Blog onde se pretende registar um pouco da história das lutas e intervenções em defesa do ambiente nos Açores.
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segunda-feira, julho 09, 2018
quinta-feira, outubro 18, 2007
Impactos da Eucaliptização
Impactos da Eucaliptização
A monocultura do Eucalipto, ao contrário, do que pretendem fazer crer as indústrias de celulose, poderá trazer consequências dramáticas para a água, o solo, a flora e fauna, a economia e a cultura de uma determinada região.
1 - Para a Água
É sobretudo em áreas de baixa precipitação que o efeito dos eucaliptais poderá ter efeitos perniciosos sobre os recursos hídricos. Nas regiões mais secas “a armação do solo em terraços, aumentando as disponibilidades de água para as plantas devido à maior infiltração, aumenta a evapotranspiração e reduz ainda mais a saída de água das bacias”. Nos Açores, apesar da grande pluviosidade, por falta de estudos prévios as consequências são ainda imprevisíveis.
2 - Para o Solo
São sobretudo, as técnicas de instalação e a desprotecção causada pelos cortes rasos, as principais causas dos impactos negativos sobre os solos.
A ripagem, gradagem e terraceamento integral do terreno decapa o solo, expondo-o aos agentes atmosféricos e “a desprotecção provocada pelos cortes a intervalos muito curtos contribuem para a erosão laminar e ravinar, particularmente em solos declivosos”.
Depois de terminado o ciclo de produção ficará o terreno coberto de cepos. Estes se não forem removidos deixam o terreno improdutivo e inutilizável para a reconversão. “Por outro lado, a remoção dos cepos em solos compactos será particularmente difícil e onerosa, senão impossível, contribuindo para a forte erosão em declives acentuados.”
3 – Para a Flora e Fauna
A instalação de extensos povoamentos florestais e cortes, em períodos relativamente curtos pressupõe “a destruição das comunidades pré-existentes ou entretanto desenvolvidas durante o crescimento do povoamento”. Com a plantação indiscriminada, correrão perigo de extinção diversas espécies da nossa flora primitiva, já bastante ameaçada.
“A substituição sistemática das fitocenoses naturais que constituem valiosos habitats para a fauna, por eucaliptais exóticos extremamente pobres, em nichos ecológicos e de escassos recursos alimentares, constitui uma das mais importantes causas de abundância e diversidade faunística”.
4 – Para a Economia
Uma forte componente de capital estrangeiro da maior parte das empresas, faz com que grande parte dos lucros sejam «desviados» para países estrangeiros, os quais ficam livres de impactos negativos da eucaliptização.
É falso afirmar que o eucalipto é a espécie que mais rendimento proporciona. “Por exemplo, está calculado em cerca de 90 contos ha/ano o rendimento potencial gerado por um sobreiral na região do Ribatejo, enquanto que para a mesma área o eucaliptal não permitirá um rendimento superior a 55 contos ha/ano”.
“A opção económica pela monocultura intensiva do Eucalipto é altamente dependente das flutuações de preços a nível do mercado mundial”, o que não se verifica se a opção for pela floresta de uso múltiplo.
5 – Para a Cultura
A substituição de uma paisagem, parte integrante da identidade de uma região e de um povo, por outra, para além de ser um verdadeiro atentado à nossa identidade cultural, poderá trazer consequências graves para a actividade turística que se pretende para os Açores.
(Texto da responsabilidade dos Amigos dos Açores, escrito com base no documento “A Eucaliptização de Portugal”, subscrito pelas seguintes organizações: Quercus – Associação Nacional para a Conservação da Natureza, Liga para a Protecção da Natureza, Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente, Associação Portuguesa de Biólogos, Grupo Universitário de Évora de Estudos do Ambiente e Associação de Agricultura Biológica.)
(Publicado no “ Correio dos Açores”, 1 de Fevereiro de 1990)
A monocultura do Eucalipto, ao contrário, do que pretendem fazer crer as indústrias de celulose, poderá trazer consequências dramáticas para a água, o solo, a flora e fauna, a economia e a cultura de uma determinada região.
1 - Para a Água
É sobretudo em áreas de baixa precipitação que o efeito dos eucaliptais poderá ter efeitos perniciosos sobre os recursos hídricos. Nas regiões mais secas “a armação do solo em terraços, aumentando as disponibilidades de água para as plantas devido à maior infiltração, aumenta a evapotranspiração e reduz ainda mais a saída de água das bacias”. Nos Açores, apesar da grande pluviosidade, por falta de estudos prévios as consequências são ainda imprevisíveis.
2 - Para o Solo
São sobretudo, as técnicas de instalação e a desprotecção causada pelos cortes rasos, as principais causas dos impactos negativos sobre os solos.
A ripagem, gradagem e terraceamento integral do terreno decapa o solo, expondo-o aos agentes atmosféricos e “a desprotecção provocada pelos cortes a intervalos muito curtos contribuem para a erosão laminar e ravinar, particularmente em solos declivosos”.
Depois de terminado o ciclo de produção ficará o terreno coberto de cepos. Estes se não forem removidos deixam o terreno improdutivo e inutilizável para a reconversão. “Por outro lado, a remoção dos cepos em solos compactos será particularmente difícil e onerosa, senão impossível, contribuindo para a forte erosão em declives acentuados.”
3 – Para a Flora e Fauna
A instalação de extensos povoamentos florestais e cortes, em períodos relativamente curtos pressupõe “a destruição das comunidades pré-existentes ou entretanto desenvolvidas durante o crescimento do povoamento”. Com a plantação indiscriminada, correrão perigo de extinção diversas espécies da nossa flora primitiva, já bastante ameaçada.
“A substituição sistemática das fitocenoses naturais que constituem valiosos habitats para a fauna, por eucaliptais exóticos extremamente pobres, em nichos ecológicos e de escassos recursos alimentares, constitui uma das mais importantes causas de abundância e diversidade faunística”.
4 – Para a Economia
Uma forte componente de capital estrangeiro da maior parte das empresas, faz com que grande parte dos lucros sejam «desviados» para países estrangeiros, os quais ficam livres de impactos negativos da eucaliptização.
É falso afirmar que o eucalipto é a espécie que mais rendimento proporciona. “Por exemplo, está calculado em cerca de 90 contos ha/ano o rendimento potencial gerado por um sobreiral na região do Ribatejo, enquanto que para a mesma área o eucaliptal não permitirá um rendimento superior a 55 contos ha/ano”.
“A opção económica pela monocultura intensiva do Eucalipto é altamente dependente das flutuações de preços a nível do mercado mundial”, o que não se verifica se a opção for pela floresta de uso múltiplo.
5 – Para a Cultura
A substituição de uma paisagem, parte integrante da identidade de uma região e de um povo, por outra, para além de ser um verdadeiro atentado à nossa identidade cultural, poderá trazer consequências graves para a actividade turística que se pretende para os Açores.
(Texto da responsabilidade dos Amigos dos Açores, escrito com base no documento “A Eucaliptização de Portugal”, subscrito pelas seguintes organizações: Quercus – Associação Nacional para a Conservação da Natureza, Liga para a Protecção da Natureza, Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente, Associação Portuguesa de Biólogos, Grupo Universitário de Évora de Estudos do Ambiente e Associação de Agricultura Biológica.)
(Publicado no “ Correio dos Açores”, 1 de Fevereiro de 1990)
sábado, janeiro 27, 2007
EUCALIPTO, ÁRVORE "NON GRATA"
Eucalipto, “Árvore non grata”
O eucalipto (Eucalyptus globulus Labill), originário da Tasmânia onde chega a atingir mais de 100 m de altura, foi introduzido na Europa no século XIX para enxugar e sanear os terreos húmidos e insalubres. Boa fonte de combustível para fins industriais e domésticos é cultivado sobretudo para servir de matéria prima para a indústria de pasta de papel. As suas folhas sobretudo as dos ramos mais velhos, são utilizadas para fins medicinais. O eucalipto, faz parte de inúmeras preparações farmacêuticas.
Hás dois anos existiam, nos Açores, na Ilha Terceira, apenas dois núcleos florestais com dimensão significativa. Em São Miguel e Santa Maria, ilhas onde existiam pequenos povoados e árvores dispersas, a área arborizada com aquela espécie era próxima dos 100 hectares.
Em ofício, dirigido aos Amigos da Terra/Açores, datado de 2 de Setembro de 1987, o Director Regional dos Recursos Florestais escrevia: “ As áreas cobertas com eucalipto só tendem a diminuir, ora pela reconversão com outras espécies com mais valor ora pela transformação dos terrenos para outras culturas”.
Passados dois anos, a eucaliptite(*) parece ter chegado à Região. O eucalipto ocupa já 50% da superfície arborizada da Terceira.
Por que razão esta espécie, de garnde utilidade, é considerada “non grata”?
Exigente em água, produz modificações micro e macroclimáticas e provoca alterações prejudiciais aos regimes hídricos dos cursos de água ou a nível das águas subterrâneas, sendo os seus efeitos desastrosos quando em situações de monoculturas extensas.
Na Ribeirinha, na propriedade conhecida por Lameiro, existe um exemplar digno de ser observado. Sdegundo A. Emiliano Costa, em artigo publicado no Boletim da Comissão reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, em 1953, media “10,20 m de circunferência à altura do peito, equivalente a 3,24 m de diâmetro e com a altura aproximada de 55 m”.
(*) “Doença virulenta e gravíssima, que tendo já atacado governantes e outros defesnores da nossa economia “independente”, está a alastrar assustadoramente por todo o país. É pior que o SIDA, pois não é necessário contacto para a propagação do Virús. Transmite-se através das notas bancárias, basta verem-se as notas que estejam inoculadas do Virús para se ser infectado, no caso de se sofrer já de “gula” pelo dinheiro”. In “ A eucaliptização da língua portuguesa”, Jorge Paiva, Jornal de Coimbra, 28 de Dezembro de 1988)
(Publicado no jornal “Correio dos Açores”, em 16 de Março de 1989)
O eucalipto (Eucalyptus globulus Labill), originário da Tasmânia onde chega a atingir mais de 100 m de altura, foi introduzido na Europa no século XIX para enxugar e sanear os terreos húmidos e insalubres. Boa fonte de combustível para fins industriais e domésticos é cultivado sobretudo para servir de matéria prima para a indústria de pasta de papel. As suas folhas sobretudo as dos ramos mais velhos, são utilizadas para fins medicinais. O eucalipto, faz parte de inúmeras preparações farmacêuticas.
Hás dois anos existiam, nos Açores, na Ilha Terceira, apenas dois núcleos florestais com dimensão significativa. Em São Miguel e Santa Maria, ilhas onde existiam pequenos povoados e árvores dispersas, a área arborizada com aquela espécie era próxima dos 100 hectares.
Em ofício, dirigido aos Amigos da Terra/Açores, datado de 2 de Setembro de 1987, o Director Regional dos Recursos Florestais escrevia: “ As áreas cobertas com eucalipto só tendem a diminuir, ora pela reconversão com outras espécies com mais valor ora pela transformação dos terrenos para outras culturas”.
Passados dois anos, a eucaliptite(*) parece ter chegado à Região. O eucalipto ocupa já 50% da superfície arborizada da Terceira.
Por que razão esta espécie, de garnde utilidade, é considerada “non grata”?
Exigente em água, produz modificações micro e macroclimáticas e provoca alterações prejudiciais aos regimes hídricos dos cursos de água ou a nível das águas subterrâneas, sendo os seus efeitos desastrosos quando em situações de monoculturas extensas.
Na Ribeirinha, na propriedade conhecida por Lameiro, existe um exemplar digno de ser observado. Sdegundo A. Emiliano Costa, em artigo publicado no Boletim da Comissão reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, em 1953, media “10,20 m de circunferência à altura do peito, equivalente a 3,24 m de diâmetro e com a altura aproximada de 55 m”.
(*) “Doença virulenta e gravíssima, que tendo já atacado governantes e outros defesnores da nossa economia “independente”, está a alastrar assustadoramente por todo o país. É pior que o SIDA, pois não é necessário contacto para a propagação do Virús. Transmite-se através das notas bancárias, basta verem-se as notas que estejam inoculadas do Virús para se ser infectado, no caso de se sofrer já de “gula” pelo dinheiro”. In “ A eucaliptização da língua portuguesa”, Jorge Paiva, Jornal de Coimbra, 28 de Dezembro de 1988)
(Publicado no jornal “Correio dos Açores”, em 16 de Março de 1989)
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Eucaliptomania, Universidade e Partidos Políticos
Em Setembro de 1987, o Director Regional dos Recursos Florestais afirmava: “as áreas cobertas com eucaliptos só tendem a diminuir, ora pela reconversão com outras espécies com mais valor ora pela transformação dos terrenos para outras culturas”. Passados dois anos, a espécie nativa da Austrália (incluindo a Tasmânia) ocupa 50% da superficie arborizada da Terceira, estando uma das plantações sobre o lençol de água que abastece a cidade de Angra do Heroismo, no local da Caldeira do Guilherme. No Pico, só a Soporcel já arrendou cerca de três mil hectares de terras. A um passo de invadir São Miguel, qualquer dia irá cobrir por completo a ilha das Flores. Seria a concretização do sonho (ou pesadelo?) do deputado comunista que tem assento na Assembleia Regional.
Porque motivo, só agora, as empresas de celulose se lembraram de vir colonizar os Açores?
Escrevi colonizar pois o seu projecto não é apenas introduzir a monocultura intensiva do eucalipto. Preparam-se para “controlar’ a informação e “manipular o saber, financiando estudos a efectuar pela Universidade com vista a justificar a introdução do “petróleo verde” nos Açores. É que, como se sabe, nem toda a investigação é isenta e embora o seja a sua divulgação poderá ser impedida, quando não estiver de acordo com os interesses da empresa que os paga. Concordo com João Caninas, do GEOTA, quem em “O Jornal” de 12/01/90, referiu-se ao facto de a investigação cientifica andar a reboque da iniciativa privada não garantir a isenção necessária e faço minhas as palavras do arquitecto Ribeiro Teles que considerou o financiamento da investigação pelas empresas de celulose como a “prostituição da investigação e da própria Universidade”.
Se a monocultura do eucalipto é boa para a Região Açores, porque motivo as empresas têm necessidade de prometer financiamento a projectos de interesse turístico, recuperar o “boi açoriano”, construir um parque para a caça ao veado, oferecer dinheiro a intermediários para o arrendamento ou compra de terrenos, pagar viagens a jornalistas (não viram nem cheiraram os esgotos das fábricas!) e a deputados?
A propósito de deputados, não conhecemos nenhuma reacção do partido dito ecologista “Os Verdes” ao interesse manifestado pelo deputado Valadão que acha que nas Flores o eucalipto vai “dar vida às suas gentes”. Na Roménia o Nicolau destruia aldeias com o mesmo objectivo...
Os militantes ecologistas e todos os amantes e defensores da natureza pouco ou nada têm a esperar de um partido verde-raiado que passa a vida a servir de muleta a outros que estão mais preocupados com o seu umbigo do que os graves problemas ecológicos que ameaçam a humanidade.
(Publicado no jornal “Açoreano Oriental, 26 de Janeiro de 1990)
Porque motivo, só agora, as empresas de celulose se lembraram de vir colonizar os Açores?
Escrevi colonizar pois o seu projecto não é apenas introduzir a monocultura intensiva do eucalipto. Preparam-se para “controlar’ a informação e “manipular o saber, financiando estudos a efectuar pela Universidade com vista a justificar a introdução do “petróleo verde” nos Açores. É que, como se sabe, nem toda a investigação é isenta e embora o seja a sua divulgação poderá ser impedida, quando não estiver de acordo com os interesses da empresa que os paga. Concordo com João Caninas, do GEOTA, quem em “O Jornal” de 12/01/90, referiu-se ao facto de a investigação cientifica andar a reboque da iniciativa privada não garantir a isenção necessária e faço minhas as palavras do arquitecto Ribeiro Teles que considerou o financiamento da investigação pelas empresas de celulose como a “prostituição da investigação e da própria Universidade”.
Se a monocultura do eucalipto é boa para a Região Açores, porque motivo as empresas têm necessidade de prometer financiamento a projectos de interesse turístico, recuperar o “boi açoriano”, construir um parque para a caça ao veado, oferecer dinheiro a intermediários para o arrendamento ou compra de terrenos, pagar viagens a jornalistas (não viram nem cheiraram os esgotos das fábricas!) e a deputados?
A propósito de deputados, não conhecemos nenhuma reacção do partido dito ecologista “Os Verdes” ao interesse manifestado pelo deputado Valadão que acha que nas Flores o eucalipto vai “dar vida às suas gentes”. Na Roménia o Nicolau destruia aldeias com o mesmo objectivo...
Os militantes ecologistas e todos os amantes e defensores da natureza pouco ou nada têm a esperar de um partido verde-raiado que passa a vida a servir de muleta a outros que estão mais preocupados com o seu umbigo do que os graves problemas ecológicos que ameaçam a humanidade.
(Publicado no jornal “Açoreano Oriental, 26 de Janeiro de 1990)
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