Blog onde se pretende registar um pouco da história das lutas e intervenções em defesa do ambiente nos Açores.
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domingo, julho 22, 2018
domingo, dezembro 06, 2015
domingo, outubro 25, 2015
quarta-feira, dezembro 19, 2012
quinta-feira, novembro 06, 2008
Os primórdios da espeleologia organizada em São Miguel
iniciou as suas actividades espeleológicas no primeiro semestre de 1988, tendo visitado as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas, Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene, Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima); Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande).
Participaram nestas actividades iniciais Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.
Participaram nestas actividades iniciais Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.
Os primórdios da espeleologia organizada em São Miguel

Na foto podem ver-se (da esquerda para a direita:João Luís Barreiro, George Hayes, Lúcia Ventura, Humberto Furtado Costa, Virgílio Oliveira, actual presidente da Associação de Jovens Agricultores, e Henrique Resendes).
O início da exploração organizada em São Miguel teve lugar no primeiro semestre de 1988, tendo sido visitadas as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas, Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene, Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima); Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande. Participaram nestas actividades, dos Amigos dos Açores, Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.
Já agora, a título de curiosidade, fica o registo que os primeiros capacetes foram capacetes de construção civil oferecidos pelo Sr. George Hayes.
sábado, agosto 09, 2008
20 de Agosto de 1989- Em Memória de Humberto Furtado Costa

(Na foto, em primeiro plano, o Humberto, em 1988, na Gruta das Escadinhas- Ribeirinha)
No próximo dia 20 de Agosto, fará 19 anos que o Humberto nos deixou, com apenas 38 anos de idade.
Grande adepto do pedestrianismo, o Humberto percorria todos os recantos da ilha a pé, muitas vezes sem qualquer pessoa a o acompanhar.
Uma das suas grandes preocupações era com a decadência da agricultura açoriana,que desde então não tem parado, e com a destruição da floresta.
Nascido a 3 de Novembro de 1950, no ano de 1987 foi eleito membro da Direcção do Núcleo dos Açores dos Amigos da Terra e nos anos de 1988 e 1989,foi presidente do Conselho Fiscal.
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quinta-feira, outubro 18, 2007

PROTESTO CONTRA O ENCERRAMENTO DAS FURNAS DO CABRITO E DA ÁGUA
1 – CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS
Nos últimos dias de Janeiro de 1983 fomos alertados por elementos da Associação Espeleológica “Os Montanheiros” para o facto de a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo pretender encerrar ao público as Furnas do Cabrito e da Água. Imediatamente começamos a movimentar-nos no sentido de procurar e propor uma alternativa que permitisse fazer a captação de águas nas condições de higiene exigidas, de modo a que as referidas Furnas continuassem abertas ao público.
Apresentamos, em seguida, a cronologia dos principais acontecimentos:
01/02/1983 – Alertados por um comunicado do “Luta Ecológica” e por declarações de elementos de “Os Montanheiros”, o jornal “Diário Insular” insere na sua primeira página um artigo intitulado: “Furna do Cabrito: encerrar, porquê?”.
03/02/1983 – O jornal “A União” traz a posição da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
04/02/1983 – Entrevista dada ao Rádio Clube de Angra por José Alberto Lopes e Teófilo Braga, do “Luta Ecológica” e Manuel Aguiar, presidente de “Os Montanheiros”.
05/02/1983 – Realiza-se uma visita de estudo às grutas, a última, convocada através da imprensa pelo “Luta Ecológica” e pelos “Montanheiros”. Participam cerca de oitenta pessoas.
07/02/1983 – O deputado municipal do P.S., Dionísio de Sousa, faz uma intervenção na Assembleia Municipal de Angra, cujo texto integral foi publicado no jornal “A União” em 18/Fev/83. O P.S.D. recusa as propostas apresentadas pelo referido deputado.
08/02/1983 – Sai no jornal “Diário Insular” um artigo de José Alberto Lopes em que o autor apresenta alternativas para a resolução do problema da captação da água.
11/02/1983 – O quinzenário “Directo” solidariza-se com as nossas posições. Na sua última página apresenta o artigo “Cabrito – A Muralha da Vergonha”.
12/02/1983 – Por iniciativa do “Luta Ecológica” foi entregue ao Presidente da Câmara um abaixo-assinado, condenando as posições da Câmara e sugerindo alternativas. Em poucos dias foram recolhidas 500 assinaturas.
21/02/1983 – O quinzenário praiense, “Jornal da Praia”, manifesta-se contrário ao encerramento das referidas grutas, através de um artigo intitulado “Valores e Património”.
03/03/1983 – O quinzenário “Directo” apresenta como tema principal, da sua edificação, o caso do encerramento das grutas. No seu interior, em duas páginas, podemos ler um resumo da intervenção de Dionísio de Sousa na Assembleia Municipal, um artigo de José Alberto Lopes, a posição dos “Montanheiros e do “Luta Ecológica” e um artigo intitulado “Ainda mais terramotos?!” da autoria de um dos visitantes que participou no passeio já referido.
05/03/1983 – A Câmara de Angra, segundo o “Diário Insular”, decide reestudar o caso da Furna do Cabrito.
06/03/1983 – Sai um comunicado do “Luta Ecológica” congratulando-se com a decisão da Câmara, mas discordando com algumas propostas.
18/03/1983 – O “Diário Insular” anuncia que os deputados do P.S.D. pela ilha Terceira irão apresentar uma proposta de Decreto Regional com vista a proteger as grutas e zonas de interesse vulcânico e vegetal da ilha.
29/03/1983 – A Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo aprova, apenas com uma abstenção do P.S.D., um voto de louvor aos “Montanheiros” e à “Luta Ecológica” e recomendação à Câmara Municipal de Angra para que tenha em especial conta e atenção os pareceres e posições das duas associações no que respeita ao património natural do concelho.
Em data que não posso precisar, mas nos primeiros dias de Fevereiro uma delegação do “Luta Ecológica” e dos “Montanheiros” entrevistou-se com o Presidente da Câmara Municipal de Angra e com o engenheiro responsável pelos Serviços Municipalizados.
Teófilo Braga, Terceira, Ano de 1983
sábado, agosto 18, 2007
ESPELEOLOGIA: ESTUDOS E PATRIMÓNIO ESPELEOLÓGICO
Como já tive oportunidade de escrever, nos Açores, apenas duas organizações não governamentais têm, de forma sistemática e contínua, dedicado o seu esforço à descoberta, inventariação, levantamento cartográfico e estudo geológico e /ou biológico das cavidades vulcânicas do arquipélago: a Sociedade de Exploração Espeleológica: Os Montanheiros, sediada na ilha Terceira, e os Amigos dos Açores- Associação Ecológica, com sede em São Miguel.
Como, também já escrevi, no artigo publicado neste jornal, no passado dia 8 de Abril, alguns especialistas nacionais ligados a diversas Instituições Universitárias, com destaque para os Doutores Victor Hugo Forjaz, Luís Arruda e Paulo Borges, deram o seu contributo para um melhor conhecimento da riqueza espeleológica dos Açores. Contudo, seria injusto não referir os nomes de diversos espeleólogos estrangeiros que nos têm visitado e que têm com o seu trabalho enriquecido o conhecimento que temos sobre as cavidades vulcânicas dos Açores.
Não querendo cometer qualquer injustiça, por omissão de algum nome, referia aqui o contributo dos seguintes espeleólogos e de alguns dos trabalhos por eles efectuados: P. Brunet e C. Thomas, franceses que visitaram a ilha do Pico e fizeram o mapa da Furna de Henrique Maciel; W. Halliday, americano que visitou várias ilhas e apresentou a primeira listagem das cavidades vulcânicas dos Açores, com um total de 25, 18 grutas e 7 algares; Montserrat e Romero, espanhóis, que descreveram várias grutas da ilha Terceira; T. Ogawa, japonês que visitou várias ilhas e que publicou um artigo com uma listagem das grutas dos Açores, com um total de 42 grutas inventariadas, e N. Ashmole e P. Oromi, o primeiro de nacionalidade inglesa e o segundo espanhol, que chefiaram uma expedição apoiada pela National Geographic Society, que percorreu várias ilhas dos Açores com o objectivo de proceder a estudos de carácter bioespeleológico.
No que diz respeito à quantidade de cavidades vulcânicas dos Açores, a última listagem publicada, da autoria de Paulo Borges, Manuel Aguiar Silva e Fernando Pereira, pode ser consultada no artigo “Caves and Pits from the Azores With Some Comments on Their Geological Origin, Distribution, and Fauna” publicado em 1992, nos Estados Unidos da América.
De acordo com os referidos autores, nos Açores existem 112 cavidades vulcânicas, distribuídas pelas seguintes ilhas: Corvo (1), Faial (4), Pico (36), Graciosa (17), São Jorge (12), Terceira (26), São Miguel (13), Santa Maria (3).
Atendendo a que na Graciosa, desconhece-se hoje grande parte da localização das grutas inventariadas, podemos dizer com rigor que a ilha onde existe maior quantidade de grutas é a do Pico, com mais de 10 km de extensão já conhecidos, seguindo-se a Terceira, com mais de 7 km e, em terceiro lugar, São Miguel, com cerca de 3 km de extensão já explorados.
Para além das cavidades que já se encontram abertas ao público, como o Algar do Carvão, a Gruta do Natal e a da Água, na Terceira, e a Furna do Enxofre, na ilha Graciosa, as ilhas do Pico e de São Miguel possuem grutas que, à partida, oferecem todas as condições para serem abertas ao público e como tal fazerem parte da oferta turística. Refiro-me, entre outros, ao caso da Gruta das Torres, com mais de 3 km de extensão já reconhecidos, situada na Criação Velha, na ilha do Pico, e à Gruta do Carvão, com cerca de 1500 m já explorados, nos seus três troços conhecidos, o dos ex-Secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense, na Rua de Lisboa, o da Rua do Paim e da Rua João do Rego, em Ponta Delgada.
Sabendo-se que já existe um projecto da Direcção Regional do Ambiente para abertura da Gruta das Torres e que os Amigos dos Açores,em 1994, também apresentaram uma Proposta de Musealização da Gruta do Carvão, seria de todo o interesse para a Região que se dessem passos no sentido de concretizar, com a brevidade possível, ambas as intenções.
(Publicado no Açoriano Oriental, 19 de Agosto de 2002)
Como já tive oportunidade de escrever, nos Açores, apenas duas organizações não governamentais têm, de forma sistemática e contínua, dedicado o seu esforço à descoberta, inventariação, levantamento cartográfico e estudo geológico e /ou biológico das cavidades vulcânicas do arquipélago: a Sociedade de Exploração Espeleológica: Os Montanheiros, sediada na ilha Terceira, e os Amigos dos Açores- Associação Ecológica, com sede em São Miguel.
Como, também já escrevi, no artigo publicado neste jornal, no passado dia 8 de Abril, alguns especialistas nacionais ligados a diversas Instituições Universitárias, com destaque para os Doutores Victor Hugo Forjaz, Luís Arruda e Paulo Borges, deram o seu contributo para um melhor conhecimento da riqueza espeleológica dos Açores. Contudo, seria injusto não referir os nomes de diversos espeleólogos estrangeiros que nos têm visitado e que têm com o seu trabalho enriquecido o conhecimento que temos sobre as cavidades vulcânicas dos Açores.
Não querendo cometer qualquer injustiça, por omissão de algum nome, referia aqui o contributo dos seguintes espeleólogos e de alguns dos trabalhos por eles efectuados: P. Brunet e C. Thomas, franceses que visitaram a ilha do Pico e fizeram o mapa da Furna de Henrique Maciel; W. Halliday, americano que visitou várias ilhas e apresentou a primeira listagem das cavidades vulcânicas dos Açores, com um total de 25, 18 grutas e 7 algares; Montserrat e Romero, espanhóis, que descreveram várias grutas da ilha Terceira; T. Ogawa, japonês que visitou várias ilhas e que publicou um artigo com uma listagem das grutas dos Açores, com um total de 42 grutas inventariadas, e N. Ashmole e P. Oromi, o primeiro de nacionalidade inglesa e o segundo espanhol, que chefiaram uma expedição apoiada pela National Geographic Society, que percorreu várias ilhas dos Açores com o objectivo de proceder a estudos de carácter bioespeleológico.
No que diz respeito à quantidade de cavidades vulcânicas dos Açores, a última listagem publicada, da autoria de Paulo Borges, Manuel Aguiar Silva e Fernando Pereira, pode ser consultada no artigo “Caves and Pits from the Azores With Some Comments on Their Geological Origin, Distribution, and Fauna” publicado em 1992, nos Estados Unidos da América.
De acordo com os referidos autores, nos Açores existem 112 cavidades vulcânicas, distribuídas pelas seguintes ilhas: Corvo (1), Faial (4), Pico (36), Graciosa (17), São Jorge (12), Terceira (26), São Miguel (13), Santa Maria (3).
Atendendo a que na Graciosa, desconhece-se hoje grande parte da localização das grutas inventariadas, podemos dizer com rigor que a ilha onde existe maior quantidade de grutas é a do Pico, com mais de 10 km de extensão já conhecidos, seguindo-se a Terceira, com mais de 7 km e, em terceiro lugar, São Miguel, com cerca de 3 km de extensão já explorados.
Para além das cavidades que já se encontram abertas ao público, como o Algar do Carvão, a Gruta do Natal e a da Água, na Terceira, e a Furna do Enxofre, na ilha Graciosa, as ilhas do Pico e de São Miguel possuem grutas que, à partida, oferecem todas as condições para serem abertas ao público e como tal fazerem parte da oferta turística. Refiro-me, entre outros, ao caso da Gruta das Torres, com mais de 3 km de extensão já reconhecidos, situada na Criação Velha, na ilha do Pico, e à Gruta do Carvão, com cerca de 1500 m já explorados, nos seus três troços conhecidos, o dos ex-Secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense, na Rua de Lisboa, o da Rua do Paim e da Rua João do Rego, em Ponta Delgada.
Sabendo-se que já existe um projecto da Direcção Regional do Ambiente para abertura da Gruta das Torres e que os Amigos dos Açores,em 1994, também apresentaram uma Proposta de Musealização da Gruta do Carvão, seria de todo o interesse para a Região que se dessem passos no sentido de concretizar, com a brevidade possível, ambas as intenções.
(Publicado no Açoriano Oriental, 19 de Agosto de 2002)
PÉROLAS A PORCOS
A GRUTA DO CARVÃO
No próximo mês, com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente, uma delegação dos Amigos dos Açores irá participar no "X th International Symposiumon Volcanospeleology", onde apresentará alguns dos trabalhos desenvolvidos pela Associação, designadamente o IPEA- Inventário do Património Espeleológico dos Açores, a Base de Dados das Cavidades Vulcânicas dos Açores" e “A Gruta do Carvão Como Recurso Educacional”.
Conhecida desde o século XVI, a Gruta do Carvão é o maior tubo lávico da ilha de São Miguel e um dos mais importantes do arquipélago, com cerca de 5 km de extensão, tendo já sido explorados pelos Amigos dos Açores aproximadamente 1650 m. A Gruta do Carvão possui uma altura média na ordem dos 2 a 3 metros, havendo locais onde esta ultrapassa os 5 metros, e a sua largura é muito variável, atingindo valores superiores a 10 metros.
A Gruta do Carvão, sobretudo o troço compreendido entre os antigos Secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense e a Avenida Antero de Quental, tem sido muito visitada por espeleólogos nacionais e internacionais. Por decisão da Direcção dos Amigos dos Açores e do seu Grupo de Trabalho de Espeleologia, deixaram de ser feitas visitas guiadas para turistas enquanto não forem criadas as condições para que tal possa ser realizado com alguma dignidade e apenas se mantêm visitas, com carácter pedagógico- didáctico, destinadas sobretudo a grupos escolares.
O número de alunos dos mais diversos graus de ensino e das mais diversas escolas da ilha, do continente português e das comunidades de emigrantes tem vindo a crescer de tal modo que a associação tem tido dificuldade em satisfazer as solicitações, encontrando-se em estudo uma proposta de regulamento para as visitas de estudo de forma a limitar o seu número. A título de exemplo, refira-se que, no ano de 2001, 177 pessoas participaram nas cinco visitas realizadas e que, apenas no primeiro semestre deste ano, realizaram-se dez visitas, com um total de 334 participantes.
Pela sua localização, dimensões e estruturas vulcânicas que possui a Gruta do Carvão é a que maiores potencialidades turísticas e didácticas apresenta nos Açores.
Da sua riqueza natural, destacamos as estruturas conhecidas como “bolhas de gás” que são sectores da parede da gruta que “rebentaram” sob acção de gases acumulados no seu interior, as inúmeras estalactites, quer primárias (lávicas e em geral de forma cónica e superfície lisa), que resultam da solidificação de pingos de lava, quer secundárias, resultantes de fenómenos de alteração e deposição a partir das águas de escorrência que se infiltraram na gruta. Para além do referido, importa registar a presença de longos troços de balcões (ou bancadas) nas paredes da gruta, testemunho de antigos níveis de lava fluida que percorreram o interior do túnel, bem como a existências de lajes, morfologias do tipo aa, lava encordoada e injecções de lava muito fluida em zonas mais escoriáceas (tipo clinker).
Em 1994, no Primeiro Encontro das Instituições Museológicas dos Açores, realizado no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, foi apresentada por João Paulo Constâcia, João Carlos Nunes e Teófilo Braga uma Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão cujo objectivo passava pela sua classificação jurídica e pela sua abertura ao público assente num programa de intervenção museológica. Deste, faz parte a criação de um espaço expositivo exterior, que, localizado junto a uma entrada da gruta, inicie a visita, constituindo um centro de interpretação da temática vulcanológica e servindo de ponto de partida a diversas acções de dinamização pedagógica, de ocupação dos tempos livres e pólo de atracção turística.
Todo este potencial científico, turístico e educativo continua à espera que as mais diversas entidades, nomeadamente o Governo Regional dos Açores e a Câmara Municipal de Ponta Delgada, intervenham no sentido da sua recuperação e valorização. De promessas estamos fartos...
Bibliografia:
CONSTÂNCIA, J., NUNES, J., BRAGA, T., (1997), Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão, Ilha de São Miguel, Ponta Delgada, Amigos dos Açores.
(Publicado no Açoriano Oriental, 2 de Setembro de 2002)
A GRUTA DO CARVÃO
No próximo mês, com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente, uma delegação dos Amigos dos Açores irá participar no "X th International Symposiumon Volcanospeleology", onde apresentará alguns dos trabalhos desenvolvidos pela Associação, designadamente o IPEA- Inventário do Património Espeleológico dos Açores, a Base de Dados das Cavidades Vulcânicas dos Açores" e “A Gruta do Carvão Como Recurso Educacional”.
Conhecida desde o século XVI, a Gruta do Carvão é o maior tubo lávico da ilha de São Miguel e um dos mais importantes do arquipélago, com cerca de 5 km de extensão, tendo já sido explorados pelos Amigos dos Açores aproximadamente 1650 m. A Gruta do Carvão possui uma altura média na ordem dos 2 a 3 metros, havendo locais onde esta ultrapassa os 5 metros, e a sua largura é muito variável, atingindo valores superiores a 10 metros.
A Gruta do Carvão, sobretudo o troço compreendido entre os antigos Secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense e a Avenida Antero de Quental, tem sido muito visitada por espeleólogos nacionais e internacionais. Por decisão da Direcção dos Amigos dos Açores e do seu Grupo de Trabalho de Espeleologia, deixaram de ser feitas visitas guiadas para turistas enquanto não forem criadas as condições para que tal possa ser realizado com alguma dignidade e apenas se mantêm visitas, com carácter pedagógico- didáctico, destinadas sobretudo a grupos escolares.
O número de alunos dos mais diversos graus de ensino e das mais diversas escolas da ilha, do continente português e das comunidades de emigrantes tem vindo a crescer de tal modo que a associação tem tido dificuldade em satisfazer as solicitações, encontrando-se em estudo uma proposta de regulamento para as visitas de estudo de forma a limitar o seu número. A título de exemplo, refira-se que, no ano de 2001, 177 pessoas participaram nas cinco visitas realizadas e que, apenas no primeiro semestre deste ano, realizaram-se dez visitas, com um total de 334 participantes.
Pela sua localização, dimensões e estruturas vulcânicas que possui a Gruta do Carvão é a que maiores potencialidades turísticas e didácticas apresenta nos Açores.
Da sua riqueza natural, destacamos as estruturas conhecidas como “bolhas de gás” que são sectores da parede da gruta que “rebentaram” sob acção de gases acumulados no seu interior, as inúmeras estalactites, quer primárias (lávicas e em geral de forma cónica e superfície lisa), que resultam da solidificação de pingos de lava, quer secundárias, resultantes de fenómenos de alteração e deposição a partir das águas de escorrência que se infiltraram na gruta. Para além do referido, importa registar a presença de longos troços de balcões (ou bancadas) nas paredes da gruta, testemunho de antigos níveis de lava fluida que percorreram o interior do túnel, bem como a existências de lajes, morfologias do tipo aa, lava encordoada e injecções de lava muito fluida em zonas mais escoriáceas (tipo clinker).
Em 1994, no Primeiro Encontro das Instituições Museológicas dos Açores, realizado no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, foi apresentada por João Paulo Constâcia, João Carlos Nunes e Teófilo Braga uma Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão cujo objectivo passava pela sua classificação jurídica e pela sua abertura ao público assente num programa de intervenção museológica. Deste, faz parte a criação de um espaço expositivo exterior, que, localizado junto a uma entrada da gruta, inicie a visita, constituindo um centro de interpretação da temática vulcanológica e servindo de ponto de partida a diversas acções de dinamização pedagógica, de ocupação dos tempos livres e pólo de atracção turística.
Todo este potencial científico, turístico e educativo continua à espera que as mais diversas entidades, nomeadamente o Governo Regional dos Açores e a Câmara Municipal de Ponta Delgada, intervenham no sentido da sua recuperação e valorização. De promessas estamos fartos...
Bibliografia:
CONSTÂNCIA, J., NUNES, J., BRAGA, T., (1997), Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão, Ilha de São Miguel, Ponta Delgada, Amigos dos Açores.
(Publicado no Açoriano Oriental, 2 de Setembro de 2002)
segunda-feira, julho 23, 2007
Em Defesa do Património Espeleológico (2)
O Algar da Rua do Paim
Com mais de 200 metros, o alagar da Rua do Paim desenvolve-se na direcção Norte-Sul, aproximadamente e é, segundo cremos, a continuação do da rua de Lisboa. Actualmente, possui duas entradas: a de mais fácil acesso num terreno situado na rua já referida, propriedade do senhor Belchior, e outra, a Norte, no quintal da Sra. Margarida Machado.
Das grutas e algares já visitados, este é o Algar que se encontra em melhor estado e possui maiores dimensões, possuindo nas partes mais baixas estalactites bastante pequenas, mas muito belas.A feitura de diapositivos de vários aspectos deste Algar poderia constituir um bom auxiliar ás aulas de Ciências da Natureza e Geologia das nossas Escolas Preparatórias e Secundárias.
Com o acesso ao público bastante condicionado, o que na nossa opinião deverá continuar, os principais problemas com que se debate este Algar são a deposição de lixos nas duas bocas e o entulhamento da entrada na rua do Paim, devido ao esgoto de águas e à deposição de restos das colheitas.
Pelo conhecimento que temos dos proprietários dos terrenos onde se situam as entradas, pensamos que dada a sua sensibilização para com a urgência em se defender o nosso património natural este Algar não correrá perigo de maior.
Como medidas conducentes à sua manutenção, pelo menos no estado actual, sugerimos a retirada do esgoto e a concessão de um pequeno apoio subsidiário para a conservação e limpeza da entrada principal.
No dizer do Dr. Pedro Oromi, do Departamento de Biologia Animal da Universidade de La Laguna, Canárias, «as ilhas dos Açores constituem uma região vulcanoespeleológico de primeira ordem, comparável a qualquer outra do mundo tanto pela riqueza das suas grutas como pela perculariedade de muitas delas».
Achamos que não devemos deixar que esta riqueza se perca entulhada em lixos, a servir de fossa ou soterrada. Na Assembleia Regional dos Açores poderia ser apresentada e aprovada uma proposta de Decreto Regional com vista a proteger as grutas, e algares e outras zonas de interesse vulcânico das nossas ilhas. Quem dá o primeiro passo nesse sentido?
Teófilo J. S. Braga (membro dos Amigos da Terra/Açores)
(Publicado no Correio dos Açores, em 24 de Março de 1988)
O Algar da Rua do Paim
Com mais de 200 metros, o alagar da Rua do Paim desenvolve-se na direcção Norte-Sul, aproximadamente e é, segundo cremos, a continuação do da rua de Lisboa. Actualmente, possui duas entradas: a de mais fácil acesso num terreno situado na rua já referida, propriedade do senhor Belchior, e outra, a Norte, no quintal da Sra. Margarida Machado.
Das grutas e algares já visitados, este é o Algar que se encontra em melhor estado e possui maiores dimensões, possuindo nas partes mais baixas estalactites bastante pequenas, mas muito belas.A feitura de diapositivos de vários aspectos deste Algar poderia constituir um bom auxiliar ás aulas de Ciências da Natureza e Geologia das nossas Escolas Preparatórias e Secundárias.
Com o acesso ao público bastante condicionado, o que na nossa opinião deverá continuar, os principais problemas com que se debate este Algar são a deposição de lixos nas duas bocas e o entulhamento da entrada na rua do Paim, devido ao esgoto de águas e à deposição de restos das colheitas.
Pelo conhecimento que temos dos proprietários dos terrenos onde se situam as entradas, pensamos que dada a sua sensibilização para com a urgência em se defender o nosso património natural este Algar não correrá perigo de maior.
Como medidas conducentes à sua manutenção, pelo menos no estado actual, sugerimos a retirada do esgoto e a concessão de um pequeno apoio subsidiário para a conservação e limpeza da entrada principal.
No dizer do Dr. Pedro Oromi, do Departamento de Biologia Animal da Universidade de La Laguna, Canárias, «as ilhas dos Açores constituem uma região vulcanoespeleológico de primeira ordem, comparável a qualquer outra do mundo tanto pela riqueza das suas grutas como pela perculariedade de muitas delas».
Achamos que não devemos deixar que esta riqueza se perca entulhada em lixos, a servir de fossa ou soterrada. Na Assembleia Regional dos Açores poderia ser apresentada e aprovada uma proposta de Decreto Regional com vista a proteger as grutas, e algares e outras zonas de interesse vulcânico das nossas ilhas. Quem dá o primeiro passo nesse sentido?
Teófilo J. S. Braga (membro dos Amigos da Terra/Açores)
(Publicado no Correio dos Açores, em 24 de Março de 1988)
sexta-feira, julho 13, 2007
A PROPÓSITO DE UMA RECENTE EXPEDIÇÃO ESPELEOLÓGICA AOS AÇORES
De 17 de Julho a 22 de Agosto, esteve, entre nós, uma equipa de 5 cientistas da Universidade de La Laguna, Canárias, e da Universidade de Edimbourg, Escócia, com o objectivo de estudar a flora e a fauna das grutas naturais e das correntes de lava. A equipa foi acompanhada, nas suas visitas, por um docente do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e por membros dos Amigos dos Açores (ex. Amigos da Terra/Açores).
Em S.Miguel, foi visitada a gruta de Água de Pau, a do Pico da Cruz, na freguesia do Pico da Pedra, a da Batalha, no local com o mesmo nome, as duas do Pico do Enforcado, nas Capelas, a gruta de Rabo de Peixe, a gruta do Esqueleto e dois algares no Pico Queimado, na Ribeira Grande, e a parte Norte do Algar da rua de Lisboa (Carvão).
Dos tubos vulcânicos visitados, encontram-se em mau estado de conservação o da Batalha, devido ao lançamento de animais pelos lavradores e o da rua de Lisboa que continua a receber águas de um esgoto feito pela Câmara Municipal de Ponta Delgada e a servir de lixeira a uma moradora que tem no seu quintal uma abertura para aquele tubo e que quanto a nós devia ser selada quanto antes. Esta gruta é das que melhores condições apresenta para um futuro e desejável aproveitamento turístico, pelo que a Direcção Regional de Turismo deveria quanto antes agir e tomar medidas para que o entulhamento da sua abertura não prossiga e para acabar com o vazamento de lixos. Trata-se, segundo a opinião de membros da equipa que nos visitou, de uma gruta bastante bonita e de grande interesse sob o ponto de vista geológico. A gruta do Esqueleto, apesar de limpa, apresenta grandes desabamentos do tecto e corre alguns riscos devido aos arroteamentos que estão a ocorrer nas suas imediações.
Foram bons os resultados científicos alcançados. As conclusões dos estudos e recolhas efectuadas serão publicados oportunamente mas, podemos adiantar já que foi descoberta uma espécie nova para a ciência, na gruta de Água de Pau.
Durante a expedição, bastante frutuosa para nós, foram-nos ministrados alguns conhecimentos de espeleologia, nomeadamente técnicas de subida e descida na vertical com o apoio de equipamento próprio e explicado como fazer mapas e topografia de grutas, utilizando a bússola e o clinómetro.
Na mesma altura, foram visitados pela primeira vez dois algares no Pico Queimado, um deles, com cerca de 20 m de altura, terá sido visitado pela primeira vez a 4 de Agosto de 1989 e o primeiro ser humano que o percorreu foi, não temos duvida, o Dr. Pedro Oromi.
As grutas vulcânicas, resultantes de “rios” de lava que, arrefecem mais depressa à superfície e no contacto com as paredes e o leito onde correram que no interior, tornaram-se ocas quando se deram naturais escoamentos (G. Santos, 1970), são um dos habitas mais ameaçados nos Açores pelo que urge tomar medidas para a sua salvaguarda. Para que não tenham o mesmo fim que o célebre «Caldeirão», na estrada da Ribeira Grande, apesar dos apelos que se fizeram para o seu aproveitamento turístico.
Pela importância científica, as grutas naturais dos Açores merecem que se crie legislação que as proteja. À Direcção Regional do Ambiente caberá tomar iniciativa, contará com todo o nosso apoio, nosso trabalho de pesquisa, ex.. Nós prosseguiremos com o nosso trabalho de pesquisa, exploração e inventariação, muito em breve, após a aquisição do equipamento indispensável, iniciaremos a leitura de mapas e topografia das grutas já conhecidas tendo como objectivo imediato a edição de um Inventario das Grutas Naturais de S. Miguel.
(Publicado no “Correio dos Açores”, 7 de Setembro de 1989)
quinta-feira, julho 12, 2007
Grutas- Um Património Natural que Urge Defender
No passado dia 30 de Janeiro, graças à amabilidade do sr. Belchior, tivemos a oportunidade de visitar uma das poucas grutas naturais existentes em São Miguel, que ainda não foram soterradas.
Hoje, completamente desprezadas e maltratadas, as grutas naturais foram no século passado alvo da visita de estrangeiros ilustres e acarinhadas por quem cá vivia. Walter Frederic Walker, membro da Royal Geographical Society, da Society of Biblical Archeology e de outras instituições de carácter cientifico, no seu livro «The Azores or Western Islands», publicado em 1886, faz uma descrição minuciosa da gruta existente num campo da Rua Formosa hoje secadores da Fabrica de Tabaco Micaelense, na Rua de Lisboa - e dá-nos uma explicação acerca da formação das grutas em regiões vulcânicas: «A teoria, segundo Sir. Charles Lyel, é que foram produzidas pelo endurecimento da lava durante o escape de grandes volumes de fluidos elásticos que são frequentemente expelidos, durante muitos dias seguidos depois da crise da erupção terminar».
Robin Bryans no seu livro «The Azores», publicado no início da década de 60, também se refere ao Algar da Rua de Lisboa e mais recentemente o dr. Willian Halliday, membro da Western Speleological Survey, dos Estados Unidos da América, que o visitou em 1980, refere-se àquela gruta nos seguintes termos: para além da parte baixa, a gruta torna-se mais ampla e tem características que mostram a forma como a lava correu através dela… com, apenas, um pouco de trabalho seria possível reabrir e ampliar uma das duas entradas (agora fechadas) para que os visitantes e estudantes compreendessem como a vossa bela ilha se formou… Na minha estimativa o comprimento da gruta é de cerca de 400 metros até à obstrução final».
Soterradas, a servir de esgoto ou de lixeira, as grutas além de constituírem um nó importante de explicação cientifica do nosso meio natural são parte integrante de património paisagístico (neste caso subterrâneo) e como tal deveriam merecer todo o respeito por parte de todos nós, em particular pelas entidades responsáveis, no caso presente a Câmara Municipal de Ponta Delgada e a Delegação de Turismo, devendo, depois de efectuados pequenos trabalhos de limpeza, serem integradas no roteiro turístico.
A inventariação, defesa e divulgação espeleológico existente em S. Miguel é uma das actividades que um grupo de associados dos Amigos da Terra/Açores pretende levar a cabo este ano. Para a concretização daquele seu objectivo precisam da colaboração das mais diversas entidades públicas e privadas e já pediram o apoio a espeleólogos estrangeiros e à Associação de Exploração Espeleológica «Os Montanheiros», da ilha da Terceira.
Apelamos a todas as pessoas que tenham conhecimento da existência de grutas naturais e a todos os interessados na sua exploração o favor de entraram em contacto connosco.
Teófilo de Braga, com a colaboração de George Hayes (membros dos Amigos da Terra/Açores)
(Publicado no “Diário dos Açores”, 2 de Fevereiro de 1988)
No passado dia 30 de Janeiro, graças à amabilidade do sr. Belchior, tivemos a oportunidade de visitar uma das poucas grutas naturais existentes em São Miguel, que ainda não foram soterradas.
Hoje, completamente desprezadas e maltratadas, as grutas naturais foram no século passado alvo da visita de estrangeiros ilustres e acarinhadas por quem cá vivia. Walter Frederic Walker, membro da Royal Geographical Society, da Society of Biblical Archeology e de outras instituições de carácter cientifico, no seu livro «The Azores or Western Islands», publicado em 1886, faz uma descrição minuciosa da gruta existente num campo da Rua Formosa hoje secadores da Fabrica de Tabaco Micaelense, na Rua de Lisboa - e dá-nos uma explicação acerca da formação das grutas em regiões vulcânicas: «A teoria, segundo Sir. Charles Lyel, é que foram produzidas pelo endurecimento da lava durante o escape de grandes volumes de fluidos elásticos que são frequentemente expelidos, durante muitos dias seguidos depois da crise da erupção terminar».
Robin Bryans no seu livro «The Azores», publicado no início da década de 60, também se refere ao Algar da Rua de Lisboa e mais recentemente o dr. Willian Halliday, membro da Western Speleological Survey, dos Estados Unidos da América, que o visitou em 1980, refere-se àquela gruta nos seguintes termos: para além da parte baixa, a gruta torna-se mais ampla e tem características que mostram a forma como a lava correu através dela… com, apenas, um pouco de trabalho seria possível reabrir e ampliar uma das duas entradas (agora fechadas) para que os visitantes e estudantes compreendessem como a vossa bela ilha se formou… Na minha estimativa o comprimento da gruta é de cerca de 400 metros até à obstrução final».
Soterradas, a servir de esgoto ou de lixeira, as grutas além de constituírem um nó importante de explicação cientifica do nosso meio natural são parte integrante de património paisagístico (neste caso subterrâneo) e como tal deveriam merecer todo o respeito por parte de todos nós, em particular pelas entidades responsáveis, no caso presente a Câmara Municipal de Ponta Delgada e a Delegação de Turismo, devendo, depois de efectuados pequenos trabalhos de limpeza, serem integradas no roteiro turístico.
A inventariação, defesa e divulgação espeleológico existente em S. Miguel é uma das actividades que um grupo de associados dos Amigos da Terra/Açores pretende levar a cabo este ano. Para a concretização daquele seu objectivo precisam da colaboração das mais diversas entidades públicas e privadas e já pediram o apoio a espeleólogos estrangeiros e à Associação de Exploração Espeleológica «Os Montanheiros», da ilha da Terceira.
Apelamos a todas as pessoas que tenham conhecimento da existência de grutas naturais e a todos os interessados na sua exploração o favor de entraram em contacto connosco.
Teófilo de Braga, com a colaboração de George Hayes (membros dos Amigos da Terra/Açores)
(Publicado no “Diário dos Açores”, 2 de Fevereiro de 1988)
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Património Espeleológico dos Açores – Riqueza ainda por explorar
As grutas naturais são, na sua maioria, abertas em formações calcárias geralmente escavadas pela água. Nos Açores, elas são formadas por correntes de lava. Ao escorrer, a zona superficial de lava arrefece e endurece antes da lava subjacente. Quando o jorro de lava cessa pode deixar como que uma casca, formando-se então num túnel.
No arquipélago dos açores, região particularmente rica em cavidades vulcânicas foram os «MONTANHEIROS», de Angra do Heroísmo, os pioneiros da exploração de grutas e algares, sobre tudo na ilha Terceira, onde possuem localizadas e exploradas 34, no Pico e em S. Jorge. Em S. Miguel, apesar de vários entusiastas individualmente ou em grupo se terem dedicado à espeleologia, só o ano passado foi iniciada, pelos AMIGOS DOS AÇORES, uma pesquisa e exploração organizadas tendo por objectivo a inventariação do património espeleológico da ilha com vista a abrir caminho a um posterior estudo cientifico e a um desejável aproveitamento turístico.
Já Gaspar Frutuoso, ao descrever o litoral de Ponta Delgada, nas “Saudades da Terra”, nos dá notícias de túneis vulcânicos a poente da referida cidade: «além, a pouco espaço da fortaleza para oeste esta uma ponta que se chama a ponta dos algares, porque saiam ali dois com suas bocas, por dentro dos quais se caminha grande caminho por baixo da terra, por cujo vão parecer que correu na Ribeira de Pedra de Biscoito, em outro tempo, não sabido nem visto».
Desde os tempos mais remotos as grutas naturais foram percorridas e acarinhadas pelos habitantes destas ilhas e alvo da visita de estrangeiros ilustres. Walter Frederic Walker no seu livro «The Azores or Western Island», publicado em 1886 faz uma descrição minuciosa da gruta existente num campo da rua Formosa – hoje, secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense, na rua de Lisboa. Tal como Fouquê, que descreve um conduto ovalar na ilha Terceira e Hartung que descreveu a Furna da Graciosa e outros algares dos Açores, John Webster, genro de primeiro cônsul americano. Thomas Hickling dedica um capítulo do seu livro ao relato de uma excursão a uma caverna situada a «cerca de 3 a 4 milhas a noroeste de Ponta Delgada».
M. Emygdo da Silva, jornalista continental, no seu trabalho «S. Miguel em 1893», considera o Algar da Rua Formosa o mais notável dos túneis vulcânicos dos Açores embora o de Angra seja também interessante pela sua secção, que chega a atingir uma altura de 5 a 6 metros e a largura de 10. É ainda deste ilustre autor que visitou o referido túnel na companhia de Afonso Chaves, o seguinte relato: «A abobada do túnel, da qual pendiam grossos e negros estalactites, as paredes laterais que se diriam guarnecidas de lambris muito moldados, e que marcam o tempo das paragens que a lava teve no seu movimento progressivo, as bocas das pequenas galerias que comunicam com esta…; aqui e alem um pequeno desabamento indicando que a exploração não é isenta de perigo; o solo irregular é de uma dureza vítrea, como a do átrio do Cavalo, no Vesúvio, tudo isto banhado pelo deslumbrante do magnésio, constitui um dos espectáculos mais empolgantes e mais grandiosos que o Dante certamente não rejeitaria para fazer passar alguma cena do inferno».
A título de curiosidade interessa registar que André Thevé, historiógrafo e cosmógrafo do Rei Henrique III, que teria visitado este arquipélago depois de 1550, fala na sua «Cosmographie Universelle», editada em 1575, numa gruta «para a parte do setentrião» onde encontraram «dois monumentos de pedra, cada um dos quais não tinha menos comprimento de doze pés e meio, e de largo quatro e meio». Pura fantasia que ainda em 1962 o escritor Robin Byrans quando esteve nos Açores estava convencido da sua existência bem como dos monumentos atribuídos aos judeus.
Até há tempo soterradas, a servir de esgoto ou lixeira, as grutas naturais além de constituírem um nó importante de explicação científica do nosso meio natural são parte integrante do património paisagístico (neste caso subterrâneo) e como tal deveriam merecer todo o respeito por parte de todos nós, em particular das entidades responsáveis pelo turismo e ambiente dos Açores, devendo, depois de efectuados pequenos trabalhos de limpeza, ser integradas nos roteiros turísticos.
O bom acolhimento dado, pelos vários organismos oficiais, às preocupações e sugestões dos AMIGOS DOS AÇORES para defesa e salvaguarda do património espeleológico leva-nos a concluir que finalmente aquela singular riqueza vai ter um tratamento tão digno como o que merece.
Embora sejamos de opinião que as grutas naturais devam ser protegidas não somos contra a sua abertura ao público. Defendemos que deveriam ser aproveitadas turisticamente 2 ou 3 grutas por ilha, sendo a sua abertura feita em moldes diferentes do tradicional. Haveria um grupo de guias que acompanhariam os visitantes como se tratasse de uma expedição espeleológica. As restantes destinar-se-iam exclusivamente a expedições científicas.
A riqueza espeleológica dos Açores merece ser estudada cientificamente por equipas construídas por especialistas dos mais diversos ramos das ciências naturais. No seu trabalho apresentado nas Primeiras Jornadas Atlânticas de Protecção do Meio Ambiente, o Dr. Pedro Omori, um dos membros de expedição cientifica da Universidade da La Laguna que se deslocou aos Açores no passado mês de Julho para estudar a fauna cavernícola, escrevia: «Era bom que os próprios açorianos fossem quem o fizesse, pelo que sugerimos aos organismos administrativos e à Universidade dos Açores a possibilidade de abrir um ramo de investigação naquele sentido. Se não se promove quanto antes virão fazê-lo outros e os açorianos perderão a oportunidade de enriquecer por si próprios o conhecimento do seu património».
Já em 1862 o grande naturalista Barbosa du Bocage afirmava: «é tempo de estudarmos por nossas cabeças o que é nosso…».
(Publicado no “Correio dos Açores”, 9 de Agosto de 1990)
As grutas naturais são, na sua maioria, abertas em formações calcárias geralmente escavadas pela água. Nos Açores, elas são formadas por correntes de lava. Ao escorrer, a zona superficial de lava arrefece e endurece antes da lava subjacente. Quando o jorro de lava cessa pode deixar como que uma casca, formando-se então num túnel.
No arquipélago dos açores, região particularmente rica em cavidades vulcânicas foram os «MONTANHEIROS», de Angra do Heroísmo, os pioneiros da exploração de grutas e algares, sobre tudo na ilha Terceira, onde possuem localizadas e exploradas 34, no Pico e em S. Jorge. Em S. Miguel, apesar de vários entusiastas individualmente ou em grupo se terem dedicado à espeleologia, só o ano passado foi iniciada, pelos AMIGOS DOS AÇORES, uma pesquisa e exploração organizadas tendo por objectivo a inventariação do património espeleológico da ilha com vista a abrir caminho a um posterior estudo cientifico e a um desejável aproveitamento turístico.
Já Gaspar Frutuoso, ao descrever o litoral de Ponta Delgada, nas “Saudades da Terra”, nos dá notícias de túneis vulcânicos a poente da referida cidade: «além, a pouco espaço da fortaleza para oeste esta uma ponta que se chama a ponta dos algares, porque saiam ali dois com suas bocas, por dentro dos quais se caminha grande caminho por baixo da terra, por cujo vão parecer que correu na Ribeira de Pedra de Biscoito, em outro tempo, não sabido nem visto».
Desde os tempos mais remotos as grutas naturais foram percorridas e acarinhadas pelos habitantes destas ilhas e alvo da visita de estrangeiros ilustres. Walter Frederic Walker no seu livro «The Azores or Western Island», publicado em 1886 faz uma descrição minuciosa da gruta existente num campo da rua Formosa – hoje, secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense, na rua de Lisboa. Tal como Fouquê, que descreve um conduto ovalar na ilha Terceira e Hartung que descreveu a Furna da Graciosa e outros algares dos Açores, John Webster, genro de primeiro cônsul americano. Thomas Hickling dedica um capítulo do seu livro ao relato de uma excursão a uma caverna situada a «cerca de 3 a 4 milhas a noroeste de Ponta Delgada».
M. Emygdo da Silva, jornalista continental, no seu trabalho «S. Miguel em 1893», considera o Algar da Rua Formosa o mais notável dos túneis vulcânicos dos Açores embora o de Angra seja também interessante pela sua secção, que chega a atingir uma altura de 5 a 6 metros e a largura de 10. É ainda deste ilustre autor que visitou o referido túnel na companhia de Afonso Chaves, o seguinte relato: «A abobada do túnel, da qual pendiam grossos e negros estalactites, as paredes laterais que se diriam guarnecidas de lambris muito moldados, e que marcam o tempo das paragens que a lava teve no seu movimento progressivo, as bocas das pequenas galerias que comunicam com esta…; aqui e alem um pequeno desabamento indicando que a exploração não é isenta de perigo; o solo irregular é de uma dureza vítrea, como a do átrio do Cavalo, no Vesúvio, tudo isto banhado pelo deslumbrante do magnésio, constitui um dos espectáculos mais empolgantes e mais grandiosos que o Dante certamente não rejeitaria para fazer passar alguma cena do inferno».
A título de curiosidade interessa registar que André Thevé, historiógrafo e cosmógrafo do Rei Henrique III, que teria visitado este arquipélago depois de 1550, fala na sua «Cosmographie Universelle», editada em 1575, numa gruta «para a parte do setentrião» onde encontraram «dois monumentos de pedra, cada um dos quais não tinha menos comprimento de doze pés e meio, e de largo quatro e meio». Pura fantasia que ainda em 1962 o escritor Robin Byrans quando esteve nos Açores estava convencido da sua existência bem como dos monumentos atribuídos aos judeus.
Até há tempo soterradas, a servir de esgoto ou lixeira, as grutas naturais além de constituírem um nó importante de explicação científica do nosso meio natural são parte integrante do património paisagístico (neste caso subterrâneo) e como tal deveriam merecer todo o respeito por parte de todos nós, em particular das entidades responsáveis pelo turismo e ambiente dos Açores, devendo, depois de efectuados pequenos trabalhos de limpeza, ser integradas nos roteiros turísticos.
O bom acolhimento dado, pelos vários organismos oficiais, às preocupações e sugestões dos AMIGOS DOS AÇORES para defesa e salvaguarda do património espeleológico leva-nos a concluir que finalmente aquela singular riqueza vai ter um tratamento tão digno como o que merece.
Embora sejamos de opinião que as grutas naturais devam ser protegidas não somos contra a sua abertura ao público. Defendemos que deveriam ser aproveitadas turisticamente 2 ou 3 grutas por ilha, sendo a sua abertura feita em moldes diferentes do tradicional. Haveria um grupo de guias que acompanhariam os visitantes como se tratasse de uma expedição espeleológica. As restantes destinar-se-iam exclusivamente a expedições científicas.
A riqueza espeleológica dos Açores merece ser estudada cientificamente por equipas construídas por especialistas dos mais diversos ramos das ciências naturais. No seu trabalho apresentado nas Primeiras Jornadas Atlânticas de Protecção do Meio Ambiente, o Dr. Pedro Omori, um dos membros de expedição cientifica da Universidade da La Laguna que se deslocou aos Açores no passado mês de Julho para estudar a fauna cavernícola, escrevia: «Era bom que os próprios açorianos fossem quem o fizesse, pelo que sugerimos aos organismos administrativos e à Universidade dos Açores a possibilidade de abrir um ramo de investigação naquele sentido. Se não se promove quanto antes virão fazê-lo outros e os açorianos perderão a oportunidade de enriquecer por si próprios o conhecimento do seu património».
Já em 1862 o grande naturalista Barbosa du Bocage afirmava: «é tempo de estudarmos por nossas cabeças o que é nosso…».
(Publicado no “Correio dos Açores”, 9 de Agosto de 1990)
EM DEFESA DO PATRIMÓNIO ESPELEOLÓGICO (3)
A Gruta de Webster, realidade ou ficção?
As ilhas dos Açores, praticamente desde o seu povoamento, têm sido alvo da visita de um avultado número de escritores e cientistas.
John White Webster, genro do primeiro cônsul americano, Thomas Hickling, «o revelador do vale das furnas às modernas gerações micaelenses, pois encantado com as belezas naturais do mesmo, ali mesmo fez construir o seu YANKEE HALL», rodeado de um magnifico jardim, foi autor de um dos mais valiosos livros sobre a ilha de São Miguel, «Description of the Island of St. Michael” editado em Boston em 1821. A sua tradução, da autoria do Dr. César Rodrigues, está ao dispor de todos os interessados no «Arquivo dos Açores, volume XIII».
Tal como Fouquê e Hartung, que em trabalhos de sua autoria fazem a descrição de vários tubos basálticos, alguns dos quais chegavam a atingir quilómetros de extensão, John Webster dedica um capitulo do seu livro ao relato de uma excursão a uma caverna situada a «cerca de três a quatro milhas a noroeste de Ponta Delgada».
Através do relato de Webster ficamos coma sensação que esta gruta era de enormes dimensões: «O precipício não tinha provavelmente d’altura menos de trinta pés; e como os archotes, com que nos tinham provido, apenas iluminassem fracamente a caverna, mandámos acender uma fogueira ao nosso guia. Pelo som das nossas vozes pareceu-nos que este lograr devia ser d’uma grande extensão, não nos sendo possível ver o tecto mesmo com o auxílio da luz a mais forte que podemos obter».
Algumas pessoas por nós contactadas duvidam da existência desta gruta. O Dr. William Halliday, num trabalho a que tivemos acesso, fala-nos de uma gruta nos Arrifes cuja entrada ficava próxima do quartel militar situado a norte daquela freguesia.
A descrição feita por um jovem empregado do sector dos lacticínios, que lhe mostrou alguns diapositivos, levou o Dr. William Halliday a levantar a hipótese de ser a gruta visitada por Webster.
Até ao presente não nos foi possível contactar com o interlocutor do Dr. Halliday, desconhecendo-se, portanto, o local exacto da sua entrada e se está em condições de ser visitada.
A título de curiosidade refira-se que a espeleologia, actividade que no nosso pais ainda não suscitou os apoios que merece, em vários países tem servido de suporte a um grande numero de experiências de índole cientifica, sendo em França tão praticada como o basquetebol.
(Publicado no “Correio dos Açores” em 14/4/1988)
A Gruta de Webster, realidade ou ficção?
As ilhas dos Açores, praticamente desde o seu povoamento, têm sido alvo da visita de um avultado número de escritores e cientistas.
John White Webster, genro do primeiro cônsul americano, Thomas Hickling, «o revelador do vale das furnas às modernas gerações micaelenses, pois encantado com as belezas naturais do mesmo, ali mesmo fez construir o seu YANKEE HALL», rodeado de um magnifico jardim, foi autor de um dos mais valiosos livros sobre a ilha de São Miguel, «Description of the Island of St. Michael” editado em Boston em 1821. A sua tradução, da autoria do Dr. César Rodrigues, está ao dispor de todos os interessados no «Arquivo dos Açores, volume XIII».
Tal como Fouquê e Hartung, que em trabalhos de sua autoria fazem a descrição de vários tubos basálticos, alguns dos quais chegavam a atingir quilómetros de extensão, John Webster dedica um capitulo do seu livro ao relato de uma excursão a uma caverna situada a «cerca de três a quatro milhas a noroeste de Ponta Delgada».
Através do relato de Webster ficamos coma sensação que esta gruta era de enormes dimensões: «O precipício não tinha provavelmente d’altura menos de trinta pés; e como os archotes, com que nos tinham provido, apenas iluminassem fracamente a caverna, mandámos acender uma fogueira ao nosso guia. Pelo som das nossas vozes pareceu-nos que este lograr devia ser d’uma grande extensão, não nos sendo possível ver o tecto mesmo com o auxílio da luz a mais forte que podemos obter».
Algumas pessoas por nós contactadas duvidam da existência desta gruta. O Dr. William Halliday, num trabalho a que tivemos acesso, fala-nos de uma gruta nos Arrifes cuja entrada ficava próxima do quartel militar situado a norte daquela freguesia.
A descrição feita por um jovem empregado do sector dos lacticínios, que lhe mostrou alguns diapositivos, levou o Dr. William Halliday a levantar a hipótese de ser a gruta visitada por Webster.
Até ao presente não nos foi possível contactar com o interlocutor do Dr. Halliday, desconhecendo-se, portanto, o local exacto da sua entrada e se está em condições de ser visitada.
A título de curiosidade refira-se que a espeleologia, actividade que no nosso pais ainda não suscitou os apoios que merece, em vários países tem servido de suporte a um grande numero de experiências de índole cientifica, sendo em França tão praticada como o basquetebol.
(Publicado no “Correio dos Açores” em 14/4/1988)
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