecido o número suficiente de sócios, a mesma reunir-se-á meia hora depois com o número de sócios presentes.

Angra do Heroísmo, 9 de Fevereiro de 2009


A Presidente da Assembleia Geral
Maria Marcelina Silva Alves

Fonte: Página Web dos Montanheiros

PS- O esperado e o desejado aconteceu.

Quercus

Nova direcção do núcleo da Quercus em encontro com os jornalistas : Questões polémicas à parte


No primeiro encontro com os jornalistas a nova direcção do núcleo da Quercus de São Miguel esquivou-se às questões polémicas em redor do ambiente nos Açores e preferiu falar do seu plano de acção para o futuro. Cautelosos quanto baste, os novos dirigentes dizem ir pôr os interesses da associação ecológica acima de outras funções que exerçam.

O Núcleo da Quercus em São Miguel reuniu-se, ontem, para a apresentação da nova mesa da direcção do núcleo, após ter sido eleita em assembleia-geral no passado dia 26 de Fevereiro. Esta nova direcção pretende reforçar o trabalho já anteriormente desenvolvido, recorrendo a uma gestão colegial, que se pretende democrática, e abrir o núcleo à participação activa dos sócios.
A nova mesa da direcção do núcleo é composta por Luís Rodrigues (presidente); Alexandre Pascoal (secretário); Ana Monteiro (tesoureira); Pedro Arruda (vogal); e Ricardo Lacerda (vogal).
A mesa eleita explicou a necessidade de fazer uma gestão colegial do núcleo, por ser “importante, nesta fase de transição, que a direcção do núcleo não tivesse uma cara que assumisse todas as competências, da maneira como fazia e bem Veríssimo Borges, mas que houvesse um repartir de responsabilidades e de representatividades dentro da própria direcção”, explicou Pedro Arruda.
O vogal entende esta direcção colegial como forma de dar “visibilidade e de relacionamento com a sociedade civil e com as instituições”.
Para este núcleo da Quercus, a rentabilização e a dinamização das condições de trabalho são aspectos fulcrais, daí a criação de um portal na internet e de newsletters, bem como a realização de uma campanha de captação de sócios e estabelecer com os mesmos, e com a sociedade, uma comunicação de proximidade.
Acção concertada
Há a “necessidade reposicionar a Quercus em termos de opinião pública”, disse o secretário Alexandre Pascoal que considera igualmente importante o núcleo não trabalhar sozinho. “Neste momento existem vários agentes no terreno e eu penso que a acção deve ser concertada com as restantes associações que participam activamente na defesa do ambiente nos Açores. Penso que uma acção concerta será sempre mais eficaz nestes pressupostos”, sublinhou.
Luís Rodrigues, presidente do núcleo da Quercus de São Miguel, entende a diversidade de percursos existentes no grupo de trabalho como uma mais-valia, procurando ainda reforçar o trabalho feito por outras organizações que defendem o ambiente, sem nunca descurar outros assuntos de interesse social. “Digo que a nossa perspectiva é sustentável, naturalmente que o nosso olhar é para a defesa dos interesses do ambiente, para a integridade e manutenção dos ecossistemas para o equilíbrio na natureza, mas não nos vamos abstrair de outros interesses, sejam eles sociais, culturais ou económicos. Da nossa realidade faz parte um bocado de tudo isto”, frisou o presidente.
A actual mesa da direcção apresentou ainda como assuntos prioritários para 2009/2010 as questões da gestão da água e das bacias hidrográficas, o acompanhamento do PROTA, a política regional de gestão de resíduos com particular incidência nos diversos aterros sanitários, as questões relacionadas com a orla marítima e a aplicação dos diferentes POOC’s, as questões relacionadas com a eficiência energética, os problemas criados pelas alterações climáticas globais e as questões relacionadas com as diferentes políticas relativas ao ambiente e ao mar.
Na assembleia-geral do dia 26 de Fevereiro foi aprovado, por unanimidade, um voto de louvor a Veríssimo Borges pelos serviços prestados ao núcleo da Quercus de São Miguel, como também pela sua extrema dedicação e empenho na protecção do ambiente em todo o arquipélago dos Açores. Houve ainda outro voto de louvor, desta feita ao trabalho realizado pela anterior direcção do núcleo.

Autor: Solange Vicente

Fonte: Correio dos Açores, 18 Março 2009

terça-feira, março 17, 2009

Direcção da Quercus Eleita em 26 de Fevereiro de 2009

O objectivo é fazer com que cada intervenção da associação ambientalista seja “clara e sustentada e ganhe maior visibilidade”. Prometido ficou, igualmente, um maior diálogo com outras associações ambientais.

Os cinco elementos que fazem parte da direcção, que irá actuar “de forma colegial”, apresentaram-se esta terça-feira à comunicação social. Em conferência de imprensa elencaram as prioridades da sua actuação e fizeram uma verdadeira “profissão de fé” na sua independência face ao poder político regional. Um distanciamento que, de resto, caracterizava a actuação da anterior liderança da Quercus que, na maioria das vezes, foi a primeira a denunciar situações ambientais problemáticas.

Em causa está a presença na direcção da associação de um deputado eleito pela lista do PS em São Miguel.

Questionados pelos jornalistas sobre se este comprometimento não poria em causa a equidistância necessária, os membros da direcção foram unânimes em afirmar que “os interesses do ambiente dos Açores e dos Açorianos estarão sempre primeiro” e “quando se registar alguma incompatibilidade ver-se-á”.

Aliás o presidente, Luís Rodrigues, desdramatizou a questão dizendo que ela não passa de “um ruído” e que no essencial o que os move é a “defesa intransigente” de boas políticas ambientais, “numa perspectiva construtiva pois não somos contrapoder a ninguém”.

“A diversidade dos nossos percursos profissionais é a garantia de uma interpretação diversa da realidade o que pode ser uma mais-valia”, afirmou Luís Rodrigues.

Entre as prioridades da associação estão as questões da água e das bacias hidrográficas, a gestão dos resíduos sólidos urbanos, o plano de ordenamento da orla costeira, as questões energéticas e o plano regional de ordenamento do território.

Questões que, aliás, já vinham merecendo a melhor atenção da associação mas que, a partir de agora “vão ser tratadas na óptica da sustentabilidade”, acrescentou o novo presidente da Quercus.

Para isso, “impõe-se” um maior envolvimento de todos os associados que vão ser chamados mais assiduamente a darem o seu contributo.

Da última assembleia-geral da associação, realizada no mês passado, ficou um voto de louvor e apreço ao trabalho desenvolvido pela anterior direcção, em especial ao presidente Veríssimo Borges, considerado como “uma figura insubstituível na defesa do ambiente regional”, referiu Pedro Arruda.
Carmo Rodeia
Açoriano Oriental On Line, 17 de Março de 2009

domingo, março 08, 2009

Campanha "As Escolas e o Cagarro"





Pelos documentos apresentados acima, conclui-se que a campanha quer viria a dar origem à Campanha SOS-Cagarro foi coordenada pelos Amigos dos Açores e teve a colaboração do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e da Direcção Regional da Educação através da distribuição pelas escolas do inquérito.

sábado, fevereiro 14, 2009

A Luta Contra as Corridas Picadas/Touros de Morte

Em 1998, o Dr. Adolfo Lima apresentou para análise, em Plenário do Governo Regional dos Açores, suportado pelo PSD, uma proposta que havia sido elaborada pelo Dr. Álvaro Monjardino, através da qual se pretendia que nos Açores fosse introduzida nos Açores as touradas com touros de morte. Na altura os Amigos dos Açores organizaram uma campanha internacional que culminou com a apresentação de uma petição ao Parlamento Europeu.
A intenção não avançou, tendo na altura o presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. Mota Amaral, comunicado ao Director do Eurogroup for Animal Welfare que a legislação não avançaria devido às “reacções negativas da opinião pública”.
A 21 de Outubro de 1995, na ilha Terceira, realizou-se numa quinta particular uma tourada à espanhola, onde foram toureados e mortos dois touros. Na ocasião tal acto foi contestado por várias pessoas singulares e colectivas, como os Amigos dos Açores, algumas sociedades protectoras de animais e o Partido “Os Verdes”, na Assembleia da República.
No evento estiveram envolvidas pessoas com responsabilidades políticas e governamentais, talvez por isso o desrespeito pela Lei não foi punido como deveria ter sido.
A 18 de Outubro de 2002, a sorte de varas viria a ser aprovada na Assembleia Regional dos Açores, com votos socialistas, social-democratas e centristas, tendo como primeiro subscritor Dionísio Sousa (PS). Esta legislação viria a ser “chumbada”, pelo Ministro da República Sampaio da Nóvoa já que não se revestia de interesse específico regional. Na altura, outra vez, os Amigos dos Açores se manifestaram contra aquele tipo de touradas já que, para além da barbaridade e da violência que promovem, nada têm a ver com a tradição regional. Nesta luta pelo respeito que os animais merecem, destacamos a actuação da Associação dos Amigos dos Animais da Ilha Terceira que promoveram uma petição que recolheu cerca de duas mil assinaturas.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

SEM CANDIDATOS : Compasso de espera na Quercus

05 Fevereiro 2009 [Regional]
A delegação da Quercus dos Açores suspendeu ontem a assembleia-geral onde não apareceram listas candidatas aos órgãos directivos e, em consenso com a direcção nacional, decidiu convocar nova assembleia para o dia 26 de Fevereiro.
Ao longo do período em que a assembleia-geral esteve reunida, debateu-se a questão da continuidade da delegação dos Açores da Quercus, criando-se a expectativa de que se irá constituir uma lista de candidatos.
Não é fácil formar uma lista com novos dirigentes suficientemente disponíveis para manter a actividade do núcleo da Quercus dos Açores, o que explica os cuidados que estão a ser colocados na formação de uma nova direcção.
Barreiro Gomes, um dos dirigentes em funções, afirmou ao Correio dos Açores que um eventual desaparecimento da delegação da Quercus da Região seria “uma perca muito grande para o movimento ecologista açoriano”.
“Todos nós, direcção cessante, vemos com certa tristeza a possibilidade de a actividade da associação não continuar”, sublinhou Barreiro Gomes.
Durante a assembleia-geral de ontem foi aprovado por unanimidade um voto de louvor à actividade desenvolvida pelo presidente da delegação da Quercus dos Açores, Veríssimo Borges.
Durante a reunião, a direcção ainda em funções fez um balanço da actividade da organização ecologista na Região e procurou mobilizar os sócios para se organizarem e formarem listas candidatas aos órgãos dirigentes.
Além de Barreiro Gomes, fazem parte ainda da direcção da Quercus dos Açores, Rui Coutinho, Ana Neto e João Faria e Maia.

Correio dos AÇORES

domingo, fevereiro 01, 2009

A Federação de Associações de Defesa do Ambiente dos Açores

Em 1990, de acordo com informação publicada no boletim Vidália , nº 3, os Amigos dos Açores e a Quercus – Açores (Faial) estavam empenhados na criação de uma Federação Regional de Associações de Defesa do Ambiente, projecto que não terá avançado em virtude do desaparecimento desta última associação.

sábado, janeiro 31, 2009

Eduardo Pereira Lopes

Faleceu no passado mês de Setembro de 2008, Eduardo Manuel Pereira Lopes, que foi o asociado nº 22 dos Amigos dos Açores e que esteve activo entre 1984 e 1993.
O Eduardo Lopes foi um dos associados que assinou a escritura de constituição dos Amigos da Terra/Açores, marcando assim a transformação do Núcleo dos Açores dos Amigos da Terra- Associação Portuguesa de Ecologistas em associação de carácter regional.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Ecologia é Mudar de Vida


(Clique sobre o texto para ampliar)

Texto publicado no Jornal Directo,de 6 de Fevereiro de 1983

Podas Radicais - A actualidade de um texto de 1986


Texto da autoria dos Amigos dos Açores (da Terra),publicada no Jornal Directo, de Angra do Heroísmo, em 1986

terça-feira, dezembro 30, 2008

Amigos dos Açores (da Terra) contra brinquedos de Guerra



Texto de um comunicado dos Amigos dos Açores (da Terra) publicado no Jornal Directo de 7 de Dezembro de 1987.

Uma visão de ambiente lata que se foi perdendo com o tempo e que terá valido a sua não aceitação como ONGA durante muitos anos.

domingo, novembro 30, 2008

Azorina ou Amigos dos Açores



No início da década de 80 do século passado funcionou, em Vila Franca do Campo, uma delegação do Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem. Como já referimos no número anterior deste boletim, foram seus principais dinamizadores, o investigador universitário francês Gerald Le Grand e o Eng. Técnico Agrário Duarte Soares Furtado, em casa de cujos pais funcionou a sede daquela associação.

Mais ou menos por esta altura, foi decidida a criação de uma associação de defesa da natureza de carácter regional cuja denominação seria “Azorina”, tendo, inclusive, sido criados e editados alguns autocolantes.

Quando, em 1989, a direcção dos Amigos da Terra - Associação Portuguesa de Ecologistas, presidida por António Eloy “exigiu” que alterássemos o nome da associação a que, então, presidíamos e que se denominava Amigos da Terra/Açores, um dos nomes que foi sugerido foi o de Azorina. Na altura, foi contactado o Eng. Duarte Furtado que nos informou que uma docente universitária estava a tratar do processo de legalização da associação. Contactada esta, foi-nos dito que o processo estava em curso, pelo que não poderíamos usar aquela designação. Assim, a opção foi por Amigos dos Açores - Associação Ecológica.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Os primórdios da espeleologia organizada em São Miguel

iniciou as suas actividades espeleológicas no primeiro semestre de 1988, tendo visitado as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas, Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene, Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima); Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande).
Participaram nestas actividades iniciais Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.

Os primórdios da espeleologia organizada em São Miguel



Na foto podem ver-se (da esquerda para a direita:João Luís Barreiro, George Hayes, Lúcia Ventura, Humberto Furtado Costa, Virgílio Oliveira, actual presidente da Associação de Jovens Agricultores, e Henrique Resendes).

O início da exploração organizada em São Miguel teve lugar no primeiro semestre de 1988, tendo sido visitadas as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas, Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene, Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima); Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande. Participaram nestas actividades, dos Amigos dos Açores, Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.

Já agora, a título de curiosidade, fica o registo que os primeiros capacetes foram capacetes de construção civil oferecidos pelo Sr. George Hayes.

quarta-feira, novembro 05, 2008

A ORIGEM DA CAMPANHA SOS- CAGARRO



Atavés da página web dos Amigos dos Açores fica-se a saber que a campanha SOS-cagarro foi criada em 1995 pelo Doutor Luís Monteiro, no âmbito do projecto LIFE “Conservação das comunidades de aves marinhas dos Açores”.

O que a maioria das pessoas não sabe é que esta campanha surgiu no seguimento de outras duas, também iniciativa do Doutor Luis Monteiro, que contaram com a colaboração activa dos Amigos dos Açores.

Assim, em Março de 1993 foi lançada a campanha "Um espaço para os garajaus" e em Novembro do mesmo ano a campanha "A Escola e o Cagarro", no âmbito da qual foi aplicado um inquérito, sobre a espécie, destinado a alunos das escolas, nomeadamente do 1º e 2º ciclos do ensino básico e distribuidos 10 mil folhetos.



Atavés da Consulta ao Projecto de Candidatura ficar-se-á a saber que a Direcção Regional do Ambiente colaboraria com o DOP na coordenação e execução das acções de conservação directa e participaria nas acções de inventariação e monitorização de espécies. Por seu turno, os Amigos dos Açores apoiariam as acções de conservação directa, nomeadamente informação e sensibilização, tendo entrado com uma comparticipação de mil setecentos e sessenta escudos.

T.Braga

domingo, novembro 02, 2008

Os Amigos dos Açores e os Universitários- Repor a Verdade

Na sua Tese de Mestrado, intitulada Participação Social e Práticas Ambientais: As organizações não governamentais de ambiente (ONGA) dos Açores, Fátima Silva escreve a dado passoo seguinte: "Veja-se por e.g. o caso da Gê-Questa que é fundada por universitários, bem como a Quercus Açores, os Amigos dos Açores e outras tantas associações".

Antes de tentar demonstrar que a afirmação da autora não está de acordo com a verdade dos factos, queria afirmar que considero que aquela tese é um trabalho de referência para o conhecimento do movimento associativo ambiental dos Açores, sendo merecedora de uma maior divulgação junto do grande público e de estudo e reflexão por parte dos activistas ambientais dos Açores.

Mas vamos ao que, por agora, nos interessa.

Se em relação à Gê-Questa nada há a apontar, em relação à Quercus acho que se deveria separar a Quercus-Terceira, do Núcleo de São Miguel da Quercus. Se em relação à Terceira não temos qualquer informação em contrário, no que diz respeito a São Miguel, o núcleo foi iniciativa da Direcção Nacional da Quercus que pretendia alargar a actividade da associação a todo o território nacional, tendo Viriato Soromenho Marques contactado com Teófilo Braga no sentido de liderar aquele núcleo e sugerido a transformação dos Amigos dos Açores em Núcleo da Quercus, sugestão esta que chegou a ser discutida e rejeitada no seio dos Amigos dos Açores. Aquando da presidência aberta de Mário Soares sobre ambiente, durante um jantar nas Furnas, Teófilo Braga voltou a afirmar a sua não intenção de liderar o núcleo dos Açores da Quercus e na altura apresentou Veríssimo Borges a Viriato Soromenho Marques.

No que diz respeito aos Amigos dos Açores, a afirmação também não está correcta. Com efeito da primeira direcção do então Núcleo dos Açores da Associação Portuguesa de Ecologistas- Amigos da Terra, eleita em 1985, fazem parte Teófilo Braga, professor do 3º ciclo do ensino básico e ensino secundário, Lúcia Ventura, estudante, e Luís Garcia, fotógrafo. A entrada de um universitário para a direcção dos Amigos dos Açores só se verifica em 1993, através de Luís Silva.

Alterações Globais - Alterações Regionais

A nível mundial, fala-se actualmente, e com muita frequência em ALTERAÇÕES GLOBAIS NO NOSSO PLANETA, alterações estas, causadas pelas actividades humanas. Apesar de ainda existirem cépticos, que põem em causa a existência real de tais acontecimentos, sugerindo que se trata de flutuações naturais, a globalidade da comunidade científica e um cada vez maior número de cidadãos, encontram-se preocupados com essas alterações. A continuar o nosso comportamento no mesmo sentido que tem vindo a seguir nos últimos séculos, ninguém pode prever, qual a evolução futura do planeta.

ALTERAÇÕES GLOBAIS

Alterações na composição da atmosfera.

Verifica-se actualmente um aumento da concentração de gases com efeito de estufa, que poderão levar a um aumento da temperatura atmosférica, como sejam. dióxido de carbono, metano, óxidos de azoto, clorofluorcabonetos, etc. O efeito de estufa consiste na captura do calor solar pela. atmosfera terrestre, sem que ocorra a sua subsequente libertação para o espaço (efeito semelhante ao provocado pelos vidros de uma estufa), e é causado pela acumulação dos referidos gases, que permitem a passagem da radiação solar, mas que impedem que o calor seja irradiado para o espaço, fazendo aumentar a temperatura da atmosfera, provocando o aquecimento global do planeta e possíveis alterações climáticas. O gás com maior importância para este processo, o dióxido de carbono, é emitido à taxa de 1,1 toneladas por habitante, por ano (através da queima de combustíveis fôsseis, que lança para a atmosfera mais de 3,3 biliões de toneladas de carbono. (1). Este problema é acentuado pela destruição das florestas, que absorveriam uma parte do dióxido de carbono, essencial para a fotossíntese (isto é, para o crescimento das plantas). Infelizmente, a floresta tropical está a desaparecer ao ritmo de 250 mil quilómetros quadrados por ano. Mantendo-se a taxa actual de diminuição do coberto florestal, todas as florestas desaparecerão dentro de 50 anos. Aos milhões de toneladas de carbono, libertadas actualmente para a atmosfera pela utilização de combustíveis, soma-se mais cerca de 1 bilião de toneladas por ano, resultantes da destruição da floresta (1). Caso a temperatura média da Terra suba 5 ou 6 graus Celsius, os gelos polares fundir-se-ão. Tal facto provocaria a subida do nível médio das águas dos oceanos, de modo que grandes áreas continentais seriam submersas. Até ao ano 2050, a terra poderá aquecer, em média, entre 2 e 4,5 graus Celsius (1). Como consequência, as produções de trigo, milho e arroz (principal alimento de três quintos da população) serão afectadas. O padrão das precipitações alterar-se--ia em todo o mundo, em 2100 a precipitação anual em Portugal poderia sofrer uma redução de 60% (2). Pode-se falar já de um aumento da temperatura média entre 1975 e 1990, embora aquele não atinja um grau Celsius.
Uma outra alteração na composição da atmosfera é a rarefacção da camada de ozono (situada entre os 20 e os 40 km acima da superfície), causada pelos clorofluorcarbonetos que são actualmente um constituinte da atmosfera de todo o planeta. É a camada de ozono que nos protege de certas radiações solares na banda dos ultravioletas, nocivas para o Homem. A importância do ozono reside no facto de que as suas moléculas absorvem uma parte significativa das radiações ultravioletas mais energéticas ( os chamados UV-B). As consequências mais directas na saúde humana podem ir de lesões na pele ou nos olhos (cataratas), e da diminuição da resistência às infecções, até ao cancro da pele. A fauna será afectada de modo semelhante. A produtividade das culturas poderá diminuir e, tanto o zooplântcton como o fitoplâncton (animais e plantas, em geral de dimensões microscópicas, que vivem nas camadas superficiais dos oceanos), base das cadeias alimentares marinhas, serão afectados. A rarefacção da camada do ozono será negativa para todos os seres vivos e para todos os ecossistemas. Duas zonas apresentam uma diminuição importante da camada de ozono, as regiões polares. No entanto, dados recentes apontam para uma redução do ozono no Hemisfério Norte, o que poderá afectar regiões populosas como o Canadá, os Estados Unidos e o Norte da Europa. A perda de ozono desde 1978 poderá atingir perto de 5% (3). A rarefacção da camada de ozono pode ser observada à latitude a que se situa Portugal, embora seja de apenas 3%, o que é pouco quando comparado com as regiões polares, onde se chega a registar uma diminuição sazonal da ordem dos 20% (2).
Uma terceira alteração, consiste no aumento da concentração dos óxidos de enxofre e de azoto, emanados pelas combustões domésticas e industriais, e pelos motores de combustão. Estes gases combinam-se com a água na atmosfera, formando ácido sulfúrico e ácido nítrico, o que origina chuvas ácidas, que afectam florestas( destruindo a folhagem) e lagos na América do Norte e no Norte da Europa ( provocando a morte dos lagos).
Nas primeiras décadas do próximo século serão, provavelmente conhecidas as primeiras consequências da alteração na composição atmosférica, iniciada com a revolução industrial.

Alterações nos sistemas oceânicos

As alterações nos sistemas oceânicos, que cobrem 70% da superfície do globo, são causadas por vários processos. Ao nível da composição química do meio marinho, verifica-se a introdução de substâncias estranhas, como ocorre nas marés negras, (as marés negras têm vindo a tornar-se. assustadoramente frequentes), na limpeza de navios no alto mar Ou, ultimamente. através da introdução, acidental ou premeditada, de metais pesados e de "lixo radioactivo". Por exemplo, por ano a Europa lança no mar um milhão de toneladas de lixos perigosos (2), sendo os rios com elevados níveis de poluição, um veículo importante para essas contaminações. Ao nível dos ecossistemas marinhos, as alterações devem-se a uma pesca abusiva, tanto de peixes e crustáceos; como de mamíferos marinhos, à destruição de muitos recifes de coral, à descaracterização completa de muitas zonas litorais (sistemas de dunas, "rias", estuários e zonas de marés), devido a uma urbanização não planificada e ao lançamento de esgotos industriais e domésticos sem qualquer tratamento. Os problemas agravam- se em mares com uma comunicação limitada com o oceano, como o Mar Mediterrânico e o Mar Báltico, e ultimamente, no Golfo Pérsico.

Alterações na ocupação do solo

O solo constitui o capital mais precioso de que o homem dispõe para a satisfação das suas necessidades. São necessários cerca de 300 anos para formar 3 centímetros de solo arável, no entanto, uma gestão descuidada pode eliminá-los em apenas dez anos. Além disso, se o solo não estiver protegido, uma tempestade pode remover essa camada em algumas horas (4). Em todas as zonas onde as árvores desapareceram, o solo empobreceu. Calcula-se que 700 milhões de hectares de terra de cultivo ( metade do total) se encontrem degradadas (5).
Nos próximos quarenta anos e devido à erosão dos solos, ficarão provavelmente perdidas cerca de 30% das terras cultiváveis(2), que constituem menos de um quarto das terras do planeta(1). A erosão destrói, anualmente, em Portugal, 16.4 toneladas de solo por hectare. No início da década de 80, avaliaram-se em seis milhões de hectares as superfícies que anualmente se desertificavam. A destruição de florestas tropicais e temperadas, e a conse¬quente redução da sua área, o aumento da desertificação, o aumento da extensão das terras de cultivo e para exploração florestal (com espécies de crescimento rápido) e das áreas dedicadas ao apastamento, as alterações no curso dos rios para a construção de barragens e diques, a desflorestação das margens e a consequente degradação das bacias fluviais, são algumas das alterações a este nível. Por outro lado, muitas formas de uso do solo, como a intensificação das aplicações de adubos químicos e de pesticidas, levaram à contaminação das reservas de água potável (lençóis freáticos) e de muitas zonas húmidas (lagos).

Alterações dos ecossistemas por introdução de espécies exóticas

É um problema grave, que pode originar grandes prejuízos económicos, para alem da degradação de ecossistemas naturais. Espécies que evoluíram em locais diferentes daqueles em que são introduzidas, encontram-se num meio onde não existem os seus inimigos naturais (predadores, parasitas, doenças, espécies competidoras), que no seu local de origem, regulavam a sua abundância, ou seja, impediam a sua proliferação ilimitada. Desde que encontrem, no seu “novo” habitat, condições climatéricas e nutrientes ou alimento disponíveis, podem expandir-se sem controlo, constituindo uma ameaça para as outras espécies. Por exemplo, no Hawai, a introdução acidental de várias espécies de roedores, levou à introdução sistemática de um pequeno mamífero carnívoro, o mangusto, por ser um caçador diurno, não teve uma acção eficaz no controlo dos roedores e, pior do que isso, constitui uma ameaça para as espécies de aves que nidificam ao seu alcance. Temos também, o caso de uma pequena árvore, natural dos Açores, a faia (Myrica faya), que foi introduzida no Hawai, no fim do século passado, por emigrantes portugueses, tendo-se tornado uma invasora nas florestas endémicas do Hawai e sendo considerada uma infestante, a combater por todos os meios, Exemplos desta natureza abundam nos quatro cantos do mundo.

Diminuição rápida do número de espécies

No passado geológico, já ocorreram vários episódios de extinção de espécies (quem nunca ouviu falar da extinção dos Dinossauros?) mas, actualmente, a taxa de extinção é muito mais elevada do que em qualquer desses períodos. No passado, as extinções ocorriam ao longo de milhões de anos, actualmente decorrem em séculos ou décadas. Esta modificação da Biosfera é das mais preocupantes, pois, uma vez extinta, uma espécie estará perdida para sempre, isto é, trata-se de uma alteração irreversível Foram necessários milhares de milhões de anos para se alcançar a diversidade de espécies existentes no planeta Terra. Unicamente devido à destruição de habitates provocada pelo homem, estima-se que desapareça uma espécie por dia(4).
No próximo século, os dias serão mais quentes, os solos mais áridos, a precipitação menos abundante, a humanidade continuará a aumentar em flecha nas zonas mais pobres do mundo(2), a diversidade biológica diminuirá. A chamada “Bomba P”, o aumento da população poderá ter, a prazo, efeitos muito perniciosos na qualidade do ambiente. Há quem ponha a seguinte questão: se o conjunto da humanidade vivesse de acordo com o modelo de sociedade, adoptado pela população mais rica do planeta (países industrializados) então, 1500 milhões seria, teoricamente, o número máximo de seres humanos suportados pela Terra, sem destruir por completo o equilíbrio ecológico. No século passado (XIX), existiam cerca de 1000 milhões de seres humanos. Neste. momento, a população humana ultrapassa já os 5000 milhões, será portanto legitimo incutir nos habitantes dos países em desenvolvimento, a crença de que poderão no futuro atingir o modelo da sociedade industrializada? No ano 2000 existirão, no Terceiro Mundo, 295 cidades com mais de 1 milhão de habitantes e mais de 138 nos países industrializados. Por essa data, 50% da população mundial estará concentrada sobre menos de 0,4% da superfície dos continentes (1).

ALTERAÇÕES REGIONAIS – AÇORES

A nível da atmosfera

Devido à circulação atmosférica, sofreremos ,inevitavelmente, os efeitos do aumento da concentração do dióxido de carbono na atmosfera. Por outro lado, estamos a contribuir para o aumento da concentração de metano, através da criação de gado. A diminuição da camada de ozono, ainda não nos afecta directamente, já que, uma rarefacção de cerca de 3%, como a que ocorre às nossas latitudes, está ainda longe da rarefacção verificada no Antárctico, cerca de 20%. É de salientar o facto de que existe a possibilidade de que vários químicos, resultantes de actividades industriais inexistentes neste arquipélago, ainda tenham chegado por transporte atmosférico.

Alterações no Oceano

Muitas das zonas de mares têm sido ameaçadas, pela extracção de areais, pelo vazamento de lixos na costas das ilhas (6,7,8), pela exploração abusiva de certos recursos, como as lapas, as lagostas, e outros mariscos. Certas espécies de peixes, como o mero poderão estar ameaçadas, não se conhecendo em concreto qual o impacto da pesca artesanal, da pesca à linha e da caça submarina. Muitas espécies ainda existentes na época de Gaspar Fructuoso, já não se encontram nestas costas. As aves marinhas, nomeadamente o cagarro (Puffinus puffnus), o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), a cagarro (Calonectris diomedea borealis)e o garajau (Sterna hirundo e Sterna dougallii) (4), estão também ameaçadas, existindo provas de que estas espécies continuam a ser caçadas pelos habitantes destas ilhas. As zonas de descanso e nidificação destas aves têm diminuído muito. Quanto aos mamíferos, o lobo-marinho, Monachaus monachaus, ainda existente nas Selvagens, já desapareceu há muito destas águas. Em geral, a fauna marinha no início do povoamento português era mais abundante e diversificada do que actualmente (4).

Introdução de espécies exóticas.

Esta é flagrante, e inclui, desde insectos até mamíferos, assim como numerosas plantas, algumas das quais parecem ter até alguma importância cultural, como o incenso e vindo da Austrália (Pittosporum undulatum), utilizado na formação de sebes, e com um perfume muito apreciado, cobre grandes superfícies em todas as ilhas) e a conteira (Hedychium garderanum) ou roca da velha, proveniente dos Himalaia , utilizada como ornamental, e até para embrulhar o queijo branco (7), mas que se apresentam, realmente, como invasoras muito agressivas que alteraram por completo a paisagem açoriana. De facto, para se penetrar no que resta do faial é necessário utilizar uma foice para cortar a densa barreira de conteira. Por outro lado, em muitas zonas costeiras, a cana (Arundo donax) apresenta-se como dominante. Chega-se até ao ponto de colocar, em tocais frequentados por grande número de pessoas, grandes fotografias de áreas cobertas por conteira ou por criptoméria, como se estas constituíssem já, um ponto de interesse turístico. Será, no entanto, mais prudente não esquecer que as plantas invasoras colocam em risco os nossos frágeis ecossistemas insulares (13,8). O combate a estas infestantes afigura-se muito difícil devido à extensão já invadida e a características inerentes às próprias plantas. Devia procurar-se, no entanto impedir o seu alastramento a zonas ainda não atacadas, assim como o alastramento de outras, plantas que ainda podemos controlar, talvez sem grandes dispêndios de capital, como a Gunera ou Gigante (Gunnera tinctoria), originária do Brasil (6), que escapou do jardim das Furnas, existindo actualmente no Salto do Cavalo, alguns alqueires revestidos exclusivamente por esta planta. Existem pessoas que a plantam, em vasos, inocentemente, facilitando a sua dispersão. para a zona ocidental de São Miguel. A hortênsia (Hydrangea macrophylla) nem parece ser originária do Japão (13), de facto, são plantas como esta, que não pertencem ao património natural dos Açores, as primeiras a serem replantadas, sendo-lhes estranho o estatuto de infestantes.
Deve salientar-se que a floresta endémica, porque menos exigente em água, e por ser responsável pelo abastecimento. dos. Reservatórios de água subterrâneos (7) contribui para a conservação, dos recursos hídricos. Por outro lado, convém não esquecer o seu interesse estético e científico.
Ao nível, das aves, encontramos o exemplos do Pardal, Passer domesticus, introduzido nestas ilhas, e que constitui já uma ameaça para o canário-da-terra, Serinus canarius canarius (14).
No que se refere aos mamíferos, as espécies açorianas pertencem à fauna da Europa temperada, tendo sido introduzidos, voluntária ou involuntariamente, pelos colonizadores (15), incluindo o morcego do Norte da Europa. Do mesmo modo, a rã, o tritão (anfíbios) e a lagartixa (réptil) foram também introduzidos. O mesmo sucedeu com as sanguessugas (vermes) (15). Saliente-se o caso do tritão de crista que, embora introduzido., não é considerado nocivo para os ecossistemas' açorianos, sendo talvez uma espécie a preservar, uma vez que as populações europeias deste anfíbio se encontram ameaçadas devido à pressão humana (11).

Diminuição do número de espécies

A vegetação costeira, que apresenta várias espécies endémicas, está em perigo, os lixos e os entulhos estão a destruir quilómetros de costa (13). O faial onde domina a faia¬da-terra (Myrica faya) cobria vastas áreas de baixa altitude e que originou os solos de melhor aptidão agrícola, está completamente destruído e as espécies que o .constituíam em perigo de extinção. A flores de média altitude, a LaurissiIva, dominada pelo louro-bravo (Laurus azorica) apresenta uma distribuição muito restrita, sendo já muito rara. Nas zonas de maior altitude a floresta de cedro-da-terra, o Zimbral; é o coberto florestal melhor representado. A destruição destes tipos de associações vegetais levará ao desaparecimento de muitas espécies de plantas endémicas.
Por outro lado, algumas espécies da flora aquática regionais estão ameaçadas devido. ao avançado estado de eutrofização de algumas lagoas e lagoeiros (16).
Ao nível das aves, o Priôlo, Phyrrula murina, ave endémica deste arquipélago, encontra-se ameaçado de extinção. No século passado era uma espécie abundante na parte oriental da ilha de São Miguel. Foi vítima de aplicações de DDT em árvores de fruto, e da redução da área de Laurissilva (14). O pombo torcaz, Columba palumbus azorica, também se encontra ameaçado, o seu efectivo é reduzido.(12), tendo decorrido uma campanha que levou a obtenção do estatuto de espécie protegida (16). O pombo torcaz é uma subespécie, endémica deste arquipélago, perseguida pelos caçadores, embora ao abrigo. da Lei da caça (12), e ameaçada pela modificação da paisagem e pelos pesticidas. Há 250 anos ma outra espécie de pombo, ligado à floresta de louro extinguiu-se, devido à caça excessiva e à destruição do seu habitat particular. Por razões semelhantes, a narceja (Gallinago gallinago) e a galinhola (Scolopax rusticola), espécies nidificantes nos Açores, apresentam efectivos muito reduzidos(9), assim como uma ave migratória, o pato real (Anas platyrhynchos), que nidificava em S. Miguel, nas zonas húmidas. O próprio Milhafre, Buteo buteo, foi afectado nos locais onde se efectuaram campanhas de desratização(11). De um modo geral o desrespeito pela lei da caça está a levar à destruição da riqueza cinegética dos Açores (9).
Por outro lado, muitos dos locais onde nidificavam aves marinhas são perturbados pele acção humana, como acontece no ilhéu de Vila Franca do Campo (São Miguel), no ilhéu de Baixo do Moinho (Flores) e no ilhéu da Praia (Graciosa), locais onde é imperativo que se tomem medidas de consciencializa¬ção dos seus frequentadores, no sentido de respeitarem as aves marinhas que ai se reproduzem. Também não se compreende que haja indivíduos capazes de massacrar garças-reais e cagarros, embora atentados como esses ainda sucedam actualmente. Muitos cagarros são mortos no ilhéu de Vila Franca, e os seus ninhos violados para fazer petiscos (16). A ameaças do mesmo género estão sujeitos os garajaus do ilhéu da Vila (Santa Maria) (11, 17). Lamenta-se e condena-se a apanha de toninhas, tartarugas e cagarros (11). A perturbação pelo homem é a maior ameaça ao garajau rosado e ao garajau comum, durante o período reprodutor (11). O seu número está a diminuir assustadoramente devido à poluição do mar e à destruição dos ovos (18).

Alterações na ocupação dos solos

Nestas ilhas, o solo é um bem escasso, de difícil e longa recuperação, no entanto,. tem-se assistido à perda de toneladas de solo. Os terrenos dedicados às pastagens têm vindo a aumentar progressivamente. A chamada "monocultura da vaca", o derrube de árvores, a abertura de caminhos de penetração, levou a uma maior erosão do solo e à redução da infiltração da água das chuvas (6) e facilitou a dispersão de muitas infestantes. Como consequência temos a perda da quase totalidade das zonas de floresta endémica: nas zonas costeiras, no faial e em altitude, onde ocorria a laurisilva. Em 1984 a área coberta por floresta era de apenas 10% nos Açores. Os especialistas afirmam, no entanto que, ao nível insular, a floresta assume um papel fundamental na protecção dos solos e na melhoria da sua qualidade, na regularização dos caudais das principais linhas de água, na conservação dos recursos hídricos e no abrigo de terrenos de cultura, contribuindo além disso para o enriquecimento da fauna e da flora(6,9). A situação problemática das águas de consumo público e as carências de água em algumas áreas, são o reflexo da irregularização do regime hídrico regional (9) Do mesmo modo, grandes extensões foram ocupadas por plantações de criptoméria (Cryptomeria japonica). Algumas das mais “belas” paisagens açorianas não são mais do que áreas cobertas por criptoméria. Mesmo em volta de muitas lagoas, a floresta endémica não foi poupada, o que tem as consequências que todos conhecemos: aumento da deposição de sedimentos e eutrofização das lagoas. A floresta tem um papel importante na regularização do ciclo hidrológico, o seu abate em bacias de recepção de água leva a um regime hídrico indesejável e a uma degradação da qualidade da mesma (10). Será realmente necessário aumentar ainda mais a zona de pastagem? Essa prática aumentará de facto a qualidade de vida dos Açorianos? Há também a extracção das leivas, inclusivamente, em plena Reserva Natural da Lagoa do Fogo, que facilita a erosão dos terrenos (11). Só a floresta endémica, ou um compromisso entre as áreas de floresta endémica e as áreas de floresta de crescimento rápido, poderá recuperar os solos, aumentando a sua produtividade.
Por outro lado a fertilização azotada, com base em adubes químicos, muitas vezes utilizados em excesso, é responsável pelo excesso de nitratos nos solos, o que pode levar à contaminação das águas subterrâneas, do mesmo modo que os esgotos urbanos e pecuários, quando lançados em ribeiras ou no subsolo (7,12). Estes excessos levam também à degradação da qualidade das águas das lagoas da ilha de S. Miguel (11) bem como as lagoas de outras ilhas, para o que contribuíram os arroteamentos de vastas áreas arborizadas para o alargamento da superfície agro- pastoril, e o uso descontrolado de adubos e pesticidas.
Embora não se tratando propriamente de alterações no solo, não posso deixar de referir os atentados ao património espeleológico (grutas e algares vulcânicos) e geológico (destruição de formações vulcânicas raras, como sejam vários tipos de cones vulcânicos).
A imagem dos Açores como paraíso ecológico está a desaparecer rapidamente, devido à exploração desenfreada dos recursos naturais. As alterações causadas nestes ecossistemas são mais do que evidentes, conhecendo-se e com exactidão as suas consequências para o. nosso futuro. Mas, esta incerteza é por si só, suficiente para nos preocuparmos. A contaminação das nascentes, a eutrofização, das lagoas, e a ausência de tratamento adequado dos resíduos sólidos urbanos, são problemas que exigem uma tomada de posição de todos os cidadãos conscientes. Pelo menos, devíamos dirigir os nossos esforços para conservar os poucos vestígios de floresta endémica, as, lagoas, únicas em toda a Macaronésia e procurar respeitar as zonas litorais. De outro. modo, o que será destas "ilhas de Bruma"? Nada mais do que pastos verdejantes, e sinuosos contrastando com o azul etéreo do mar e o céu cinzento carregado; mas poderíamos ter muito mais... O que nos caracterizará então, quando tivermos perdido o que nos diferencia de outros locais e povos? Já ninguém virá aos Açores para visitar a Laurissilva ou as Lagoas, mas sim para fotografar plantas vindas da Austrália ou dos Himalaias. O que será dos açorianos, como se definirão a si próprios?

BIBLIOGRAFIA

1- Antunes, C. P. Juquin, P. Kemp, I. Stengers, W. Telkamper e F. Ottowolf, 1990. Ecosocialismo, Uma Alternativa Verde para a Europa. Divergência, Lisboa.
2- O Público, Magazine, nº 147, 27/12/1992.
3- O Biólogo, Associação Portuguesa de Biólogos, nº21, Outubro a Dezembro de 1992.
4- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 9, Janeiro- Abril de 1992.
5- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 16, Agosto- Outubro de 1987.
6- . Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 12, Dezembro de 1986- Janeiro de 1987.
7- . Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 14, Abril- Maio de 1987
8- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 8, Outubro- Dezembro de 1991.
9- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 0, Junho de 1989.
10- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 1, Outubro- Dezembro de 1989.
11- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 10, Maio- Dezembro de 1992.
12- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 4, Setembro- Dezembro de 1990.
13- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 19, Março- Abril de 1988
14- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 2, Janeiro- Abril de 1990.
15- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 3, Maio- Agosto de 1990.
16- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 6, Abril- Junho de 1991.
17- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 7, Janeiro- Fevereiro de 1986.
18- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 17, Novembro- Dezembro de 1987.

(Texto de Luís Siva, extraído de Terra Mãe, Suplemento do Jornal A Vila, 3 de Agosto de 1993)