Blog onde se pretende registar um pouco da história das lutas e intervenções em defesa do ambiente nos Açores.
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terça-feira, março 07, 2017
domingo, julho 28, 2013
sexta-feira, agosto 17, 2007
CONSERVAÇÃO DA NATUREZA
ALGUNS CONCEITOS
ECOLOGIA E ECOLOGISMO
"Ecologia é ter o canto de uma ave na cabeça e os pés na terra"(Jean-Paul Ribes, "La Baleine")
O termo ecologia foi usado pela primeira vez, em 1866, pelo biólogo alemão Ernst Haeckel. A ecologia, que só a partir de 1919 deixou de ser um ramo da Biologia, pode ser definida como "a ciência que estuda as relações do homem com o meio ambiente vivo e a natureza que o envolve, a comunicação que se estabelece entre os organismos vivos, desde a mais pequena célula ao mais complexo sistema vivo".
A interacção existente entre sociedade e natureza fez com que, a partir de certo momento, a ecologia se tornasse, pouco a pouco, em actividade de intervenção política e social, em ecologismo - termo criado por Dominique Simonnet, em 1979, para distinguir ciência de actividade político/social.
Em suma, podemos distinguir duas vertentes no conceito de ecologia: a científica e a social. Estas "não podem ser entendidas numa antítese, mas sim como dois aspectos da mesma realidade global. A previsão científica permite orientar a intervenção social, e esta corrigir a primeira".
AMBIENTE
Ambiente é o conjunto dos sistemas físicos, químicos, biológicos e suas relações e dos factores económicos, sociais e culturais com efeito directo ou indirecto, mediato ou imediato, sobre os seres vivos e a qualidade de vida do homem.
QUALIDADE DE VIDA
Esta é o resultado de múltiplos factores no funcionamento das sociedades humanas e traduz-se na situação de bem estar físico, mental e social e na satisfação e afirmação culturais, bem como em relações autênticas entre o indivíduo e a comunidade, dependendo da influência de factores inter-relacionados, que compreendem designadamente:
a) a capacidade de carga do território e dos recursos;
b) a alimentação, a habitação, a saúde, a educação, os transportes e a ocupação dos tempos livres;
c) um sistema social que assegure a prosperidade de toda a população e os consequentes benefícios da Segurança Social;
d) a integração da expansão urbano – industrial na paisagem, funcionando como valorização da mesma, e não como agente de degradação.
ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
É o processo integrado da organização do espaço biofísico, tendo como objectivo o uso e a transformação do território, de acordo com as suas capacidades e vocações, e a permanência dos valores de equilíbrio biológico e de estabilidade geológica, numa perspectiva de aumento da sua capacidade de suporte de vida.
CONSERVAÇÃO DA NATUREZA: CONCEITO E ASSOCIATIVISMO
Durante muito tempo a Conservação da Natureza estava associada à defesa das espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção.
Preocupação muito antiga, a conservação da natureza só terá assumido carácter organizado com o movimento dos “naturalistas”, nos Estados Unidos, por volta de 1872, ano em que foi criado o Parque Nacional de Yellowstone.
Foi, contudo, a publicação do livro “Primavera Silenciosa”, em 1960, nos Estados Unidos, e, três anos depois, em França, de autoria da bióloga norte-americana Rachael Carson, que fez despertar as consciências para as crescentes agressões ambientais a que estava a ser sujeita a Mãe da Terra.
Em 1969 surge, em São Francisco, nos Estados Unidos, o movimento dos “Friends of the Earth”. No ano seguinte nasce, no Canadá, por iniciativa de um pequeno grupo de ecologistas americanos e canadianos, a organização “ Greenpeace.
Em Portugal, até ao 25 de Abril de 1974, apenas a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), fundada em 1948, desempenhou um papel fundamental na educação e sensibilização para a conservação da natureza. Logo após aquela data é fundado, em Lisboa, o Movimento Ecológico Português e em Dezembro do mesmo ano surge, no Porto, o Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem que chegou a possuir uma delegação nos Açores, com sede em Vila Franca do Campo.
A Associação Amigos dos Açores é uma Associação de Defesa do Ambiente, criada em Março de 1985, que tem como objectivo, em termos gerais, contribuir para a construção de um mundo mais limpo; mais justo e pacífico, privilegiando para isso métodos de trabalho e de intervenção não- violentos.
Com cerca de 750 associados individuais espalhados por várias ilhas dos Açores, em Portugal Continental e nas comunidades de emigrantes, a sua acção embora centrada na ilha de S. Miguel, tem-se estendido a todas as ilhas, quer através dos seus membros, quer através da colaboração com as autarquias e sobretudo com as escolas de todos os níveis de ensino.
A conservação é hoje assumida como a gestão da Biosfera, de modo a que o homem utilize os seus recursos de forma perene, satisfazendo as suas necessidades sem degradar o património, natural e cultural, que é uma herança que não nos pertence, porque pertence às gerações do futuro. Assim, é necessário que a política de conservação seja uma componente fundamental de todas as políticas sectoriais e abranja todo o território, em particular a agricultura a indústria, a floresta, etc. devem obedecer a critérios ambientais e de conservação.
ÁREAS PROTEGIDAS
São áreas terrestres, águas interiores e marítimas em que a fauna, a flora, a paisagem, os ecossistemas ou outras ocorrências naturais apresentem, pela sua raridade, valor ecológico ou paisagístico, importância científica, cultural e social, uma relevância especial que exija medidas específicas de conservação e gestão, em ordem a promover a gestão racional dos recursos naturais, a valorização do património natural e construído, regulamentando as intervenções artificiais susceptíveis de as degradar.
Parque nacional
Entende-se por parque nacional uma área que contenha um ou vários ecossistemas inalterados ou pouco alterados pela intervenção humana, integrando amostras representativas de regiões naturais caracterís¬ticas, de paisagens naturais e humanizadas, de espécies vegetais e animais, de locais geomorfológicos ou de ha¬bitats de espécies com interesse ecológico, científico e educacional.
Reserva natural
Entende-se por reserva natural uma área desti¬nada à protecção de habitats da flora e da fauna.
Parque natural
Entende-se por parque natural uma área que se caracteriza por conter paisagens naturais, seminaturais e humanizadas, de interesse nacional, sendo exemplo da integração harmoniosa da actividade humana e da Natureza e que apresenta amostras de um bioma ou região natural.
Monumento natural
Entende-se por monumento natural uma ocorrência natural contendo um ou mais aspectos que, pela sua ,singularidade, raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade.
Paisagem protegida
Entende-se por paisagem protegida uma área com paisagens naturais, seminaturais e humanizadas, de interesse regional ou local, resultantes da interac¬ção harmoniosa do homem e da Natureza que evidencia grande valor estético ou natural.
O COMPORTAMENTO DAS PESSOAS NAS ÁREAS PROTEGIDAS
Nas áreas protegidas os visitantes deverão seguir algumas regras . Apresentamos 10 conselhos a que intitulamos “Regras de ouro dos Amigos da Natureza”:
1- És um convidado da natu¬reza - comporta-te como tal!
2- Não arranques plantas nem maltrates as árvores - a vegetação não pode fugir às tuas agressões.
3- Não faças ruídos que te privem dos sons da Natureza- nela podes encontrar a tranquilidade que não há nas cidades.
4- Não faças fogueiras nem lume fora dos sítios prepa¬rados para tal - qualquer descuido pode acabar com o que demorou anos a crescer.
5- Segue as indicações que encontres ou os conselhos dos guias.
6- Não deixes lixo ou desperdícios- não queiras deixar uma má recordação da tua visita.
7- Não incomodes nem maltrates os animais- a natureza é a sua casa.
8- Os espaços naturais existiam muito antes da tua chegada- deixa tudo como encontraste.
9- A observação, o estudo, o desenho e a fotografia são actividades que não prejudicam a natureza- podes aprender muito com ela.
10-Avisa imediatamente as auto¬ridades sempre que observes algo de anormal.
(texto base para uma acção de sensibilização para alunos do 7º ano de escolaridade da Escola EB 2,3 de Vila Franca do Campo, a convite da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, no dia 20 de Novembro de 1998)
ALGUNS CONCEITOS
ECOLOGIA E ECOLOGISMO
"Ecologia é ter o canto de uma ave na cabeça e os pés na terra"(Jean-Paul Ribes, "La Baleine")
O termo ecologia foi usado pela primeira vez, em 1866, pelo biólogo alemão Ernst Haeckel. A ecologia, que só a partir de 1919 deixou de ser um ramo da Biologia, pode ser definida como "a ciência que estuda as relações do homem com o meio ambiente vivo e a natureza que o envolve, a comunicação que se estabelece entre os organismos vivos, desde a mais pequena célula ao mais complexo sistema vivo".
A interacção existente entre sociedade e natureza fez com que, a partir de certo momento, a ecologia se tornasse, pouco a pouco, em actividade de intervenção política e social, em ecologismo - termo criado por Dominique Simonnet, em 1979, para distinguir ciência de actividade político/social.
Em suma, podemos distinguir duas vertentes no conceito de ecologia: a científica e a social. Estas "não podem ser entendidas numa antítese, mas sim como dois aspectos da mesma realidade global. A previsão científica permite orientar a intervenção social, e esta corrigir a primeira".
AMBIENTE
Ambiente é o conjunto dos sistemas físicos, químicos, biológicos e suas relações e dos factores económicos, sociais e culturais com efeito directo ou indirecto, mediato ou imediato, sobre os seres vivos e a qualidade de vida do homem.
QUALIDADE DE VIDA
Esta é o resultado de múltiplos factores no funcionamento das sociedades humanas e traduz-se na situação de bem estar físico, mental e social e na satisfação e afirmação culturais, bem como em relações autênticas entre o indivíduo e a comunidade, dependendo da influência de factores inter-relacionados, que compreendem designadamente:
a) a capacidade de carga do território e dos recursos;
b) a alimentação, a habitação, a saúde, a educação, os transportes e a ocupação dos tempos livres;
c) um sistema social que assegure a prosperidade de toda a população e os consequentes benefícios da Segurança Social;
d) a integração da expansão urbano – industrial na paisagem, funcionando como valorização da mesma, e não como agente de degradação.
ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
É o processo integrado da organização do espaço biofísico, tendo como objectivo o uso e a transformação do território, de acordo com as suas capacidades e vocações, e a permanência dos valores de equilíbrio biológico e de estabilidade geológica, numa perspectiva de aumento da sua capacidade de suporte de vida.
CONSERVAÇÃO DA NATUREZA: CONCEITO E ASSOCIATIVISMO
Durante muito tempo a Conservação da Natureza estava associada à defesa das espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção.
Preocupação muito antiga, a conservação da natureza só terá assumido carácter organizado com o movimento dos “naturalistas”, nos Estados Unidos, por volta de 1872, ano em que foi criado o Parque Nacional de Yellowstone.
Foi, contudo, a publicação do livro “Primavera Silenciosa”, em 1960, nos Estados Unidos, e, três anos depois, em França, de autoria da bióloga norte-americana Rachael Carson, que fez despertar as consciências para as crescentes agressões ambientais a que estava a ser sujeita a Mãe da Terra.
Em 1969 surge, em São Francisco, nos Estados Unidos, o movimento dos “Friends of the Earth”. No ano seguinte nasce, no Canadá, por iniciativa de um pequeno grupo de ecologistas americanos e canadianos, a organização “ Greenpeace.
Em Portugal, até ao 25 de Abril de 1974, apenas a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), fundada em 1948, desempenhou um papel fundamental na educação e sensibilização para a conservação da natureza. Logo após aquela data é fundado, em Lisboa, o Movimento Ecológico Português e em Dezembro do mesmo ano surge, no Porto, o Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem que chegou a possuir uma delegação nos Açores, com sede em Vila Franca do Campo.
A Associação Amigos dos Açores é uma Associação de Defesa do Ambiente, criada em Março de 1985, que tem como objectivo, em termos gerais, contribuir para a construção de um mundo mais limpo; mais justo e pacífico, privilegiando para isso métodos de trabalho e de intervenção não- violentos.
Com cerca de 750 associados individuais espalhados por várias ilhas dos Açores, em Portugal Continental e nas comunidades de emigrantes, a sua acção embora centrada na ilha de S. Miguel, tem-se estendido a todas as ilhas, quer através dos seus membros, quer através da colaboração com as autarquias e sobretudo com as escolas de todos os níveis de ensino.
A conservação é hoje assumida como a gestão da Biosfera, de modo a que o homem utilize os seus recursos de forma perene, satisfazendo as suas necessidades sem degradar o património, natural e cultural, que é uma herança que não nos pertence, porque pertence às gerações do futuro. Assim, é necessário que a política de conservação seja uma componente fundamental de todas as políticas sectoriais e abranja todo o território, em particular a agricultura a indústria, a floresta, etc. devem obedecer a critérios ambientais e de conservação.
ÁREAS PROTEGIDAS
São áreas terrestres, águas interiores e marítimas em que a fauna, a flora, a paisagem, os ecossistemas ou outras ocorrências naturais apresentem, pela sua raridade, valor ecológico ou paisagístico, importância científica, cultural e social, uma relevância especial que exija medidas específicas de conservação e gestão, em ordem a promover a gestão racional dos recursos naturais, a valorização do património natural e construído, regulamentando as intervenções artificiais susceptíveis de as degradar.
Parque nacional
Entende-se por parque nacional uma área que contenha um ou vários ecossistemas inalterados ou pouco alterados pela intervenção humana, integrando amostras representativas de regiões naturais caracterís¬ticas, de paisagens naturais e humanizadas, de espécies vegetais e animais, de locais geomorfológicos ou de ha¬bitats de espécies com interesse ecológico, científico e educacional.
Reserva natural
Entende-se por reserva natural uma área desti¬nada à protecção de habitats da flora e da fauna.
Parque natural
Entende-se por parque natural uma área que se caracteriza por conter paisagens naturais, seminaturais e humanizadas, de interesse nacional, sendo exemplo da integração harmoniosa da actividade humana e da Natureza e que apresenta amostras de um bioma ou região natural.
Monumento natural
Entende-se por monumento natural uma ocorrência natural contendo um ou mais aspectos que, pela sua ,singularidade, raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade.
Paisagem protegida
Entende-se por paisagem protegida uma área com paisagens naturais, seminaturais e humanizadas, de interesse regional ou local, resultantes da interac¬ção harmoniosa do homem e da Natureza que evidencia grande valor estético ou natural.
O COMPORTAMENTO DAS PESSOAS NAS ÁREAS PROTEGIDAS
Nas áreas protegidas os visitantes deverão seguir algumas regras . Apresentamos 10 conselhos a que intitulamos “Regras de ouro dos Amigos da Natureza”:
1- És um convidado da natu¬reza - comporta-te como tal!
2- Não arranques plantas nem maltrates as árvores - a vegetação não pode fugir às tuas agressões.
3- Não faças ruídos que te privem dos sons da Natureza- nela podes encontrar a tranquilidade que não há nas cidades.
4- Não faças fogueiras nem lume fora dos sítios prepa¬rados para tal - qualquer descuido pode acabar com o que demorou anos a crescer.
5- Segue as indicações que encontres ou os conselhos dos guias.
6- Não deixes lixo ou desperdícios- não queiras deixar uma má recordação da tua visita.
7- Não incomodes nem maltrates os animais- a natureza é a sua casa.
8- Os espaços naturais existiam muito antes da tua chegada- deixa tudo como encontraste.
9- A observação, o estudo, o desenho e a fotografia são actividades que não prejudicam a natureza- podes aprender muito com ela.
10-Avisa imediatamente as auto¬ridades sempre que observes algo de anormal.
(texto base para uma acção de sensibilização para alunos do 7º ano de escolaridade da Escola EB 2,3 de Vila Franca do Campo, a convite da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, no dia 20 de Novembro de 1998)
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Conservação da Natureza
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ASSOCIATIVISMO
A educação ambiental, que aparece como resposta aos problemas da biosfera, não se limita a fornecer aos indivíduos mais informação e formação, ensina-lhes, também, a utilizar judiciosamente o ambiente. De acordo com as recomendações da Conferencia de Tbilisi, realizada na ex- URSS, em Outubro de 1977, o princípio geral da educação ambiental é:
“Fazer compreender às pessoas e às comunidades a natureza complexa resultante dos factores físicos, biológicos, sociais, económicos e culturais do ambiente natural e urbano e dar a estas pessoas ou comunidades a oportunidade de adquirir os conhecimentos, os valores, as atitudes e as aptidões práticas que lhes permitam ajudar de uma maneira responsável e eficaz a prever e resolver os problemas ecológicos e gerir a qualidade do ambiente.”
O modo como tem sido concretizadas entre nós, ao longo dos anos, várias actividades de educação ambiental, sem qualquer fio condutor, quase tão só para marcar a simples presença em comemorações dos mais diversos dias mundiais, deixa muito a desejar. Com efeito, as diversas acções, para além de não contribuírem para "suscitar uma consciência social que possa gerar atitudes capazes de afectar comportamentos" são, muitas vezes, uma fonte de frustação e de desperdício de recursos financeiros.
Para a implementação da educação ambiental é necessário reflectir sobre como integrá- la nos currículos escolares a todos os níveis de ensino, como deverá ser feita a formação dos professores, como e quem a fará na sua vertente não formal, quais os recursos necessários, que metodologias deverão ser usadas, etc.. Em suma, mais do que demonstrar alguma boa vontade, é importante, com urgência, elaborar uma Estratégia Regional de Educação Ambiental, tendo por base, entre outras, a Estratégia Internacional de Acção em Matéria de Educação e Formação Ambiental, adoptada pela Unesco e PNUA por ocasião do Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambiental, realizado em 1987 na cidade de Moscovo.
Outra preocupação que devemos ter, enquanto arquipélago, é a de evitar que nesta área, tal como em muitas outras, seja o peso eleitoral/partidário de determinadas ilhas, ou a simples localização geográfica das Secretarias Regionais, a determinar a localização dos Departamentos ou a realização dos eventos. Assim, corremos o risco de que a educação ambiental não chegue à maior parte da população alvo, que se situa na ilha de são Miguel.
As acções de educação ambiental não deverão ser exclusivas das diversas entidades governamentais. As associações de defesa do ambiente poderão desempenhar um papel de relevo nesta matéria, cabendo ao estado apoiá-las tal como está previsto no artigo 90 da Lei n0 10/87, de 4 de Abril.
A estas, mais importante do que terem assento em órgãos de cúpula de interesse duvidoso, é vital empenharem-se na dinamização da sua vida interna, chamando à participação um cada vez maior número de cidadãos, e desenvolverem um trabalho continuado junto das populações.
(Publicado no Açoriano Oriental, 9 de Dezembro de 2002)
A educação ambiental, que aparece como resposta aos problemas da biosfera, não se limita a fornecer aos indivíduos mais informação e formação, ensina-lhes, também, a utilizar judiciosamente o ambiente. De acordo com as recomendações da Conferencia de Tbilisi, realizada na ex- URSS, em Outubro de 1977, o princípio geral da educação ambiental é:
“Fazer compreender às pessoas e às comunidades a natureza complexa resultante dos factores físicos, biológicos, sociais, económicos e culturais do ambiente natural e urbano e dar a estas pessoas ou comunidades a oportunidade de adquirir os conhecimentos, os valores, as atitudes e as aptidões práticas que lhes permitam ajudar de uma maneira responsável e eficaz a prever e resolver os problemas ecológicos e gerir a qualidade do ambiente.”
O modo como tem sido concretizadas entre nós, ao longo dos anos, várias actividades de educação ambiental, sem qualquer fio condutor, quase tão só para marcar a simples presença em comemorações dos mais diversos dias mundiais, deixa muito a desejar. Com efeito, as diversas acções, para além de não contribuírem para "suscitar uma consciência social que possa gerar atitudes capazes de afectar comportamentos" são, muitas vezes, uma fonte de frustação e de desperdício de recursos financeiros.
Para a implementação da educação ambiental é necessário reflectir sobre como integrá- la nos currículos escolares a todos os níveis de ensino, como deverá ser feita a formação dos professores, como e quem a fará na sua vertente não formal, quais os recursos necessários, que metodologias deverão ser usadas, etc.. Em suma, mais do que demonstrar alguma boa vontade, é importante, com urgência, elaborar uma Estratégia Regional de Educação Ambiental, tendo por base, entre outras, a Estratégia Internacional de Acção em Matéria de Educação e Formação Ambiental, adoptada pela Unesco e PNUA por ocasião do Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambiental, realizado em 1987 na cidade de Moscovo.
Outra preocupação que devemos ter, enquanto arquipélago, é a de evitar que nesta área, tal como em muitas outras, seja o peso eleitoral/partidário de determinadas ilhas, ou a simples localização geográfica das Secretarias Regionais, a determinar a localização dos Departamentos ou a realização dos eventos. Assim, corremos o risco de que a educação ambiental não chegue à maior parte da população alvo, que se situa na ilha de são Miguel.
As acções de educação ambiental não deverão ser exclusivas das diversas entidades governamentais. As associações de defesa do ambiente poderão desempenhar um papel de relevo nesta matéria, cabendo ao estado apoiá-las tal como está previsto no artigo 90 da Lei n0 10/87, de 4 de Abril.
A estas, mais importante do que terem assento em órgãos de cúpula de interesse duvidoso, é vital empenharem-se na dinamização da sua vida interna, chamando à participação um cada vez maior número de cidadãos, e desenvolverem um trabalho continuado junto das populações.
(Publicado no Açoriano Oriental, 9 de Dezembro de 2002)
quinta-feira, agosto 16, 2007
AS ASSOCIAÇÕES E A DEFSA DO AMBIENTE
"Ecologia é ter o canto de uma ave na cabeça e os pés na terra"(Jean-Paul Ribes, "La Baleine")
1- A diversidade dos grupos “ecológicos”
O termo ecologia foi usado pela primeira vez, em 1866, pelo biólogo alemão Ernst Haeckel. A ecologia, que só a partir de 1919 deixou de ser um ramo da Biologia, pode ser definida como "a ciência que estuda as relações do homem com o meio ambiente vivo e a natureza que o envolve, a comunicação que se estabelece entre os organismos vivos, desde a mais pequena célula ao mais complexo sistema vivo".
A interacção existente entre sociedade e natureza fez com que, a partir de certo momento, a ecologia se tornasse, pouco a pouco, em actividade de intervenção política e social, em ecologismo - termo criado por Dominique Simonnet, em 1979, para distinguir ciência de actividade político/social.
Em suma, podemos distinguir duas vertentes no conceito de ecologia: a científica e a social. Estas "não podem ser entendidas numa antítese, mas sim como dois aspectos da mesma realidade global. A previsão científica permite orientar a intervenção social, e esta corrigir a primeira".
A intervenção social, por seu turno, pode ser vista segundo três perspectivas: a defensiva, a tecnocrática e a radical.
Os activistas que perfilham a perspectiva defensiva centram a sua preocupação nas diferentes formas de poluição, sendo contrários a todo o desenvolvimento e crescimento económico e social.
Os tecnocratas, por seu turno, defendem o modelo de desenvolvimento urbano e industrial da sociedade actual e actuam terapeuticamente sobre os diversos problemas. Por outras palavras, para eles, a ecologia não é mais do que uma simples técnica.
Por último, para os adeptos da perspectiva radical a ecologia é entendida como “filosofia dum outro modo de vida”. Sem por de parte as concepções anteriores os radicais consideram que a racionalização e a inovação tecnológica são insuficientes, e perfilham uma nova concepção do mundo em que as relações entre os homens, entre os homens e os outros seres vivos e entre os homens e o espaço sejam diferentes das actuais.
Actuando segundo uma ou mais do que uma das perspectivas referidas existem várias correntes de opinião das quais, entre outras, se destacam: o conservacionismo, o ambientalismo, a ecologia profunda, a ecologia política e a ecologia social.
O conservacionismo é a corrente que se preocupa essencialmente com a criação de áreas protegidas e com a protecção de espécies em perigo e é constituída essencialmente por amantes de natureza e da vida selvagem. Os mais conservadores consideram que a propriedade privada da terra e da água será a melhor maneira de as defender da poluição e destruição e a ala mais avançada (esquerda) admite a intervenção do estado para regulamentar os problemas ambientais.
O ambientalismo, cuja actuação se pode confundir com a ala avançada do conservacionismo, para além da conservação da natureza adopta um leque mais vasto de preocupações como os resíduos, a energia, os transportes, etc. Os ambientalistas que se caracterizam pela abordagem de problemas individualizados acreditam em soluções técnicas para os problemas ambientais e apelam constantemente ao estado para a criação de legislação protectora. A sua organização é essencialmente de carácter nacional e profissionalizada.
A ecologia profunda aparece como reacção às correntes anteriores, já que aquelas não questionam a chamada “filosofia dominante” da sociedade industrial. Os adeptos da ecologia profunda entendem que “ o valor da Terra, personificada em Gaia, é- lhe intrínseco, não depende da sua utilidade para os humanos” e consideram que os interesses económicos devem estar subordinados às considerações ecológicas. Esta corrente está mais interessada “ na alteração do estilo de vida, na auto- realização e espiritualidade, do que em mudanças política e sociais”.
O movimento da ecologia política aparece em 1972, na nova Zelândia, com a criação do primeiro partido verde. A ecologia política que se opõe à “ideologia do crescimento ilimitado e à acumulação infindável de bens em que assenta a sociedade de consumo actual” privilegia a actuação a nível local e regional a qual é combinada com a participação eleitoral que é concebida como acção educativa.
A ecologia social defende uma alternativa de administração ao estado centralizado, sendo o município “o lugar natural para modificações sociais, políticas e ambientais e o bairro e a cidade como a base duma nova política democrática”. De acordo com Murray Bookchin, o fundador desta corrente, “em vez de se continuar com um sistema de produção e consumo ostensivo e incontrolado” é “ necessário criar eco-
comunidades e eco- tecnologias para que possamos restabelecer o equilíbrio entre a humanidade e a natureza e inverter o processo de degradação da bioesfera” .
2- Os grupos “ecológicos” nos Açores
Nos Açores, a nível oficial, estão registadas diversas associações de defesa do ambiente. Contudo, algumas delas não desenvolvem qualquer actividade há alguns anos e para outras a defesa do ambiente é objectivo secundário.
A associação mais antiga, a Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros” que foi fundada em 1 de Dezembro de 1963 “tem por fim promover o conhecimento e divulgação de motivos naturais de interesse espeleológico ou paisagístico”, através da prática do campismo e do montanhismo. Os Montanheiros têm desempenhado um papel de relevo no apoio logístico a várias expedições cientificas no âmbito da espeleologia e têm denunciado atentados à natureza, sobretudo na ilha onde estão sediados, a Terceira.
O Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria, tem por objectivo, entre outros, incutir nos jovens o respeito pela Natureza, alertando-os para a necessidade da acção do homem não ser factor de desequilíbrio ecológico. A sua actividade, dirigida aos mais jovens, foi mais intensa nas décadas de 70 e 80. Hoje, apesar da persistência do Sr. Dalberto Teixeira Pombo, a sua actividade é muito reduzida.
A Associação Ecológica “Amigos dos Açores”, criada em Março de 1985, tem por objectivos defender a Natureza, o Ambiente e a Paz, contribuir para a construção de um mundo mais limpo, mais justo e pacífico, privilegiando para isso métodos de trabalho e de intervenção não- violentos. Com cerca de 820 associados, a sua acção, embora centrada na ilha de São Miguel, tem-se estendido a todas as ilhas, quer através dos seus associados quer através da colaboração com as escolas e autarquias. Cientes que só actuando em conjunto é possível exercer influência sobre as decisões tomadas a nível global, os Amigos dos Açores decidiram no início de 1993 aderir à Earthaction Network, organização internacional com mais de 700 associações filiadas em mais de 100 países.
A Azórica, associação de Defesa do Ambiente sediada no Faial foi criada no início da década de 90, tendo promovido nos dias 5 e 6 de Junho de 1993 o 1º Encontro das Associações de Defesa do Ambiente da Região Autónoma dos Açores, edita a revista “Moinho de Vento” e anualmente promove campanhas de limpeza do litoral. Mantém um protocolo de colaboração com a Câmara Municipal da Horta.
A meados da década de 90 (95?) surgiu na Terceira a Gê- Questa que tem denunciado vários atentados ao património natural e desenvolvido algumas acções de educação ambiental.
O núcleo de São Miguel da Quercus surgiu em Abril de 1994, aquando da Presidência Aberta do Dr. Mário Soares nos Açores. Tem elegido como principais temas de intervenção os resíduos e as lagoas.
O movimento SOS – Lagoas surgiu com o objectivo de alertar a opinião pública para o estado de degradação das Lagoas dos Açores, nomeadamente da Lagoa das Furnas, na ilha de São Miguel. As suas acções são esporádicas no tempo (92-94 e 99), curiosamente os pontos mais altos da sua actividade têm coincidido com as visitas dos Presidentes da República aos Açores. Ao contrário das organizações anteriores, este movimento não se encontra legalizado.
A título de curiosidade apresento alguns dados que poderão ajudar a caracterizar quem são os membros das Adas nos Açores.
Assim, no caso da Associação Amigos dos Açores, em termos etários, temos:
Para um total aproximado de 820 associados, 12 % possuem uma idade compreendida entre os 10 e os 20 anos, 20 % possuem uma idade compreendida entre os 20 e os 30 anos, 31% possuem uma idade compreendida entre os 30 e os 40 anos, 26 % possuem uma idade compreendida entre os 40 e os 50 anos e entre os 50 e os 83 anos existem 11% de associados.
Em termos profissionais, 36 % dos associados são professores do 1º, 2º ,3º ciclos e do ensino secundário e educadores de infância, 23% são estudantes dos diversos níveis de ensino, 6% são funcionários públicos, 5% são engenheiros, 4% são empregados de escritório, 4% são bancários, 2% são economistas e 2% são professores universitários.
3- As Associações de Defesa do Ambiente e a participação na vida colectiva
A responsabilidade pela promoção da qualidade do ambiente cabe a todos nós. Neste sentido, a Constituição da República Portuguesa desde 1976 reconhece a todos os cidadãos o direito a um ambiente ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
No campo legislativo, a aprovação pela Assembleia da República da Lei de Bases do Ambiente (Lei nº 11/87 de 7 de Abril) e da Lei das Associações de Defesa do Ambiente (Lei nº 10/87 de 4 de Abril) veio abrir ao associativismo ambiental perspectivas que até então não se vislumbravam. A Lei das Associações de Defesa do Ambiente veio, finalmente, reconhecer o importante papel que cabe às mais diversas organizações independentes de cidadãos, dando-lhes meios para a acção. A lei institucionaliza o direito de participação e intervenção na definição da política do ambiente (art. 4º), o direito de consulta (art. 5º), o direito de acção administrativa (art. 6º), o direito de prevenção e controle (art. 7º), o direito de apoio do Estado, através da Administração central, regional e local (art. 9º), etc…
A 18 de Julho de 1998, com a aprovação da Lei nº35/98 a lei anterior foi aperfeiçoada, tendo, entre outras alterações, sido consagrado o estatuto de dirigente associativo. Assim, aos dirigentes e outros membros das ONGA que forem designados para exercer funções de representação é reconhecido o seguinte:
1- os que forem trabalhadores por conta de outrem têm direito a usufruir de um horário de trabalho flexível, em termos a acordar com a entidade laboral, desde que a respectiva actividade laboral o permita;
2- os períodos de faltas dados por motivo de comparência em reuniões dos órgãos em que os dirigentes exerçam representação ou com membros de órgãos de soberania são considerados justificados, para todos os efeitos legais, até ao máximo acumulado de 10 dias de trabalho por ano e não implicam a perda das remunerações e regalias devidas.
Mas, para poderem desempenhar cabalmente o seu papel é essencial que toda a actividade das associações seja independente, transparente e isenta face às instituições oficiais, partidos políticos, interesses económicos, corporativos e outros. Assim, consideramos que cada associação deveria ser obrigada a tornar público um relatório anual, do qual deveriam constar a composição dos órgãos sociais e respectiva acta de eleição, a descrição das principais actividades da Associação e eventuais serviços prestados a terceiros, respectiva remuneração e justificação, bem como uma lista com a proveniência e montante de todas as fontes de financiamento. No que diz ao financiamento por parte dos diversos organismos do Estado ou da Região, este deveria obedecer a critérios claros, divulgados previamente e atempado.
Terminaria apresentando mais alguns princípios que, no nosso entender, devem nortear as actividades associativas:
- Postura construtiva e dialogante. A dimensão dos problemas e, por vezes, a urgência no tempo exige cooperação, diálogo e coordenação de esforços com outras entidades.
- Dimensão de serviço. A actividade associativa deve ser aberta ao interesse público, cabendo às associações disponibilizar os seus trabalhos a todos os que os solicitem.
- Seriedade. As intervenções deverão ser fundamentadas e deverá ser recusada a demagogia e o “espectáculo pelo espectáculo”.
- Voluntariado. Embora possam ter ao seu serviço profissionais, o pilar da actividade e os cargos de direcção deverão basear-se, apenas, no trabalho voluntário.
(Texto que serviu de base a uma comunicação numa iniciativa do PSD realizada no Hotel de Ponta Delgada, em 25 de Setembro de 1999)
"Ecologia é ter o canto de uma ave na cabeça e os pés na terra"(Jean-Paul Ribes, "La Baleine")
1- A diversidade dos grupos “ecológicos”
O termo ecologia foi usado pela primeira vez, em 1866, pelo biólogo alemão Ernst Haeckel. A ecologia, que só a partir de 1919 deixou de ser um ramo da Biologia, pode ser definida como "a ciência que estuda as relações do homem com o meio ambiente vivo e a natureza que o envolve, a comunicação que se estabelece entre os organismos vivos, desde a mais pequena célula ao mais complexo sistema vivo".
A interacção existente entre sociedade e natureza fez com que, a partir de certo momento, a ecologia se tornasse, pouco a pouco, em actividade de intervenção política e social, em ecologismo - termo criado por Dominique Simonnet, em 1979, para distinguir ciência de actividade político/social.
Em suma, podemos distinguir duas vertentes no conceito de ecologia: a científica e a social. Estas "não podem ser entendidas numa antítese, mas sim como dois aspectos da mesma realidade global. A previsão científica permite orientar a intervenção social, e esta corrigir a primeira".
A intervenção social, por seu turno, pode ser vista segundo três perspectivas: a defensiva, a tecnocrática e a radical.
Os activistas que perfilham a perspectiva defensiva centram a sua preocupação nas diferentes formas de poluição, sendo contrários a todo o desenvolvimento e crescimento económico e social.
Os tecnocratas, por seu turno, defendem o modelo de desenvolvimento urbano e industrial da sociedade actual e actuam terapeuticamente sobre os diversos problemas. Por outras palavras, para eles, a ecologia não é mais do que uma simples técnica.
Por último, para os adeptos da perspectiva radical a ecologia é entendida como “filosofia dum outro modo de vida”. Sem por de parte as concepções anteriores os radicais consideram que a racionalização e a inovação tecnológica são insuficientes, e perfilham uma nova concepção do mundo em que as relações entre os homens, entre os homens e os outros seres vivos e entre os homens e o espaço sejam diferentes das actuais.
Actuando segundo uma ou mais do que uma das perspectivas referidas existem várias correntes de opinião das quais, entre outras, se destacam: o conservacionismo, o ambientalismo, a ecologia profunda, a ecologia política e a ecologia social.
O conservacionismo é a corrente que se preocupa essencialmente com a criação de áreas protegidas e com a protecção de espécies em perigo e é constituída essencialmente por amantes de natureza e da vida selvagem. Os mais conservadores consideram que a propriedade privada da terra e da água será a melhor maneira de as defender da poluição e destruição e a ala mais avançada (esquerda) admite a intervenção do estado para regulamentar os problemas ambientais.
O ambientalismo, cuja actuação se pode confundir com a ala avançada do conservacionismo, para além da conservação da natureza adopta um leque mais vasto de preocupações como os resíduos, a energia, os transportes, etc. Os ambientalistas que se caracterizam pela abordagem de problemas individualizados acreditam em soluções técnicas para os problemas ambientais e apelam constantemente ao estado para a criação de legislação protectora. A sua organização é essencialmente de carácter nacional e profissionalizada.
A ecologia profunda aparece como reacção às correntes anteriores, já que aquelas não questionam a chamada “filosofia dominante” da sociedade industrial. Os adeptos da ecologia profunda entendem que “ o valor da Terra, personificada em Gaia, é- lhe intrínseco, não depende da sua utilidade para os humanos” e consideram que os interesses económicos devem estar subordinados às considerações ecológicas. Esta corrente está mais interessada “ na alteração do estilo de vida, na auto- realização e espiritualidade, do que em mudanças política e sociais”.
O movimento da ecologia política aparece em 1972, na nova Zelândia, com a criação do primeiro partido verde. A ecologia política que se opõe à “ideologia do crescimento ilimitado e à acumulação infindável de bens em que assenta a sociedade de consumo actual” privilegia a actuação a nível local e regional a qual é combinada com a participação eleitoral que é concebida como acção educativa.
A ecologia social defende uma alternativa de administração ao estado centralizado, sendo o município “o lugar natural para modificações sociais, políticas e ambientais e o bairro e a cidade como a base duma nova política democrática”. De acordo com Murray Bookchin, o fundador desta corrente, “em vez de se continuar com um sistema de produção e consumo ostensivo e incontrolado” é “ necessário criar eco-
comunidades e eco- tecnologias para que possamos restabelecer o equilíbrio entre a humanidade e a natureza e inverter o processo de degradação da bioesfera” .
2- Os grupos “ecológicos” nos Açores
Nos Açores, a nível oficial, estão registadas diversas associações de defesa do ambiente. Contudo, algumas delas não desenvolvem qualquer actividade há alguns anos e para outras a defesa do ambiente é objectivo secundário.
A associação mais antiga, a Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros” que foi fundada em 1 de Dezembro de 1963 “tem por fim promover o conhecimento e divulgação de motivos naturais de interesse espeleológico ou paisagístico”, através da prática do campismo e do montanhismo. Os Montanheiros têm desempenhado um papel de relevo no apoio logístico a várias expedições cientificas no âmbito da espeleologia e têm denunciado atentados à natureza, sobretudo na ilha onde estão sediados, a Terceira.
O Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria, tem por objectivo, entre outros, incutir nos jovens o respeito pela Natureza, alertando-os para a necessidade da acção do homem não ser factor de desequilíbrio ecológico. A sua actividade, dirigida aos mais jovens, foi mais intensa nas décadas de 70 e 80. Hoje, apesar da persistência do Sr. Dalberto Teixeira Pombo, a sua actividade é muito reduzida.
A Associação Ecológica “Amigos dos Açores”, criada em Março de 1985, tem por objectivos defender a Natureza, o Ambiente e a Paz, contribuir para a construção de um mundo mais limpo, mais justo e pacífico, privilegiando para isso métodos de trabalho e de intervenção não- violentos. Com cerca de 820 associados, a sua acção, embora centrada na ilha de São Miguel, tem-se estendido a todas as ilhas, quer através dos seus associados quer através da colaboração com as escolas e autarquias. Cientes que só actuando em conjunto é possível exercer influência sobre as decisões tomadas a nível global, os Amigos dos Açores decidiram no início de 1993 aderir à Earthaction Network, organização internacional com mais de 700 associações filiadas em mais de 100 países.
A Azórica, associação de Defesa do Ambiente sediada no Faial foi criada no início da década de 90, tendo promovido nos dias 5 e 6 de Junho de 1993 o 1º Encontro das Associações de Defesa do Ambiente da Região Autónoma dos Açores, edita a revista “Moinho de Vento” e anualmente promove campanhas de limpeza do litoral. Mantém um protocolo de colaboração com a Câmara Municipal da Horta.
A meados da década de 90 (95?) surgiu na Terceira a Gê- Questa que tem denunciado vários atentados ao património natural e desenvolvido algumas acções de educação ambiental.
O núcleo de São Miguel da Quercus surgiu em Abril de 1994, aquando da Presidência Aberta do Dr. Mário Soares nos Açores. Tem elegido como principais temas de intervenção os resíduos e as lagoas.
O movimento SOS – Lagoas surgiu com o objectivo de alertar a opinião pública para o estado de degradação das Lagoas dos Açores, nomeadamente da Lagoa das Furnas, na ilha de São Miguel. As suas acções são esporádicas no tempo (92-94 e 99), curiosamente os pontos mais altos da sua actividade têm coincidido com as visitas dos Presidentes da República aos Açores. Ao contrário das organizações anteriores, este movimento não se encontra legalizado.
A título de curiosidade apresento alguns dados que poderão ajudar a caracterizar quem são os membros das Adas nos Açores.
Assim, no caso da Associação Amigos dos Açores, em termos etários, temos:
Para um total aproximado de 820 associados, 12 % possuem uma idade compreendida entre os 10 e os 20 anos, 20 % possuem uma idade compreendida entre os 20 e os 30 anos, 31% possuem uma idade compreendida entre os 30 e os 40 anos, 26 % possuem uma idade compreendida entre os 40 e os 50 anos e entre os 50 e os 83 anos existem 11% de associados.
Em termos profissionais, 36 % dos associados são professores do 1º, 2º ,3º ciclos e do ensino secundário e educadores de infância, 23% são estudantes dos diversos níveis de ensino, 6% são funcionários públicos, 5% são engenheiros, 4% são empregados de escritório, 4% são bancários, 2% são economistas e 2% são professores universitários.
3- As Associações de Defesa do Ambiente e a participação na vida colectiva
A responsabilidade pela promoção da qualidade do ambiente cabe a todos nós. Neste sentido, a Constituição da República Portuguesa desde 1976 reconhece a todos os cidadãos o direito a um ambiente ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
No campo legislativo, a aprovação pela Assembleia da República da Lei de Bases do Ambiente (Lei nº 11/87 de 7 de Abril) e da Lei das Associações de Defesa do Ambiente (Lei nº 10/87 de 4 de Abril) veio abrir ao associativismo ambiental perspectivas que até então não se vislumbravam. A Lei das Associações de Defesa do Ambiente veio, finalmente, reconhecer o importante papel que cabe às mais diversas organizações independentes de cidadãos, dando-lhes meios para a acção. A lei institucionaliza o direito de participação e intervenção na definição da política do ambiente (art. 4º), o direito de consulta (art. 5º), o direito de acção administrativa (art. 6º), o direito de prevenção e controle (art. 7º), o direito de apoio do Estado, através da Administração central, regional e local (art. 9º), etc…
A 18 de Julho de 1998, com a aprovação da Lei nº35/98 a lei anterior foi aperfeiçoada, tendo, entre outras alterações, sido consagrado o estatuto de dirigente associativo. Assim, aos dirigentes e outros membros das ONGA que forem designados para exercer funções de representação é reconhecido o seguinte:
1- os que forem trabalhadores por conta de outrem têm direito a usufruir de um horário de trabalho flexível, em termos a acordar com a entidade laboral, desde que a respectiva actividade laboral o permita;
2- os períodos de faltas dados por motivo de comparência em reuniões dos órgãos em que os dirigentes exerçam representação ou com membros de órgãos de soberania são considerados justificados, para todos os efeitos legais, até ao máximo acumulado de 10 dias de trabalho por ano e não implicam a perda das remunerações e regalias devidas.
Mas, para poderem desempenhar cabalmente o seu papel é essencial que toda a actividade das associações seja independente, transparente e isenta face às instituições oficiais, partidos políticos, interesses económicos, corporativos e outros. Assim, consideramos que cada associação deveria ser obrigada a tornar público um relatório anual, do qual deveriam constar a composição dos órgãos sociais e respectiva acta de eleição, a descrição das principais actividades da Associação e eventuais serviços prestados a terceiros, respectiva remuneração e justificação, bem como uma lista com a proveniência e montante de todas as fontes de financiamento. No que diz ao financiamento por parte dos diversos organismos do Estado ou da Região, este deveria obedecer a critérios claros, divulgados previamente e atempado.
Terminaria apresentando mais alguns princípios que, no nosso entender, devem nortear as actividades associativas:
- Postura construtiva e dialogante. A dimensão dos problemas e, por vezes, a urgência no tempo exige cooperação, diálogo e coordenação de esforços com outras entidades.
- Dimensão de serviço. A actividade associativa deve ser aberta ao interesse público, cabendo às associações disponibilizar os seus trabalhos a todos os que os solicitem.
- Seriedade. As intervenções deverão ser fundamentadas e deverá ser recusada a demagogia e o “espectáculo pelo espectáculo”.
- Voluntariado. Embora possam ter ao seu serviço profissionais, o pilar da actividade e os cargos de direcção deverão basear-se, apenas, no trabalho voluntário.
(Texto que serviu de base a uma comunicação numa iniciativa do PSD realizada no Hotel de Ponta Delgada, em 25 de Setembro de 1999)
quarta-feira, agosto 08, 2007
ASSOCIATIVISMO E DEFESA DO AMBIENTE- BREVE RESENHA HISTÓRICA (2)
No texto anterior, fizemos referência ao aparecimento do movimento de defesa do ambiente a nível internacional e destacamos o surgimento das primeiras organizações ecologistas e ambientalistas em Portugal. Em seguida, apresentaremos as três primeiras associações, criadas nos Açores, que ainda se mantêm em actividade.
A Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros”, fundada em 1 de Dezembro de 1963 “tem por fim promover o conhecimento e divulgação de motivos naturais de interesse espeleológico ou paisagístico”, através da pratica do campismo e do montanhismo. Os MONTANHEIROS têm desempenhado um papel de relevo no apoio logístico a várias expedições cientificas no âmbito da espeleologia e têm denunciado atentados à natureza, sobretudo na ilha onde a associação está sediada, a Terceira. A sua actividade de exploração e estudo espeleológico estende-se a todas as ilhas do Arquipélago.
O Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria, ligado à LPN, tem por objectivo, entre outros, incutir nos jovens o respeito pela Natureza, alertando-os para a necessidade de a acção do homem não ser factor de desequilíbrio ecológico. Com uma grande actividade na década de setenta do século passado, nos últimos anos, tem estado quase inactivo e o seu boletim “Jovens Naturalistas” já não se publica à alguns anos.
A associação “Amigos dos Açores- Associação Ecológica” foi fundada a 2 de Dezembro de 1987 com a designação de “Amigos da Terra/Açores” e teve origem num núcleo da “Associação Portuguesa de Ecologistas- Amigos da Terra” que começou a sua actividade, na ilha de São Miguel, em Março de 1985. De acordo com os seus estatutos, os “Amigos dos Açores- Associação Ecológica” são uma associação cultural e recreativa, de carácter aconfessional, apartidário e não lucrativo que tem por fim contribuir para a construção de um mundo mais limpo, mais justo e pacífico, privilegiando para isso métodos de trabalho e de intervenção não- violentos.
Cientes que só actuando em conjunto é possível exercer influência sobre as decisões tomadas a nível global, os Amigos dos Açores decidiram no início de 1993 aderir à Earthaction Network, organização internacional com mais de 700 associações filiadas em mais de 100 países.
Com pouco mais de um milhar de associados individuais e alguns colectivos espalhados por várias ilhas dos Açores, em Portugal Continental e nas comunidades de emigrantes, a sua acção, embora centrada na ilha de S. Miguel, tem-se estendido a todas as ilhas, quer através dos seus membros, quer através da colaboração com as escolas de todos os níveis de ensino.
A actividade dos Amigos dos Açores, ao longo dos seus dezasseis anos de existência, tem-se desenvolvido essencialmente em três vertentes: a recreativa, a pedagógica e a de investigação.
No que diz respeito à primeira, a associação promove a realização de passeios pedestres mensais para os seus associados, abertos à comunidade e a visitantes. Como complemento a esta actividade já foram editados 15 roteiros de percursos pedestres, 14 para a ilha de São Miguel, um para a de Santa Maria e está concluído o trabalho de campo relativo a quatro percursos pedestres na ilha do Pico. Estes roteiros, para além de serem um importantes meios pedagógico para os professores que pretendem organizar visitas de descoberta da natureza, são um instrumento indispensável para os turistas que nos procuram para praticar o pedestrianismo.
No que diz respeito à vertente pedagógica, para além de apoiar as escolas quer no acompanhamento de visitas de estudo quer no fornecimento de materiais de apoio para os professores e a solicitação dos alunos, a associação organizou dezenas de acções de sensibilização sobre os mais diversos temas, com destaque para o património natural, a gestão das áreas protegidas, a problemática dos resíduos sólidos, etc. Ainda nesta área, a associação editou várias publicações com destaque para as seguintes: Grutas, Algares e Vulcões- Património Espeleológico da Ilha de São Miguel; Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel; Lagoas e Lagoeiros do Concelho de Ponta Delgada; Paisagens Vulcânicas dos Açores; Borboletas Nocturnas dos Açores; Tenente Coronel José Agostinho- cartas inéditas; Migrações de Aves; Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão (Ponta Delgada); Moinhos da Ribeira Grande; O tritão de crista em São Miguel; o jogo “A minha primeira história Natural dos Açores” e “Parque Natural Regional da Plataforma Costeira das Lajes do Pico”.
No que diz respeito à investigação, os Amigos dos Açores promoveram diversas iniciativas com destaque para o estudo das aves de rapina, o estudo do tritão de crista, o inventário das zonas húmidas de São Miguel e o levantamento fotográfico e topográfico das grutas e algares da ilha de São Miguel.
(Publicado no Açoriano Oriental, 30 de Julho de 2001)
No texto anterior, fizemos referência ao aparecimento do movimento de defesa do ambiente a nível internacional e destacamos o surgimento das primeiras organizações ecologistas e ambientalistas em Portugal. Em seguida, apresentaremos as três primeiras associações, criadas nos Açores, que ainda se mantêm em actividade.
A Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros”, fundada em 1 de Dezembro de 1963 “tem por fim promover o conhecimento e divulgação de motivos naturais de interesse espeleológico ou paisagístico”, através da pratica do campismo e do montanhismo. Os MONTANHEIROS têm desempenhado um papel de relevo no apoio logístico a várias expedições cientificas no âmbito da espeleologia e têm denunciado atentados à natureza, sobretudo na ilha onde a associação está sediada, a Terceira. A sua actividade de exploração e estudo espeleológico estende-se a todas as ilhas do Arquipélago.
O Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria, ligado à LPN, tem por objectivo, entre outros, incutir nos jovens o respeito pela Natureza, alertando-os para a necessidade de a acção do homem não ser factor de desequilíbrio ecológico. Com uma grande actividade na década de setenta do século passado, nos últimos anos, tem estado quase inactivo e o seu boletim “Jovens Naturalistas” já não se publica à alguns anos.
A associação “Amigos dos Açores- Associação Ecológica” foi fundada a 2 de Dezembro de 1987 com a designação de “Amigos da Terra/Açores” e teve origem num núcleo da “Associação Portuguesa de Ecologistas- Amigos da Terra” que começou a sua actividade, na ilha de São Miguel, em Março de 1985. De acordo com os seus estatutos, os “Amigos dos Açores- Associação Ecológica” são uma associação cultural e recreativa, de carácter aconfessional, apartidário e não lucrativo que tem por fim contribuir para a construção de um mundo mais limpo, mais justo e pacífico, privilegiando para isso métodos de trabalho e de intervenção não- violentos.
Cientes que só actuando em conjunto é possível exercer influência sobre as decisões tomadas a nível global, os Amigos dos Açores decidiram no início de 1993 aderir à Earthaction Network, organização internacional com mais de 700 associações filiadas em mais de 100 países.
Com pouco mais de um milhar de associados individuais e alguns colectivos espalhados por várias ilhas dos Açores, em Portugal Continental e nas comunidades de emigrantes, a sua acção, embora centrada na ilha de S. Miguel, tem-se estendido a todas as ilhas, quer através dos seus membros, quer através da colaboração com as escolas de todos os níveis de ensino.
A actividade dos Amigos dos Açores, ao longo dos seus dezasseis anos de existência, tem-se desenvolvido essencialmente em três vertentes: a recreativa, a pedagógica e a de investigação.
No que diz respeito à primeira, a associação promove a realização de passeios pedestres mensais para os seus associados, abertos à comunidade e a visitantes. Como complemento a esta actividade já foram editados 15 roteiros de percursos pedestres, 14 para a ilha de São Miguel, um para a de Santa Maria e está concluído o trabalho de campo relativo a quatro percursos pedestres na ilha do Pico. Estes roteiros, para além de serem um importantes meios pedagógico para os professores que pretendem organizar visitas de descoberta da natureza, são um instrumento indispensável para os turistas que nos procuram para praticar o pedestrianismo.
No que diz respeito à vertente pedagógica, para além de apoiar as escolas quer no acompanhamento de visitas de estudo quer no fornecimento de materiais de apoio para os professores e a solicitação dos alunos, a associação organizou dezenas de acções de sensibilização sobre os mais diversos temas, com destaque para o património natural, a gestão das áreas protegidas, a problemática dos resíduos sólidos, etc. Ainda nesta área, a associação editou várias publicações com destaque para as seguintes: Grutas, Algares e Vulcões- Património Espeleológico da Ilha de São Miguel; Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel; Lagoas e Lagoeiros do Concelho de Ponta Delgada; Paisagens Vulcânicas dos Açores; Borboletas Nocturnas dos Açores; Tenente Coronel José Agostinho- cartas inéditas; Migrações de Aves; Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão (Ponta Delgada); Moinhos da Ribeira Grande; O tritão de crista em São Miguel; o jogo “A minha primeira história Natural dos Açores” e “Parque Natural Regional da Plataforma Costeira das Lajes do Pico”.
No que diz respeito à investigação, os Amigos dos Açores promoveram diversas iniciativas com destaque para o estudo das aves de rapina, o estudo do tritão de crista, o inventário das zonas húmidas de São Miguel e o levantamento fotográfico e topográfico das grutas e algares da ilha de São Miguel.
(Publicado no Açoriano Oriental, 30 de Julho de 2001)
terça-feira, julho 31, 2007
Educação Ambiental e Associativismo
A educação ambiental, que aparece como resposta aos problemas da biosfera, não se limita a fornecer aos indivíduos mais informação e formação, ensina-lhes, também, a utilizar judiciosamente o ambiente. De acordo com as recomendações da Conferência de Tbilisi, realizada na ex-URSS, em Outubro de 1977, o princípio geral da educação ambiental é:
“Fazer compreender às pessoas e às comunidades a natureza complexa resultante dos factores físicos, biológicos, sociais, económicos e culturais do ambiente natural e urbano e dar a estas pessoas ou comunidades a oportunidade de adquirir os conhecimentos, os valores, as atitudes e as aptidões práticas que lhes permitam ajudar de uma maneira responsável e eficaz a prever e resolver os problemas ecológicos e gerir a qualidade do ambiente.”
O modo como tem sido concretizado entre nós, ao longo dos anos, várias actividades de educação ambiental, sem qualquer fio condutor, tão só para marcar a simples presença em comemorações dos mais diversos dias mundiais, deixa muito a desejar. Com efeito, as diversas acções, para além de não contribuírem para “suscitar uma consciência social que possa gerar atitudes capazes de afectar comportamentos” são, muitas vezes, uma fonte de frustração e de desperdício de recursos financeiros.
Para a implementação da educação ambiental é necessário reflectir sobre como integrá-la nos currículos escolares a todos os níveis de ensino, como deverá ser feita a formação dos professores, como e quem a fará na sua vertente não formal, quais os recursos necessários, que metodologias deverão ser usadas, etc. Em suma, mais do que demonstrar alguma boa vontade, é importante, com urgência, elaborar uma Estratégia Regional de Educação Ambiental, tendo por base, entre outras, a Estratégia Internacional de Acção em Matéria de Educação e Formação Ambiental, adoptada pela UNESCO e PNUA por ocasião do Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambiental, realizado em 1987 na cidade de Moscovo.
Outra preocupação que devemos ter, enquanto arquipélago, é a de evitar que nesta área, tal como em muitas outras, seja o peso eleitoral/partidário de determinadas ilhas, ou a simples localização geográfica das Secretarias, a determinar a localização dos Departamentos ou a realização dos eventos. Assim, corremos o risco de que a educação ambiental não chegue á maior parte da população alvo.
As acções de educação ambiental não deverão ser exclusivas das diversas entidades governamentais. As associações de defesa do ambiente poderão desempenhar um papel de relevo nesta matéria, cabendo ao estado apoiá-lo tal com o que está previsto no artigo 9º da Lei nº 10/87, de 4 de Abril.
Dadas as especificidades da nossa região mais do que criar órgãos de consulta, onde eventualmente terão assento organizações que apenas existem formalmente, isto é, sem qualquer vida interna e sem trabalho continuado junto das populações, é prioritária a criação de legislação regional que incentive o associativismo, tornando-o mais forte e representativo. Mas, pior do que ficarmos pela criação de órgãos de cúpula, pela organização ou promoção de encontros onde se fala um pouco de tudo para não se levar nada à prática, é cair na tentação juntar uns rapazes com ambição, de preferência com alguns conhecimentos de uma dada disciplina das chamadas cientificas e com eles fabricar ambientalistas. São capazes de serem úteis nas operações de marketing dos partidos políticos, mas deles a sociedade nada pode esperar.
(Publicado no Açoriano Oriental, 7 de Maio de 1998)
A educação ambiental, que aparece como resposta aos problemas da biosfera, não se limita a fornecer aos indivíduos mais informação e formação, ensina-lhes, também, a utilizar judiciosamente o ambiente. De acordo com as recomendações da Conferência de Tbilisi, realizada na ex-URSS, em Outubro de 1977, o princípio geral da educação ambiental é:
“Fazer compreender às pessoas e às comunidades a natureza complexa resultante dos factores físicos, biológicos, sociais, económicos e culturais do ambiente natural e urbano e dar a estas pessoas ou comunidades a oportunidade de adquirir os conhecimentos, os valores, as atitudes e as aptidões práticas que lhes permitam ajudar de uma maneira responsável e eficaz a prever e resolver os problemas ecológicos e gerir a qualidade do ambiente.”
O modo como tem sido concretizado entre nós, ao longo dos anos, várias actividades de educação ambiental, sem qualquer fio condutor, tão só para marcar a simples presença em comemorações dos mais diversos dias mundiais, deixa muito a desejar. Com efeito, as diversas acções, para além de não contribuírem para “suscitar uma consciência social que possa gerar atitudes capazes de afectar comportamentos” são, muitas vezes, uma fonte de frustração e de desperdício de recursos financeiros.
Para a implementação da educação ambiental é necessário reflectir sobre como integrá-la nos currículos escolares a todos os níveis de ensino, como deverá ser feita a formação dos professores, como e quem a fará na sua vertente não formal, quais os recursos necessários, que metodologias deverão ser usadas, etc. Em suma, mais do que demonstrar alguma boa vontade, é importante, com urgência, elaborar uma Estratégia Regional de Educação Ambiental, tendo por base, entre outras, a Estratégia Internacional de Acção em Matéria de Educação e Formação Ambiental, adoptada pela UNESCO e PNUA por ocasião do Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambiental, realizado em 1987 na cidade de Moscovo.
Outra preocupação que devemos ter, enquanto arquipélago, é a de evitar que nesta área, tal como em muitas outras, seja o peso eleitoral/partidário de determinadas ilhas, ou a simples localização geográfica das Secretarias, a determinar a localização dos Departamentos ou a realização dos eventos. Assim, corremos o risco de que a educação ambiental não chegue á maior parte da população alvo.
As acções de educação ambiental não deverão ser exclusivas das diversas entidades governamentais. As associações de defesa do ambiente poderão desempenhar um papel de relevo nesta matéria, cabendo ao estado apoiá-lo tal com o que está previsto no artigo 9º da Lei nº 10/87, de 4 de Abril.
Dadas as especificidades da nossa região mais do que criar órgãos de consulta, onde eventualmente terão assento organizações que apenas existem formalmente, isto é, sem qualquer vida interna e sem trabalho continuado junto das populações, é prioritária a criação de legislação regional que incentive o associativismo, tornando-o mais forte e representativo. Mas, pior do que ficarmos pela criação de órgãos de cúpula, pela organização ou promoção de encontros onde se fala um pouco de tudo para não se levar nada à prática, é cair na tentação juntar uns rapazes com ambição, de preferência com alguns conhecimentos de uma dada disciplina das chamadas cientificas e com eles fabricar ambientalistas. São capazes de serem úteis nas operações de marketing dos partidos políticos, mas deles a sociedade nada pode esperar.
(Publicado no Açoriano Oriental, 7 de Maio de 1998)
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