sexta-feira, dezembro 31, 2010

A Quercus



De entre os açorianos, o sócio mais antigo da Quercus que manteve esta qualidade até ao falecimento de Veríssimo Borges.

Concerteza já previa o descalabro que veio a seguir.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Não à Caça às Espécies Migratórias


Nos primeiros anos da dácada de 80 do século passado, esteve a ser preparada uma campanha que seria lançada com a legalização de uma nova associação denominada Azorina.

A campanha não avançou porque a Associação nunca chegou a legalizar-se e um dos principais dinamizadores acabou por sair dos Açores.

Ou terá sido porque alguns universitários gostam de estar sempre bem com Deus e com o Diabo?

domingo, novembro 21, 2010

Os Logos dos Amigos dos Açores

Desde a sua criação nos Açores, a associação teve três logos: o primeiro como núcleo dos Amigos da Terra- Associação Portuguesa de Ecologistas, o segundo, da autoria de Gilberto Bernardo, quando a associação se legalizou como Amigos da Terra Açores e o actual, da autoria de Gerald Le Grand, que deu autorização para o seu uso.

Aqui vão os primeiros dois e extracto da carta de autorização.





domingo, novembro 07, 2010

Mais revelações sobre os primórdios da Campanha SOS Cagarro



Nas reuniões que se realizaram com o Dr. Luís Monteiro para a implementação da Campanha "A escola e o cagarro", levantou-se a questão de como a implementar em todas as ilhas com o mínimo custo possível. Não existindo associações vocacionadas para tal e havendo desconfiança (pelo menos da minha parte) nos Serviços do Ambiente do Governo Regional de então, a ideia foi encontrar apoio junto de outra instituição governamental. Assim, como conhecia a Dra. Ana Paula Pamplona Santos e a Dra. Ana Lúcia Gonçalves Almeida, que, se não estou em erro, eram respectivamente, Directora de Serviços de Formação e Inovação e chefe de divisão de Inovação Educativa, contactei-as com o objectivo de ser, através da Direcção Regional da Educação a distribuição dos materiais por todas as escolas dos Açores.

A proposta foi aceite e a campanha realizou-se com êxito.

Nota- Os primeiros passos da Educação Ambiental nos Açores foram também dados, a nível governamental, pelas duas pessoas referidas. Mais tarde, escreverei sobre o assunto.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Terra Mágica



Terra Mágica, nº6, N ovembro de 1984

Terra Mágica, nº 1, Maio de 1984

sábado, julho 31, 2010

Autocolante "Prìôlo"


Autocolante, de Gerald le Grand, do início da década de 80 do século passado.

terça-feira, janeiro 19, 2010

INCINERAÇÃO, NÃO OBRIGADO!

INCINERAÇÃO, NÃO OBRIGADO!

Tinha jurado a pés juntos não emitir qualquer opinião acerca do estudo de impacte ambiental da Ampliação do Sistema de Tratamento de Resíduos da Ilha de S. Miguel, ou melhor construção de uma Incineradora. Contudo, ao ter acesso, através de uma Junta de Freguesia*, ao relatório não técnico achei por bem dar o dito por não dito.

Em primeiro lugar, considero que as discussões públicas (ou privadas) dos estudos de impacte ambiental apenas servem para cumprir formalidades legais, já que parece que as decisões são tomadas à partida.

Em segundo lugar, os resumos não técnicos parece que são escritos para atrasados mentais, são tão resumidos que nada dizem ou esclarecem. Teria muito gosto que fizessem uma leitura comparativa de dois relatórios não técnicos de projectos completamente diferentes. Facilmente chegarão à conclusão que, no geral, dizem a mesma coisa, isto é, não haverá qualquer problema, os impactes negativos serão apenas durante o período das obras, depois de concluídas estas, tudo será uma maravilha e que com a implementação do proposto haverá criação de muitos postos de trabalho, esquecendo-se de que as mortes nas estradas também criam postos de trabalho e que eventuais alternativas poderiam criar muitos mais.

No que respeita à gestão dos resíduos sólidos urbanos, penso que a questão está errada à partida. Antes de se ter decidido pela queima dos resíduos deveria ter-se estudado os prós e os contras das diversas alternativas possíveis, incluindo a incineração, claro!

Do meu ponto de vista, a solução encontrada foi a mais “fácil” pois não implica a participação do cidadão na gestão dos resíduos, está intimamente ligada ao fomento do consumismo e do desperdício e, pior, inviabiliza a aplicação de princípios universais, como é o dos três Rs : Reduzir, reutilizar e reciclar.

Pois alevá, dos ambientalistas e consumistas neoliberais ou socialistas**, e outros, que temos nas autarquias e não só, não se esperava outra coisa.

Bem, como o arrasoado já vai longo, vou fazer uma breve referência, não se esqueçam que isto é um parecer não técnico e de borla, ao que vem escrito no dito cujo documento.

Na pág. 14 diz-se que há poupança de combustíveis fósseis. A este propósito poderia enumerar n documentos que dizem o contrário. Aqui vai uma citação para o caso espanhol:

“ La incineración, es un derroche de energía. Así, el reciclaje de las 14.424.430 toneladas de RSU generadas en España produciría un ahorro de energía 3,95 veces superior a la que se obtendría mediante su incineración. Esta energía ahorrable equivale a la contenida en 9.929.142 toneladas de carbón, cantidad superior a todo el consumo de carbón de importación de las centrales térmicas españolas. Es decir, que reciclando en vez de incinerando los RSU españoles se podrían cerrar las tres centrales térmicas de carbón de importación: Carboneras (Almería), Los Barrios (Cádiz) y Pasajes (Guipuzcoa), dejar de quemar carbón de importación en todas las demás centrales térmicas y todavía podríamos cerrar otra central térmica de carbón nacional, como la de Soto de Ribera (Asturias).

Ainda no que diz respeito à questão da energia, seria interessante saber, primeiro se a que será produzida é necessária ou não, e, em segundo lugar se vai ou não inviabilizar outros investimentos em energias renováveis. Além disso, importa também esclarecer que o melhor (mais verde!) kwh não é o mais renovável, mas sim o que não é consumido! (mal consumido, claro!)

Na pág. 18, diz-se que os riscos para a saúde são muito reduzidos. Para não perder tempo, e voltando à mesma fonte, podemos concluir que nem sempre é assim. Senão vejamos:

“La incineración de RSU es una fuente importante de contaminación ambiental, a través de las emisiones tóxicas al aire, y de las cenizas, también tóxicas, que se producen durante el proceso y que tienen que depositarse en un vertedero de seguridad. Este sistema no elimina, por tanto, la necesidad de vertederos.
El sometimiento a la normativa comunitaria, nacional y autonómica no garantiza la protección del medio ambiente y la salud pública, pues no contempla el riesgo de acumulación y magnificación de los niveles de dioxinas y metales pesados en la cadena alimentaria, estando el ser humano al final de la misma.”

Ainda relativamente a questões de saúde aqui ficam alguns exemplos:

• España, Niveles elevados de tioéteres en orina, un biomarcador de exposición a tóxicos, en niños que viven cerca de una planta incineradora de RSU (residuos sólidos urbanos).
• Finlandia, Proporción elevada de mercurio en el cabello de las personas que viven cerca de una incineradora de residuos tóxicos y peligrosos.
• Alemania, Niveles elevados de ciertos PCBs en la sangre de niños que viven cerca de una incineradora de residuos tóxicos y peligrosos.
• Japón, Incremento significativo de los niveles de dioxinas en tejidos corporales de personas que viven cerca de la incineradora de RSU.
• Estados Unidos, Aumento de los síntomas respiratorios como: enfermedades pulmonares, dificultad en la respiración, tos persistente y bronquitis, en personas que viven cerca de una incineradora de residuos tóxicos y peligrosos.
• Reino Unido, Incremento de dos veces la probabilidad de mortalidad por cáncer infantil en un estudio realizado a personas que viven cerca de 70 incineradoras de RSU y 307 incineradoras de residuos hospitalarios.
• Suecia, Incremento de 3.5 veces la probabilidad de mortalidad por cáncer de pulmón en trabajadores de una incineradora de RSU.
• Italia, Incremento de 2.79 veces la mortalidad por cáncer de estómago en trabajadores de una incineradora de RSU.

* Tanto quanto me é dado saber, as Ongas, Organizações não Governamentais de Ambiente não tiveram acesso ao documento, nem lhes foi solicitado qualquer parecer. À AMISM basta-lhe que sirvam de jarra numa Comissão que criou, mas que deixou de reunir quando a incineração passou a ser a solução milagrosa para a questão dos resíduos sólidos urbanos.

** A propósito destes, diz-se que andam preocupados com a previsível subida da direita extrema ao poder, no próximo mês de Outubro. Coitados, não foram eles que puseram indivíduos da dita cuja no poder, em empresas públicas e não só. Quantos reciclados estão, hoje, tachados? E quantos já voltaram aos alfaiates?

TB

Texto de 2004

sexta-feira, janeiro 08, 2010

INCINERAÇÃO VERSUS POLITICA DOS TRÊS Rs OU LIXO ZERO RAZÕES PELA SEGUNDA OPÇÃO

TB


1- RECORDANDO UMA TOMADA DE POSIÇÃO DE JUNHO DE 1994


“Todos sabemos que um dos mais graves problemas ambientais que a socieda¬de açoriana enfrenta é, sem dúvida, o dos resíduos. É cada vez mais frequente encontrar montanhas de lixo nos locais mais inesperados e desadequados. O problema, parece-nos, é tanto cultural como institucional. Se é verdade que muito do lixo que cobre vastas áreas costeiras e interiores das nossas ilhas foi para ali, indiscriminadamente, deposi¬tado por particularidades, também é verdade que a gestão do serviço público de recolha e destino final de resíduos deixa muito a desejar. Basta ver onde e como são muitas das lixeiras ou vazadouros municipais actuais, basta ver as limitações dos serviços de recolha, em particular de resíduos especiais, os quais, por vezes, nem sequer mesmo existem”.

Se é verdade que as chamadas lixeiras municipais têm os dias contados, não é menos verdade que a quantidade de lixos espalhados por toda a parte não tem parado de aumentar. Para evitar as situações referidas naquela altura, recordando propostas anteriores, a associação Amigos dos Açores considerava urgente que:

1- a região fizesse aprovar legislação sobre a gestão de resíduos, complementando-a dos indispensáveis meios que permitam a sua aplicação clara e impiedosa, com particular realce para as elevadas penalizações sobre deposições indiscriminadas de resíduos por particulares;
2- se promovessem campanhas de sensibiliza¬ção das populações para a necessidade delas próprias gerirem mais convenien¬temente os seus resíduos, quer evitando ao máximo a existência dos mais problemáticos, quer procedendo à respectiva selecção por tipos, para facilitar o seu futuro tratamento.
3- houvesse incentivo à reutilização e à reciclagem dos resíduos, a exemplo da tendência actual na maioria dos países desenvolvidos.

Ande-se pela ilha e verificar-se-á que a situação não se alterou muito e o que foi feito para incentivar a redução, a reutilização e a reciclagem. Criminosamente quase nada, porquê, incompetência ou estavam à espera da milagrosa incineradora?


2- O MITO DA CRIAÇÃO DE EMPREGOS


A incineração cria menos empregos do que um sistema de compostagem e reciclagem. De acordo com Silva (2002), por cada emprego criado por uma incineradora se o investimento fosse na área da reciclagem poder-se-iam criar até 15 empregos, podendo esta proporção ser ainda maior, dependente da quantidade de resíduos tratados.

Porque razão continuam a acenar com a cenoura dos empregos criados pela incineração? Má fé? Ou pensam que só eles é que são detentores do saber?


3- A FRAUDE DA ELECTRICIDADE VERDE E DA INCINERAÇÃO COMO PRODUTORA DE ENERGIA


Conhecida como produtora de Energia, visto poder produzir electricidade, uma análise detalhada do ciclo de actividade revela que as incineradoras gastam mais energia do que produzem. Isto é, com a reciclagem dos materiais queimados poupar-se-ia mais energia do que a que é libertada pela queima dos mesmos.

Além disso, a electricidade gerada pelas incineradoras não pode ser considerada electricidade "verde", pois muitos dos resíduos queimados são plásticos derivados do petróleo.

Por último, derivado do cumprimento do protocolo de Quioto, as incineradoras vão ter de pagar uma taxa sobre as emissões de CO2 produzidas, cujo valor é bastante elevado.

Porque razão apareceu um responsável do projecto a falar, na RTP- Açores, em electricidade verde? Apenas publicidade fraudulenta ou por não saber que a verdadeira electricidade verde é aquela que não é (mal) consumida?






4- A MENTIRA DA INOCUIDADE DO PROCESSO PARA A SAÚDE


Os operadores das incineradoras afirmam várias vezes que as emissões estão sob controle, mas as evidências indicam que este não é o caso. São inúmeros os exemplos que seria fastidioso enumerá-los.

As dioxinas são os principais poluentes associados às incineradoras. Estas são os causadoras de uma grande variedade de problemas de saúde que incluem o cancro, danos no sistema imunitário, problemas reprodutivos e de desenvolvimento. Esta tecnologia é a principal fonte de dioxinas a nível mundial.

As incineradoras são a maior fonte de poluição por mercúrio, sendo a sua contaminação de vasto alcance, prejudicando tanto as funções motoras, sensoriais como cognitivas. São também uma fonte significativa de poluição por metais pesados tais como o chumbo, cádmio, arsénico, crómio e berílio.

Outros poluentes que causam preocupação incluem hidrocarbonetos halogénicos, gases ácidos, que são percursores da chuva ácida; partículas que prejudicam as funções pulmonares e gases que provocam o efeito de estufa. Contudo, a caracterização das descargas de poluentes das incineradoras ainda está incompleta; existem nas emissões gasosas e nas cinzas muitos componentes não identificados.

De acordo com relatórios do Greenpeace, do Centro Nacional de Informação Independente sobre os Resíduos (CNIID) e da prestigiada revista de saúde “Lancet”, o facto de viver próximo das incineradoras ou de trabalhar nelas está associado a um conjunto vasto de efeitos sobre a saúde que inclui o cancro, problemas respiratórios, doenças do coração, efeitos no sistema imunitário, incremento de alergias, perda de fertilidade, malformações congénitas, etc.

Então, os proponentes não sabem disto? Ou sabem e escondem ou acreditam cegamente que as tecnologias são capazes de resolver tudo. Estou convicto que apenas se preocupam com o imediato, mais ou menos o período que medeia dois actos eleitorais.

5- DEVEMOS CONFIAR NA MONITORIZAÇÃO E NO GUARDA CHUVA DA COMUNIDADE EUROPEIA

O secretismo e a falta de transparência em todo o processo que irá conduzir (?) à incineração dos resíduos da ilha de São Miguel, com o esconder a opção de incinerar os resíduos aos representantes aos ONGAS, o não disponibilizar os estudos à Quercus, leva-me a por em causa a futura gestão deste projecto. Se até aqui o processo não foi conduzido com transparência, que garantias teremos que o será no futuro?

Tão grave ou mais grave ainda é o facto, como denuncia o Greenpeace, da Directiva da União Europeia sobre incineração não nos servir de apoio já que não tem em conta o impacto na saúde humana. Com efeito, os limites de emissão permitidos baseiam-se nos valores mínimos que se considera que a tecnologia pode conseguir e não naqueles que são realmente seguros para a nossa saúde.

Por que razão os representantes das ONGAS deixaram de ser convocados para as reuniões de uma Comissão Criada pela AMISM? Por que razão nas reuniões nunca foi abordada a questão da incineração? Por que não foram as ONGAS convidadas a acompanhar o Estudo de Impacto Ambiental?


6- O NÃO MENOS IMPORTANTE CUSTO DA INCINERADORA


As incineradoras são de longe a abordagem mais dispendiosa para a gestão dos resíduos. A incineração é muito mais cara que a compostagem + reciclagem. Além disso, de acordo com a Quercus, a taxa de comparticipação dos fundos europeus no investimento em instalações de compostagem e reciclagem é de 75%, enquanto para as incineradoras pode quanto muito chegar aos 25%.

Assim sendo, que razões levam à escolha de uma opção que nem do ponto de vista dos euros é a mais vantajosa? Razões que a razão desconhece? Ou outros negócios de milhões?

7- INCINERAÇÃO, NÃO OBRIGADO!

1- Numa altura em que em alguns países, como o Canadá, a Nova Zelândia, a Dinamarca e os Estados Unidos da América, está-se a implementar a chamada política do Lixo Zero- uma nova abordagem do problemas dos resíduos, que pretende fazer com que a sua produção se aproxime do zero, tornando os aterros e as (cobiçadas?) incineradoras quase dispensáveis, implementando mudanças nos sistemas de produção e distribuição, evitando-se a criação de lixos na origem e mantendo os materiais em circulação permanente- a única solução que defendo é a criação de um sistema integrado de tratamento de resíduos que inclua a redução, a reutilização e a reciclagem.

2- Face ao exposto, e tendo em conta ainda o facto de todo o processo estar viciado já que não foram estudadas, à partida, outras alternativas mais favoráveis ao ambiente, à saúde das pessoas e à própria economia da ilha, acho que a única posição a tomar é a de me opor radicalmente à solução proposta pela AMISM.

3- Depois de mas de vinte anos a pugnar por uma sociedade mais justa, limpa e pacífica, não posso embarcar em falsos “realismos”, não posso ceder a chantagens do tipo “antes incineração do que a situação actual”. Seria renegar o meu passado e trair a minha consciência.

4- Não quero alinhar pelo rebanho, prefiro caminhar só. Não receio ser apodado de utópico ou mesmo de fundamentalista. Como dizia Manuel Gomes Guerreiro, referindo-se aos ecologistas: “a história lhes dará razão e lhes agradecerá”.

5- Estou convencido que a incineração será o amianto do século XXI


BIBLIOGRAFIA

GREENPEACE, (2003), Incineración de Residuos, Razones para un NO, www.greenpeace.org.

SILVA, M., (2002), “Falaremos de lixos numa área metropolitana”, Ar Livre, nº 12, pp:37-40

TANGRI, N., (2003), A Incineração de resíduos, uma tecnologia a desaparecer, www.no-burn.org

(texto de 2004)

quinta-feira, setembro 24, 2009

Faleceu Hoje Manuel Faria de Castro



Com 63 anos de idade, faleceu, hoje, 24 de Setembro de 2009, Manuel Faria de Castro, presidente da Associação de Defesa do Ambiente "Azórica", com sede na ilha do Faial.

quarta-feira, julho 29, 2009

Faleceu Mário Machado Sousa


Recebi hoje uma mensagem a comunicar o falecimento de Mário Marchado de Sousa. O sr. Mário como era conhecido entre nós, era um dos habituais participantes dos percursos pedestres organizados pelos Amigos dos Açores e foi membro dos Órgãos Sociais entre 1996 e 1998.

Apaixonado pela fotografia, foi o autor de diversas fotos usadas nas publicações dos Amigos dos Açores, ente os anos de 1994 e 1998.

TB

segunda-feira, julho 06, 2009

quinta-feira, maio 14, 2009

22 DE ABRIL- DIA DA TERRA

“ A Terra tem o suficiente para cada um de nós, mas não o bastante para a ganância de alguns”
Mahatma Gandhi

Com a participação de 20 milhões de cidadãos norte-americanos, em 1970, celebrou-se, pela primeira vez, nos Estados Unidos o Dia da Terra.

Nos Açores, a data foi celebrada pela primeira vez, em 1990, através de uma visita ao Jardim António Borges, durante a qual a Associação Amigos dos Açores apresentou um memorando sobre a cidade de Ponta Delgada, ao presidente da Câmara Municipal, Dr. Mário Machado.

Trinta e nove anos depois do aparecimento do Dia da Terra, tanto a nível regional como a nível nacional e internacional há razões para a sua comemoração todos os dias e não apenas a 22 de Abril. Com efeito, o modelo de desenvolvimento económico vigente continua a sobrevalorizar o aumento da riqueza para uns poucos, não tendo em conta nem as condições de vida da maioria dos seres humanos, nem a capacidade se suporte da natureza.

Achamos que a situação actual só pode ser alterada se a sociedade for capaz de optar por uma nova relação do homem com o ambiente, assegurando que todos os recursos sejam equitativamente repartidos entre todas as pessoas, tanto as do Norte como as do Sul e não esquecendo as gerações vindouras.

Pensamos, também, que um mundo mais justo, pacífico e ecológico só será possível através do contributo de todas as pessoas e não apenas dos governantes, dos técnicos ou dos especialistas. Nesse sentido, cabe às associações de defesa do ambiente, se não se desviarem dos objectivos fundamentais para que foram criadas, a defesa de causas e a educação cívica dos cidadãos, um papel fundamental na Defesa da Terra.

Teófilo Braga

sexta-feira, abril 10, 2009

O Governo Regional (PSD) e a Sorte de Varas



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Carlos César e a Sorte de Varas



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quinta-feira, abril 09, 2009

Os Animais devem ser Respeitados



Defensores dos Direitos dos Animais criam novo Blogue: Açores Melhores sem Maltratos Animais que pode ser consultado aqui.

sábado, março 28, 2009

“Os Montanheiros” já têm núcleo em São Miguel

Foi na década de 60 que surgiu na ilha Terceira a associação “Os Montanheiros”. Começou com um grupo de jovens que tinha um espírito aventureiro e que começaram por percorrer a ilha explorando todos os cantos e recantos. Através das caminhadas o grupo de jovens descobriu um algar, baptizado por Algar do carvão. Com a exploração de rochas daquele local a população começou a ficar sensibilizada para a espeleologia, uma actividade que era pouco conhecida nos Açores. A partir daqui nasceu a vontade de criar um movimento associativo.
“Os Montanheiros” estenderam-se depois a outras ilhas, e mais recentemente à ilha de São Miguel com um novo núcleo que tem como presidente João Paulo Constância, como secretário João Carlos Nunes e como tesoureiro Pedro Dias Freire. A associação tem vindo a crescer e a fortalecer-se, sendo que o número de interessados em associar-se tem vindo a intensificar-se sobretudo nas ilhas onde não existiam um núcleo, como era o caso de São Miguel. “À medida que se vão abrindo novos núcleos em outras ilhas é mais fácil para as ilhas em que existia uma lacuna em termos de associação ambiental crescer o interesse da população que fica com vontade de participar e de se associar ao núcleo”, disse Paulo Barcelos.
“Para 2009 vamos continuar com algumas actividades que são recorrentes e que têm impacto junto da população, dos visitantes e junto dos próprios associados e pessoas que estão a colaborar”, referiu Paulo Barcelos, presidente da direcção da associação “Os Montanheiros”. A associação irá também dar prosseguimento à gestão turística das três cavidades vulcânicas, isto é, o Algar do Carvão (Ilha Terceira), a Gruta do Natal (Ilha Terceira) e a Gruta das Torres (Ilha do Pico). Contam também fazer cerca de 30 passeios pedestres entre as ilhas Terceira, São Jorge e Pico e visitas de estudo a diversas cavidades na ilha de São Miguel. Além de continuarem a gerir três ecotecas nas ilhas Terceira, São Jorge e Pico.
“Os Montanheiros” mantêm ainda uma participação activa, enquanto parceiro social, junto de vários departamentos do Governo Regional, nomeadamente com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e as suas respectivas Direcções Regionais.
Correio dos Açores, 26 Março 2009

quinta-feira, março 19, 2009

Montanheiros com Núcleo em São Miguel

CONVOCATÓRIA - ILHA TERCEIRA, S. JORGE, PICO E S.MIGUEL
Terça-Feira, dia 10 de Fevereiro de 2009
Associação
Os Montanheiros

ASSEMBLEIA GERAL
CONVOCATÓRIA

Nos termos do ponto 4 do artigo 12º dos estatutos convocam-se todos os associados a reunirem-se em Assembleia-Geral, no dia 19 de Fevereiro de 2009, na sede desta associação na ilha Terceira, na sede das Ecotecas das ilhas de São Jorge e Pico e na sede da Sociedade Afonso Chaves – Ed. do Museu Carlos Machado na ilha de São Miguel, pelas 21:30 horas, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1.Eleição de novos Corpos Sociais para o biénio 2009/2010
2.Apresentação do Plano de Actividades para 2009;
3.Outros assuntos do interesse da associação.
Caso à hora indicada não tenha comparecido o número suficiente de sócios, a mesma reunir-se-á meia hora depois com o número de sócios presentes.

Angra do Heroísmo, 9 de Fevereiro de 2009


A Presidente da Assembleia Geral
Maria Marcelina Silva Alves

Fonte: Página Web dos Montanheiros

PS- O esperado e o desejado aconteceu.

Quercus

Nova direcção do núcleo da Quercus em encontro com os jornalistas : Questões polémicas à parte


No primeiro encontro com os jornalistas a nova direcção do núcleo da Quercus de São Miguel esquivou-se às questões polémicas em redor do ambiente nos Açores e preferiu falar do seu plano de acção para o futuro. Cautelosos quanto baste, os novos dirigentes dizem ir pôr os interesses da associação ecológica acima de outras funções que exerçam.

O Núcleo da Quercus em São Miguel reuniu-se, ontem, para a apresentação da nova mesa da direcção do núcleo, após ter sido eleita em assembleia-geral no passado dia 26 de Fevereiro. Esta nova direcção pretende reforçar o trabalho já anteriormente desenvolvido, recorrendo a uma gestão colegial, que se pretende democrática, e abrir o núcleo à participação activa dos sócios.
A nova mesa da direcção do núcleo é composta por Luís Rodrigues (presidente); Alexandre Pascoal (secretário); Ana Monteiro (tesoureira); Pedro Arruda (vogal); e Ricardo Lacerda (vogal).
A mesa eleita explicou a necessidade de fazer uma gestão colegial do núcleo, por ser “importante, nesta fase de transição, que a direcção do núcleo não tivesse uma cara que assumisse todas as competências, da maneira como fazia e bem Veríssimo Borges, mas que houvesse um repartir de responsabilidades e de representatividades dentro da própria direcção”, explicou Pedro Arruda.
O vogal entende esta direcção colegial como forma de dar “visibilidade e de relacionamento com a sociedade civil e com as instituições”.
Para este núcleo da Quercus, a rentabilização e a dinamização das condições de trabalho são aspectos fulcrais, daí a criação de um portal na internet e de newsletters, bem como a realização de uma campanha de captação de sócios e estabelecer com os mesmos, e com a sociedade, uma comunicação de proximidade.
Acção concertada
Há a “necessidade reposicionar a Quercus em termos de opinião pública”, disse o secretário Alexandre Pascoal que considera igualmente importante o núcleo não trabalhar sozinho. “Neste momento existem vários agentes no terreno e eu penso que a acção deve ser concertada com as restantes associações que participam activamente na defesa do ambiente nos Açores. Penso que uma acção concerta será sempre mais eficaz nestes pressupostos”, sublinhou.
Luís Rodrigues, presidente do núcleo da Quercus de São Miguel, entende a diversidade de percursos existentes no grupo de trabalho como uma mais-valia, procurando ainda reforçar o trabalho feito por outras organizações que defendem o ambiente, sem nunca descurar outros assuntos de interesse social. “Digo que a nossa perspectiva é sustentável, naturalmente que o nosso olhar é para a defesa dos interesses do ambiente, para a integridade e manutenção dos ecossistemas para o equilíbrio na natureza, mas não nos vamos abstrair de outros interesses, sejam eles sociais, culturais ou económicos. Da nossa realidade faz parte um bocado de tudo isto”, frisou o presidente.
A actual mesa da direcção apresentou ainda como assuntos prioritários para 2009/2010 as questões da gestão da água e das bacias hidrográficas, o acompanhamento do PROTA, a política regional de gestão de resíduos com particular incidência nos diversos aterros sanitários, as questões relacionadas com a orla marítima e a aplicação dos diferentes POOC’s, as questões relacionadas com a eficiência energética, os problemas criados pelas alterações climáticas globais e as questões relacionadas com as diferentes políticas relativas ao ambiente e ao mar.
Na assembleia-geral do dia 26 de Fevereiro foi aprovado, por unanimidade, um voto de louvor a Veríssimo Borges pelos serviços prestados ao núcleo da Quercus de São Miguel, como também pela sua extrema dedicação e empenho na protecção do ambiente em todo o arquipélago dos Açores. Houve ainda outro voto de louvor, desta feita ao trabalho realizado pela anterior direcção do núcleo.

Autor: Solange Vicente

Fonte: Correio dos Açores, 18 Março 2009

terça-feira, março 17, 2009

Direcção da Quercus Eleita em 26 de Fevereiro de 2009

O objectivo é fazer com que cada intervenção da associação ambientalista seja “clara e sustentada e ganhe maior visibilidade”. Prometido ficou, igualmente, um maior diálogo com outras associações ambientais.

Os cinco elementos que fazem parte da direcção, que irá actuar “de forma colegial”, apresentaram-se esta terça-feira à comunicação social. Em conferência de imprensa elencaram as prioridades da sua actuação e fizeram uma verdadeira “profissão de fé” na sua independência face ao poder político regional. Um distanciamento que, de resto, caracterizava a actuação da anterior liderança da Quercus que, na maioria das vezes, foi a primeira a denunciar situações ambientais problemáticas.

Em causa está a presença na direcção da associação de um deputado eleito pela lista do PS em São Miguel.

Questionados pelos jornalistas sobre se este comprometimento não poria em causa a equidistância necessária, os membros da direcção foram unânimes em afirmar que “os interesses do ambiente dos Açores e dos Açorianos estarão sempre primeiro” e “quando se registar alguma incompatibilidade ver-se-á”.

Aliás o presidente, Luís Rodrigues, desdramatizou a questão dizendo que ela não passa de “um ruído” e que no essencial o que os move é a “defesa intransigente” de boas políticas ambientais, “numa perspectiva construtiva pois não somos contrapoder a ninguém”.

“A diversidade dos nossos percursos profissionais é a garantia de uma interpretação diversa da realidade o que pode ser uma mais-valia”, afirmou Luís Rodrigues.

Entre as prioridades da associação estão as questões da água e das bacias hidrográficas, a gestão dos resíduos sólidos urbanos, o plano de ordenamento da orla costeira, as questões energéticas e o plano regional de ordenamento do território.

Questões que, aliás, já vinham merecendo a melhor atenção da associação mas que, a partir de agora “vão ser tratadas na óptica da sustentabilidade”, acrescentou o novo presidente da Quercus.

Para isso, “impõe-se” um maior envolvimento de todos os associados que vão ser chamados mais assiduamente a darem o seu contributo.

Da última assembleia-geral da associação, realizada no mês passado, ficou um voto de louvor e apreço ao trabalho desenvolvido pela anterior direcção, em especial ao presidente Veríssimo Borges, considerado como “uma figura insubstituível na defesa do ambiente regional”, referiu Pedro Arruda.
Carmo Rodeia
Açoriano Oriental On Line, 17 de Março de 2009

domingo, março 08, 2009

Campanha "As Escolas e o Cagarro"





Pelos documentos apresentados acima, conclui-se que a campanha quer viria a dar origem à Campanha SOS-Cagarro foi coordenada pelos Amigos dos Açores e teve a colaboração do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e da Direcção Regional da Educação através da distribuição pelas escolas do inquérito.

sábado, fevereiro 14, 2009

A Luta Contra as Corridas Picadas/Touros de Morte

Em 1998, o Dr. Adolfo Lima apresentou para análise, em Plenário do Governo Regional dos Açores, suportado pelo PSD, uma proposta que havia sido elaborada pelo Dr. Álvaro Monjardino, através da qual se pretendia que nos Açores fosse introduzida nos Açores as touradas com touros de morte. Na altura os Amigos dos Açores organizaram uma campanha internacional que culminou com a apresentação de uma petição ao Parlamento Europeu.
A intenção não avançou, tendo na altura o presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. Mota Amaral, comunicado ao Director do Eurogroup for Animal Welfare que a legislação não avançaria devido às “reacções negativas da opinião pública”.
A 21 de Outubro de 1995, na ilha Terceira, realizou-se numa quinta particular uma tourada à espanhola, onde foram toureados e mortos dois touros. Na ocasião tal acto foi contestado por várias pessoas singulares e colectivas, como os Amigos dos Açores, algumas sociedades protectoras de animais e o Partido “Os Verdes”, na Assembleia da República.
No evento estiveram envolvidas pessoas com responsabilidades políticas e governamentais, talvez por isso o desrespeito pela Lei não foi punido como deveria ter sido.
A 18 de Outubro de 2002, a sorte de varas viria a ser aprovada na Assembleia Regional dos Açores, com votos socialistas, social-democratas e centristas, tendo como primeiro subscritor Dionísio Sousa (PS). Esta legislação viria a ser “chumbada”, pelo Ministro da República Sampaio da Nóvoa já que não se revestia de interesse específico regional. Na altura, outra vez, os Amigos dos Açores se manifestaram contra aquele tipo de touradas já que, para além da barbaridade e da violência que promovem, nada têm a ver com a tradição regional. Nesta luta pelo respeito que os animais merecem, destacamos a actuação da Associação dos Amigos dos Animais da Ilha Terceira que promoveram uma petição que recolheu cerca de duas mil assinaturas.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

SEM CANDIDATOS : Compasso de espera na Quercus

05 Fevereiro 2009 [Regional]
A delegação da Quercus dos Açores suspendeu ontem a assembleia-geral onde não apareceram listas candidatas aos órgãos directivos e, em consenso com a direcção nacional, decidiu convocar nova assembleia para o dia 26 de Fevereiro.
Ao longo do período em que a assembleia-geral esteve reunida, debateu-se a questão da continuidade da delegação dos Açores da Quercus, criando-se a expectativa de que se irá constituir uma lista de candidatos.
Não é fácil formar uma lista com novos dirigentes suficientemente disponíveis para manter a actividade do núcleo da Quercus dos Açores, o que explica os cuidados que estão a ser colocados na formação de uma nova direcção.
Barreiro Gomes, um dos dirigentes em funções, afirmou ao Correio dos Açores que um eventual desaparecimento da delegação da Quercus da Região seria “uma perca muito grande para o movimento ecologista açoriano”.
“Todos nós, direcção cessante, vemos com certa tristeza a possibilidade de a actividade da associação não continuar”, sublinhou Barreiro Gomes.
Durante a assembleia-geral de ontem foi aprovado por unanimidade um voto de louvor à actividade desenvolvida pelo presidente da delegação da Quercus dos Açores, Veríssimo Borges.
Durante a reunião, a direcção ainda em funções fez um balanço da actividade da organização ecologista na Região e procurou mobilizar os sócios para se organizarem e formarem listas candidatas aos órgãos dirigentes.
Além de Barreiro Gomes, fazem parte ainda da direcção da Quercus dos Açores, Rui Coutinho, Ana Neto e João Faria e Maia.

Correio dos AÇORES

domingo, fevereiro 01, 2009

A Federação de Associações de Defesa do Ambiente dos Açores

Em 1990, de acordo com informação publicada no boletim Vidália , nº 3, os Amigos dos Açores e a Quercus – Açores (Faial) estavam empenhados na criação de uma Federação Regional de Associações de Defesa do Ambiente, projecto que não terá avançado em virtude do desaparecimento desta última associação.

sábado, janeiro 31, 2009

Eduardo Pereira Lopes

Faleceu no passado mês de Setembro de 2008, Eduardo Manuel Pereira Lopes, que foi o asociado nº 22 dos Amigos dos Açores e que esteve activo entre 1984 e 1993.
O Eduardo Lopes foi um dos associados que assinou a escritura de constituição dos Amigos da Terra/Açores, marcando assim a transformação do Núcleo dos Açores dos Amigos da Terra- Associação Portuguesa de Ecologistas em associação de carácter regional.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Ecologia é Mudar de Vida


(Clique sobre o texto para ampliar)

Texto publicado no Jornal Directo,de 6 de Fevereiro de 1983

Podas Radicais - A actualidade de um texto de 1986


Texto da autoria dos Amigos dos Açores (da Terra),publicada no Jornal Directo, de Angra do Heroísmo, em 1986

terça-feira, dezembro 30, 2008

Amigos dos Açores (da Terra) contra brinquedos de Guerra



Texto de um comunicado dos Amigos dos Açores (da Terra) publicado no Jornal Directo de 7 de Dezembro de 1987.

Uma visão de ambiente lata que se foi perdendo com o tempo e que terá valido a sua não aceitação como ONGA durante muitos anos.

domingo, novembro 30, 2008

Azorina ou Amigos dos Açores



No início da década de 80 do século passado funcionou, em Vila Franca do Campo, uma delegação do Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem. Como já referimos no número anterior deste boletim, foram seus principais dinamizadores, o investigador universitário francês Gerald Le Grand e o Eng. Técnico Agrário Duarte Soares Furtado, em casa de cujos pais funcionou a sede daquela associação.

Mais ou menos por esta altura, foi decidida a criação de uma associação de defesa da natureza de carácter regional cuja denominação seria “Azorina”, tendo, inclusive, sido criados e editados alguns autocolantes.

Quando, em 1989, a direcção dos Amigos da Terra - Associação Portuguesa de Ecologistas, presidida por António Eloy “exigiu” que alterássemos o nome da associação a que, então, presidíamos e que se denominava Amigos da Terra/Açores, um dos nomes que foi sugerido foi o de Azorina. Na altura, foi contactado o Eng. Duarte Furtado que nos informou que uma docente universitária estava a tratar do processo de legalização da associação. Contactada esta, foi-nos dito que o processo estava em curso, pelo que não poderíamos usar aquela designação. Assim, a opção foi por Amigos dos Açores - Associação Ecológica.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Os primórdios da espeleologia organizada em São Miguel

iniciou as suas actividades espeleológicas no primeiro semestre de 1988, tendo visitado as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas, Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene, Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima); Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande).
Participaram nestas actividades iniciais Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.

Os primórdios da espeleologia organizada em São Miguel



Na foto podem ver-se (da esquerda para a direita:João Luís Barreiro, George Hayes, Lúcia Ventura, Humberto Furtado Costa, Virgílio Oliveira, actual presidente da Associação de Jovens Agricultores, e Henrique Resendes).

O início da exploração organizada em São Miguel teve lugar no primeiro semestre de 1988, tendo sido visitadas as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas, Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene, Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima); Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande. Participaram nestas actividades, dos Amigos dos Açores, Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.

Já agora, a título de curiosidade, fica o registo que os primeiros capacetes foram capacetes de construção civil oferecidos pelo Sr. George Hayes.

quarta-feira, novembro 05, 2008

A ORIGEM DA CAMPANHA SOS- CAGARRO



Atavés da página web dos Amigos dos Açores fica-se a saber que a campanha SOS-cagarro foi criada em 1995 pelo Doutor Luís Monteiro, no âmbito do projecto LIFE “Conservação das comunidades de aves marinhas dos Açores”.

O que a maioria das pessoas não sabe é que esta campanha surgiu no seguimento de outras duas, também iniciativa do Doutor Luis Monteiro, que contaram com a colaboração activa dos Amigos dos Açores.

Assim, em Março de 1993 foi lançada a campanha "Um espaço para os garajaus" e em Novembro do mesmo ano a campanha "A Escola e o Cagarro", no âmbito da qual foi aplicado um inquérito, sobre a espécie, destinado a alunos das escolas, nomeadamente do 1º e 2º ciclos do ensino básico e distribuidos 10 mil folhetos.



Atavés da Consulta ao Projecto de Candidatura ficar-se-á a saber que a Direcção Regional do Ambiente colaboraria com o DOP na coordenação e execução das acções de conservação directa e participaria nas acções de inventariação e monitorização de espécies. Por seu turno, os Amigos dos Açores apoiariam as acções de conservação directa, nomeadamente informação e sensibilização, tendo entrado com uma comparticipação de mil setecentos e sessenta escudos.

T.Braga

domingo, novembro 02, 2008

Os Amigos dos Açores e os Universitários- Repor a Verdade

Na sua Tese de Mestrado, intitulada Participação Social e Práticas Ambientais: As organizações não governamentais de ambiente (ONGA) dos Açores, Fátima Silva escreve a dado passoo seguinte: "Veja-se por e.g. o caso da Gê-Questa que é fundada por universitários, bem como a Quercus Açores, os Amigos dos Açores e outras tantas associações".

Antes de tentar demonstrar que a afirmação da autora não está de acordo com a verdade dos factos, queria afirmar que considero que aquela tese é um trabalho de referência para o conhecimento do movimento associativo ambiental dos Açores, sendo merecedora de uma maior divulgação junto do grande público e de estudo e reflexão por parte dos activistas ambientais dos Açores.

Mas vamos ao que, por agora, nos interessa.

Se em relação à Gê-Questa nada há a apontar, em relação à Quercus acho que se deveria separar a Quercus-Terceira, do Núcleo de São Miguel da Quercus. Se em relação à Terceira não temos qualquer informação em contrário, no que diz respeito a São Miguel, o núcleo foi iniciativa da Direcção Nacional da Quercus que pretendia alargar a actividade da associação a todo o território nacional, tendo Viriato Soromenho Marques contactado com Teófilo Braga no sentido de liderar aquele núcleo e sugerido a transformação dos Amigos dos Açores em Núcleo da Quercus, sugestão esta que chegou a ser discutida e rejeitada no seio dos Amigos dos Açores. Aquando da presidência aberta de Mário Soares sobre ambiente, durante um jantar nas Furnas, Teófilo Braga voltou a afirmar a sua não intenção de liderar o núcleo dos Açores da Quercus e na altura apresentou Veríssimo Borges a Viriato Soromenho Marques.

No que diz respeito aos Amigos dos Açores, a afirmação também não está correcta. Com efeito da primeira direcção do então Núcleo dos Açores da Associação Portuguesa de Ecologistas- Amigos da Terra, eleita em 1985, fazem parte Teófilo Braga, professor do 3º ciclo do ensino básico e ensino secundário, Lúcia Ventura, estudante, e Luís Garcia, fotógrafo. A entrada de um universitário para a direcção dos Amigos dos Açores só se verifica em 1993, através de Luís Silva.

Alterações Globais - Alterações Regionais

A nível mundial, fala-se actualmente, e com muita frequência em ALTERAÇÕES GLOBAIS NO NOSSO PLANETA, alterações estas, causadas pelas actividades humanas. Apesar de ainda existirem cépticos, que põem em causa a existência real de tais acontecimentos, sugerindo que se trata de flutuações naturais, a globalidade da comunidade científica e um cada vez maior número de cidadãos, encontram-se preocupados com essas alterações. A continuar o nosso comportamento no mesmo sentido que tem vindo a seguir nos últimos séculos, ninguém pode prever, qual a evolução futura do planeta.

ALTERAÇÕES GLOBAIS

Alterações na composição da atmosfera.

Verifica-se actualmente um aumento da concentração de gases com efeito de estufa, que poderão levar a um aumento da temperatura atmosférica, como sejam. dióxido de carbono, metano, óxidos de azoto, clorofluorcabonetos, etc. O efeito de estufa consiste na captura do calor solar pela. atmosfera terrestre, sem que ocorra a sua subsequente libertação para o espaço (efeito semelhante ao provocado pelos vidros de uma estufa), e é causado pela acumulação dos referidos gases, que permitem a passagem da radiação solar, mas que impedem que o calor seja irradiado para o espaço, fazendo aumentar a temperatura da atmosfera, provocando o aquecimento global do planeta e possíveis alterações climáticas. O gás com maior importância para este processo, o dióxido de carbono, é emitido à taxa de 1,1 toneladas por habitante, por ano (através da queima de combustíveis fôsseis, que lança para a atmosfera mais de 3,3 biliões de toneladas de carbono. (1). Este problema é acentuado pela destruição das florestas, que absorveriam uma parte do dióxido de carbono, essencial para a fotossíntese (isto é, para o crescimento das plantas). Infelizmente, a floresta tropical está a desaparecer ao ritmo de 250 mil quilómetros quadrados por ano. Mantendo-se a taxa actual de diminuição do coberto florestal, todas as florestas desaparecerão dentro de 50 anos. Aos milhões de toneladas de carbono, libertadas actualmente para a atmosfera pela utilização de combustíveis, soma-se mais cerca de 1 bilião de toneladas por ano, resultantes da destruição da floresta (1). Caso a temperatura média da Terra suba 5 ou 6 graus Celsius, os gelos polares fundir-se-ão. Tal facto provocaria a subida do nível médio das águas dos oceanos, de modo que grandes áreas continentais seriam submersas. Até ao ano 2050, a terra poderá aquecer, em média, entre 2 e 4,5 graus Celsius (1). Como consequência, as produções de trigo, milho e arroz (principal alimento de três quintos da população) serão afectadas. O padrão das precipitações alterar-se--ia em todo o mundo, em 2100 a precipitação anual em Portugal poderia sofrer uma redução de 60% (2). Pode-se falar já de um aumento da temperatura média entre 1975 e 1990, embora aquele não atinja um grau Celsius.
Uma outra alteração na composição da atmosfera é a rarefacção da camada de ozono (situada entre os 20 e os 40 km acima da superfície), causada pelos clorofluorcarbonetos que são actualmente um constituinte da atmosfera de todo o planeta. É a camada de ozono que nos protege de certas radiações solares na banda dos ultravioletas, nocivas para o Homem. A importância do ozono reside no facto de que as suas moléculas absorvem uma parte significativa das radiações ultravioletas mais energéticas ( os chamados UV-B). As consequências mais directas na saúde humana podem ir de lesões na pele ou nos olhos (cataratas), e da diminuição da resistência às infecções, até ao cancro da pele. A fauna será afectada de modo semelhante. A produtividade das culturas poderá diminuir e, tanto o zooplântcton como o fitoplâncton (animais e plantas, em geral de dimensões microscópicas, que vivem nas camadas superficiais dos oceanos), base das cadeias alimentares marinhas, serão afectados. A rarefacção da camada do ozono será negativa para todos os seres vivos e para todos os ecossistemas. Duas zonas apresentam uma diminuição importante da camada de ozono, as regiões polares. No entanto, dados recentes apontam para uma redução do ozono no Hemisfério Norte, o que poderá afectar regiões populosas como o Canadá, os Estados Unidos e o Norte da Europa. A perda de ozono desde 1978 poderá atingir perto de 5% (3). A rarefacção da camada de ozono pode ser observada à latitude a que se situa Portugal, embora seja de apenas 3%, o que é pouco quando comparado com as regiões polares, onde se chega a registar uma diminuição sazonal da ordem dos 20% (2).
Uma terceira alteração, consiste no aumento da concentração dos óxidos de enxofre e de azoto, emanados pelas combustões domésticas e industriais, e pelos motores de combustão. Estes gases combinam-se com a água na atmosfera, formando ácido sulfúrico e ácido nítrico, o que origina chuvas ácidas, que afectam florestas( destruindo a folhagem) e lagos na América do Norte e no Norte da Europa ( provocando a morte dos lagos).
Nas primeiras décadas do próximo século serão, provavelmente conhecidas as primeiras consequências da alteração na composição atmosférica, iniciada com a revolução industrial.

Alterações nos sistemas oceânicos

As alterações nos sistemas oceânicos, que cobrem 70% da superfície do globo, são causadas por vários processos. Ao nível da composição química do meio marinho, verifica-se a introdução de substâncias estranhas, como ocorre nas marés negras, (as marés negras têm vindo a tornar-se. assustadoramente frequentes), na limpeza de navios no alto mar Ou, ultimamente. através da introdução, acidental ou premeditada, de metais pesados e de "lixo radioactivo". Por exemplo, por ano a Europa lança no mar um milhão de toneladas de lixos perigosos (2), sendo os rios com elevados níveis de poluição, um veículo importante para essas contaminações. Ao nível dos ecossistemas marinhos, as alterações devem-se a uma pesca abusiva, tanto de peixes e crustáceos; como de mamíferos marinhos, à destruição de muitos recifes de coral, à descaracterização completa de muitas zonas litorais (sistemas de dunas, "rias", estuários e zonas de marés), devido a uma urbanização não planificada e ao lançamento de esgotos industriais e domésticos sem qualquer tratamento. Os problemas agravam- se em mares com uma comunicação limitada com o oceano, como o Mar Mediterrânico e o Mar Báltico, e ultimamente, no Golfo Pérsico.

Alterações na ocupação do solo

O solo constitui o capital mais precioso de que o homem dispõe para a satisfação das suas necessidades. São necessários cerca de 300 anos para formar 3 centímetros de solo arável, no entanto, uma gestão descuidada pode eliminá-los em apenas dez anos. Além disso, se o solo não estiver protegido, uma tempestade pode remover essa camada em algumas horas (4). Em todas as zonas onde as árvores desapareceram, o solo empobreceu. Calcula-se que 700 milhões de hectares de terra de cultivo ( metade do total) se encontrem degradadas (5).
Nos próximos quarenta anos e devido à erosão dos solos, ficarão provavelmente perdidas cerca de 30% das terras cultiváveis(2), que constituem menos de um quarto das terras do planeta(1). A erosão destrói, anualmente, em Portugal, 16.4 toneladas de solo por hectare. No início da década de 80, avaliaram-se em seis milhões de hectares as superfícies que anualmente se desertificavam. A destruição de florestas tropicais e temperadas, e a conse¬quente redução da sua área, o aumento da desertificação, o aumento da extensão das terras de cultivo e para exploração florestal (com espécies de crescimento rápido) e das áreas dedicadas ao apastamento, as alterações no curso dos rios para a construção de barragens e diques, a desflorestação das margens e a consequente degradação das bacias fluviais, são algumas das alterações a este nível. Por outro lado, muitas formas de uso do solo, como a intensificação das aplicações de adubos químicos e de pesticidas, levaram à contaminação das reservas de água potável (lençóis freáticos) e de muitas zonas húmidas (lagos).

Alterações dos ecossistemas por introdução de espécies exóticas

É um problema grave, que pode originar grandes prejuízos económicos, para alem da degradação de ecossistemas naturais. Espécies que evoluíram em locais diferentes daqueles em que são introduzidas, encontram-se num meio onde não existem os seus inimigos naturais (predadores, parasitas, doenças, espécies competidoras), que no seu local de origem, regulavam a sua abundância, ou seja, impediam a sua proliferação ilimitada. Desde que encontrem, no seu “novo” habitat, condições climatéricas e nutrientes ou alimento disponíveis, podem expandir-se sem controlo, constituindo uma ameaça para as outras espécies. Por exemplo, no Hawai, a introdução acidental de várias espécies de roedores, levou à introdução sistemática de um pequeno mamífero carnívoro, o mangusto, por ser um caçador diurno, não teve uma acção eficaz no controlo dos roedores e, pior do que isso, constitui uma ameaça para as espécies de aves que nidificam ao seu alcance. Temos também, o caso de uma pequena árvore, natural dos Açores, a faia (Myrica faya), que foi introduzida no Hawai, no fim do século passado, por emigrantes portugueses, tendo-se tornado uma invasora nas florestas endémicas do Hawai e sendo considerada uma infestante, a combater por todos os meios, Exemplos desta natureza abundam nos quatro cantos do mundo.

Diminuição rápida do número de espécies

No passado geológico, já ocorreram vários episódios de extinção de espécies (quem nunca ouviu falar da extinção dos Dinossauros?) mas, actualmente, a taxa de extinção é muito mais elevada do que em qualquer desses períodos. No passado, as extinções ocorriam ao longo de milhões de anos, actualmente decorrem em séculos ou décadas. Esta modificação da Biosfera é das mais preocupantes, pois, uma vez extinta, uma espécie estará perdida para sempre, isto é, trata-se de uma alteração irreversível Foram necessários milhares de milhões de anos para se alcançar a diversidade de espécies existentes no planeta Terra. Unicamente devido à destruição de habitates provocada pelo homem, estima-se que desapareça uma espécie por dia(4).
No próximo século, os dias serão mais quentes, os solos mais áridos, a precipitação menos abundante, a humanidade continuará a aumentar em flecha nas zonas mais pobres do mundo(2), a diversidade biológica diminuirá. A chamada “Bomba P”, o aumento da população poderá ter, a prazo, efeitos muito perniciosos na qualidade do ambiente. Há quem ponha a seguinte questão: se o conjunto da humanidade vivesse de acordo com o modelo de sociedade, adoptado pela população mais rica do planeta (países industrializados) então, 1500 milhões seria, teoricamente, o número máximo de seres humanos suportados pela Terra, sem destruir por completo o equilíbrio ecológico. No século passado (XIX), existiam cerca de 1000 milhões de seres humanos. Neste. momento, a população humana ultrapassa já os 5000 milhões, será portanto legitimo incutir nos habitantes dos países em desenvolvimento, a crença de que poderão no futuro atingir o modelo da sociedade industrializada? No ano 2000 existirão, no Terceiro Mundo, 295 cidades com mais de 1 milhão de habitantes e mais de 138 nos países industrializados. Por essa data, 50% da população mundial estará concentrada sobre menos de 0,4% da superfície dos continentes (1).

ALTERAÇÕES REGIONAIS – AÇORES

A nível da atmosfera

Devido à circulação atmosférica, sofreremos ,inevitavelmente, os efeitos do aumento da concentração do dióxido de carbono na atmosfera. Por outro lado, estamos a contribuir para o aumento da concentração de metano, através da criação de gado. A diminuição da camada de ozono, ainda não nos afecta directamente, já que, uma rarefacção de cerca de 3%, como a que ocorre às nossas latitudes, está ainda longe da rarefacção verificada no Antárctico, cerca de 20%. É de salientar o facto de que existe a possibilidade de que vários químicos, resultantes de actividades industriais inexistentes neste arquipélago, ainda tenham chegado por transporte atmosférico.

Alterações no Oceano

Muitas das zonas de mares têm sido ameaçadas, pela extracção de areais, pelo vazamento de lixos na costas das ilhas (6,7,8), pela exploração abusiva de certos recursos, como as lapas, as lagostas, e outros mariscos. Certas espécies de peixes, como o mero poderão estar ameaçadas, não se conhecendo em concreto qual o impacto da pesca artesanal, da pesca à linha e da caça submarina. Muitas espécies ainda existentes na época de Gaspar Fructuoso, já não se encontram nestas costas. As aves marinhas, nomeadamente o cagarro (Puffinus puffnus), o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), a cagarro (Calonectris diomedea borealis)e o garajau (Sterna hirundo e Sterna dougallii) (4), estão também ameaçadas, existindo provas de que estas espécies continuam a ser caçadas pelos habitantes destas ilhas. As zonas de descanso e nidificação destas aves têm diminuído muito. Quanto aos mamíferos, o lobo-marinho, Monachaus monachaus, ainda existente nas Selvagens, já desapareceu há muito destas águas. Em geral, a fauna marinha no início do povoamento português era mais abundante e diversificada do que actualmente (4).

Introdução de espécies exóticas.

Esta é flagrante, e inclui, desde insectos até mamíferos, assim como numerosas plantas, algumas das quais parecem ter até alguma importância cultural, como o incenso e vindo da Austrália (Pittosporum undulatum), utilizado na formação de sebes, e com um perfume muito apreciado, cobre grandes superfícies em todas as ilhas) e a conteira (Hedychium garderanum) ou roca da velha, proveniente dos Himalaia , utilizada como ornamental, e até para embrulhar o queijo branco (7), mas que se apresentam, realmente, como invasoras muito agressivas que alteraram por completo a paisagem açoriana. De facto, para se penetrar no que resta do faial é necessário utilizar uma foice para cortar a densa barreira de conteira. Por outro lado, em muitas zonas costeiras, a cana (Arundo donax) apresenta-se como dominante. Chega-se até ao ponto de colocar, em tocais frequentados por grande número de pessoas, grandes fotografias de áreas cobertas por conteira ou por criptoméria, como se estas constituíssem já, um ponto de interesse turístico. Será, no entanto, mais prudente não esquecer que as plantas invasoras colocam em risco os nossos frágeis ecossistemas insulares (13,8). O combate a estas infestantes afigura-se muito difícil devido à extensão já invadida e a características inerentes às próprias plantas. Devia procurar-se, no entanto impedir o seu alastramento a zonas ainda não atacadas, assim como o alastramento de outras, plantas que ainda podemos controlar, talvez sem grandes dispêndios de capital, como a Gunera ou Gigante (Gunnera tinctoria), originária do Brasil (6), que escapou do jardim das Furnas, existindo actualmente no Salto do Cavalo, alguns alqueires revestidos exclusivamente por esta planta. Existem pessoas que a plantam, em vasos, inocentemente, facilitando a sua dispersão. para a zona ocidental de São Miguel. A hortênsia (Hydrangea macrophylla) nem parece ser originária do Japão (13), de facto, são plantas como esta, que não pertencem ao património natural dos Açores, as primeiras a serem replantadas, sendo-lhes estranho o estatuto de infestantes.
Deve salientar-se que a floresta endémica, porque menos exigente em água, e por ser responsável pelo abastecimento. dos. Reservatórios de água subterrâneos (7) contribui para a conservação, dos recursos hídricos. Por outro lado, convém não esquecer o seu interesse estético e científico.
Ao nível, das aves, encontramos o exemplos do Pardal, Passer domesticus, introduzido nestas ilhas, e que constitui já uma ameaça para o canário-da-terra, Serinus canarius canarius (14).
No que se refere aos mamíferos, as espécies açorianas pertencem à fauna da Europa temperada, tendo sido introduzidos, voluntária ou involuntariamente, pelos colonizadores (15), incluindo o morcego do Norte da Europa. Do mesmo modo, a rã, o tritão (anfíbios) e a lagartixa (réptil) foram também introduzidos. O mesmo sucedeu com as sanguessugas (vermes) (15). Saliente-se o caso do tritão de crista que, embora introduzido., não é considerado nocivo para os ecossistemas' açorianos, sendo talvez uma espécie a preservar, uma vez que as populações europeias deste anfíbio se encontram ameaçadas devido à pressão humana (11).

Diminuição do número de espécies

A vegetação costeira, que apresenta várias espécies endémicas, está em perigo, os lixos e os entulhos estão a destruir quilómetros de costa (13). O faial onde domina a faia¬da-terra (Myrica faya) cobria vastas áreas de baixa altitude e que originou os solos de melhor aptidão agrícola, está completamente destruído e as espécies que o .constituíam em perigo de extinção. A flores de média altitude, a LaurissiIva, dominada pelo louro-bravo (Laurus azorica) apresenta uma distribuição muito restrita, sendo já muito rara. Nas zonas de maior altitude a floresta de cedro-da-terra, o Zimbral; é o coberto florestal melhor representado. A destruição destes tipos de associações vegetais levará ao desaparecimento de muitas espécies de plantas endémicas.
Por outro lado, algumas espécies da flora aquática regionais estão ameaçadas devido. ao avançado estado de eutrofização de algumas lagoas e lagoeiros (16).
Ao nível das aves, o Priôlo, Phyrrula murina, ave endémica deste arquipélago, encontra-se ameaçado de extinção. No século passado era uma espécie abundante na parte oriental da ilha de São Miguel. Foi vítima de aplicações de DDT em árvores de fruto, e da redução da área de Laurissilva (14). O pombo torcaz, Columba palumbus azorica, também se encontra ameaçado, o seu efectivo é reduzido.(12), tendo decorrido uma campanha que levou a obtenção do estatuto de espécie protegida (16). O pombo torcaz é uma subespécie, endémica deste arquipélago, perseguida pelos caçadores, embora ao abrigo. da Lei da caça (12), e ameaçada pela modificação da paisagem e pelos pesticidas. Há 250 anos ma outra espécie de pombo, ligado à floresta de louro extinguiu-se, devido à caça excessiva e à destruição do seu habitat particular. Por razões semelhantes, a narceja (Gallinago gallinago) e a galinhola (Scolopax rusticola), espécies nidificantes nos Açores, apresentam efectivos muito reduzidos(9), assim como uma ave migratória, o pato real (Anas platyrhynchos), que nidificava em S. Miguel, nas zonas húmidas. O próprio Milhafre, Buteo buteo, foi afectado nos locais onde se efectuaram campanhas de desratização(11). De um modo geral o desrespeito pela lei da caça está a levar à destruição da riqueza cinegética dos Açores (9).
Por outro lado, muitos dos locais onde nidificavam aves marinhas são perturbados pele acção humana, como acontece no ilhéu de Vila Franca do Campo (São Miguel), no ilhéu de Baixo do Moinho (Flores) e no ilhéu da Praia (Graciosa), locais onde é imperativo que se tomem medidas de consciencializa¬ção dos seus frequentadores, no sentido de respeitarem as aves marinhas que ai se reproduzem. Também não se compreende que haja indivíduos capazes de massacrar garças-reais e cagarros, embora atentados como esses ainda sucedam actualmente. Muitos cagarros são mortos no ilhéu de Vila Franca, e os seus ninhos violados para fazer petiscos (16). A ameaças do mesmo género estão sujeitos os garajaus do ilhéu da Vila (Santa Maria) (11, 17). Lamenta-se e condena-se a apanha de toninhas, tartarugas e cagarros (11). A perturbação pelo homem é a maior ameaça ao garajau rosado e ao garajau comum, durante o período reprodutor (11). O seu número está a diminuir assustadoramente devido à poluição do mar e à destruição dos ovos (18).

Alterações na ocupação dos solos

Nestas ilhas, o solo é um bem escasso, de difícil e longa recuperação, no entanto,. tem-se assistido à perda de toneladas de solo. Os terrenos dedicados às pastagens têm vindo a aumentar progressivamente. A chamada "monocultura da vaca", o derrube de árvores, a abertura de caminhos de penetração, levou a uma maior erosão do solo e à redução da infiltração da água das chuvas (6) e facilitou a dispersão de muitas infestantes. Como consequência temos a perda da quase totalidade das zonas de floresta endémica: nas zonas costeiras, no faial e em altitude, onde ocorria a laurisilva. Em 1984 a área coberta por floresta era de apenas 10% nos Açores. Os especialistas afirmam, no entanto que, ao nível insular, a floresta assume um papel fundamental na protecção dos solos e na melhoria da sua qualidade, na regularização dos caudais das principais linhas de água, na conservação dos recursos hídricos e no abrigo de terrenos de cultura, contribuindo além disso para o enriquecimento da fauna e da flora(6,9). A situação problemática das águas de consumo público e as carências de água em algumas áreas, são o reflexo da irregularização do regime hídrico regional (9) Do mesmo modo, grandes extensões foram ocupadas por plantações de criptoméria (Cryptomeria japonica). Algumas das mais “belas” paisagens açorianas não são mais do que áreas cobertas por criptoméria. Mesmo em volta de muitas lagoas, a floresta endémica não foi poupada, o que tem as consequências que todos conhecemos: aumento da deposição de sedimentos e eutrofização das lagoas. A floresta tem um papel importante na regularização do ciclo hidrológico, o seu abate em bacias de recepção de água leva a um regime hídrico indesejável e a uma degradação da qualidade da mesma (10). Será realmente necessário aumentar ainda mais a zona de pastagem? Essa prática aumentará de facto a qualidade de vida dos Açorianos? Há também a extracção das leivas, inclusivamente, em plena Reserva Natural da Lagoa do Fogo, que facilita a erosão dos terrenos (11). Só a floresta endémica, ou um compromisso entre as áreas de floresta endémica e as áreas de floresta de crescimento rápido, poderá recuperar os solos, aumentando a sua produtividade.
Por outro lado a fertilização azotada, com base em adubes químicos, muitas vezes utilizados em excesso, é responsável pelo excesso de nitratos nos solos, o que pode levar à contaminação das águas subterrâneas, do mesmo modo que os esgotos urbanos e pecuários, quando lançados em ribeiras ou no subsolo (7,12). Estes excessos levam também à degradação da qualidade das águas das lagoas da ilha de S. Miguel (11) bem como as lagoas de outras ilhas, para o que contribuíram os arroteamentos de vastas áreas arborizadas para o alargamento da superfície agro- pastoril, e o uso descontrolado de adubos e pesticidas.
Embora não se tratando propriamente de alterações no solo, não posso deixar de referir os atentados ao património espeleológico (grutas e algares vulcânicos) e geológico (destruição de formações vulcânicas raras, como sejam vários tipos de cones vulcânicos).
A imagem dos Açores como paraíso ecológico está a desaparecer rapidamente, devido à exploração desenfreada dos recursos naturais. As alterações causadas nestes ecossistemas são mais do que evidentes, conhecendo-se e com exactidão as suas consequências para o. nosso futuro. Mas, esta incerteza é por si só, suficiente para nos preocuparmos. A contaminação das nascentes, a eutrofização, das lagoas, e a ausência de tratamento adequado dos resíduos sólidos urbanos, são problemas que exigem uma tomada de posição de todos os cidadãos conscientes. Pelo menos, devíamos dirigir os nossos esforços para conservar os poucos vestígios de floresta endémica, as, lagoas, únicas em toda a Macaronésia e procurar respeitar as zonas litorais. De outro. modo, o que será destas "ilhas de Bruma"? Nada mais do que pastos verdejantes, e sinuosos contrastando com o azul etéreo do mar e o céu cinzento carregado; mas poderíamos ter muito mais... O que nos caracterizará então, quando tivermos perdido o que nos diferencia de outros locais e povos? Já ninguém virá aos Açores para visitar a Laurissilva ou as Lagoas, mas sim para fotografar plantas vindas da Austrália ou dos Himalaias. O que será dos açorianos, como se definirão a si próprios?

BIBLIOGRAFIA

1- Antunes, C. P. Juquin, P. Kemp, I. Stengers, W. Telkamper e F. Ottowolf, 1990. Ecosocialismo, Uma Alternativa Verde para a Europa. Divergência, Lisboa.
2- O Público, Magazine, nº 147, 27/12/1992.
3- O Biólogo, Associação Portuguesa de Biólogos, nº21, Outubro a Dezembro de 1992.
4- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 9, Janeiro- Abril de 1992.
5- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 16, Agosto- Outubro de 1987.
6- . Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 12, Dezembro de 1986- Janeiro de 1987.
7- . Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 14, Abril- Maio de 1987
8- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 8, Outubro- Dezembro de 1991.
9- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 0, Junho de 1989.
10- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 1, Outubro- Dezembro de 1989.
11- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 10, Maio- Dezembro de 1992.
12- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 4, Setembro- Dezembro de 1990.
13- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 19, Março- Abril de 1988
14- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 2, Janeiro- Abril de 1990.
15- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 3, Maio- Agosto de 1990.
16- Vidália, Boletim dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, nº 6, Abril- Junho de 1991.
17- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 7, Janeiro- Fevereiro de 1986.
18- Zimbro, Boletim dos Amigos da Terra- Açores, nº 17, Novembro- Dezembro de 1987.

(Texto de Luís Siva, extraído de Terra Mãe, Suplemento do Jornal A Vila, 3 de Agosto de 1993)

quinta-feira, outubro 30, 2008

Liga de Amigos da Lagoa do Fogo



A Reserva Natural da Lagoa do Fogo, localizada na Ilha de São Miguel, foi instituída em 1974. Ao longo dos últimos 15 anos a paisagem observada no miradouro de acesso à Lagoa tem-se alterado. De facto, embora seja actualmente classificada como Sítio de Importância Comunitária, a Reserva Natural já não corresponde à visão idílica do passado.
A quantidade e variedade de plantas invasoras têm aumentado de modo contínuo. Numa breve descida à lagoa é possível encontrar uma espécie de margarida (Erigeron karwinskianus), dezenas de criptomérias (Cryptomeria japonica), dispersas e de variados tamanhos, formações de conteira (Hedychium gardneranum) com diferentes dimensões, um elevado número de fetos arbóreos (Sphaeropteris cooperi), várias árvores jovens de verdenaz (Clethra arborea), que já não é uma invasora apenas localizada na zona leste da ilha, acácia (Acacia melanoxylon), um arbusto semelhante aos brincos-de-princeza (Leycesteria formosa), com as suas bagas vermelhas com numerosas sementes, disponíveis para as aves transportarem, e até o incenso (Pittosporum undulatum). Existem também várias espécies nitidamente introduzidas acidentalmente pelos visitantes, nomeadamente nespereira, araçazeiro e macieira. Para além disso, existe também uma espécie invasora aquática (Egeria densa) muito conhecida na Lagoa das Sete Cidades. Existem ainda plantas ruderais, comuns em zonas sob forte influência humana, como a avoadeira (Conyza bonariensis) e a erva mole (Holcus lanatus), a invadir vários habitats, incluindo zonas húmidas.
Nestas condições, a Lagoa do Fogo está a tornar-se, gradualmente, numa reserva de espécies invasoras. É necessário travar este processo de um modo célere e sem hesitações. Todos temos obrigação de participar, e ninguém deve esperar que os outros resolvam este problema, em especial as comunidades mais próximas. Surgiu, assim, a ideia de organizar um movimento cívico, com o único e, a nosso ver, importante objectivo de travar este processo degenerativo.
Este movimento iniciará as suas actividades com a realização de uma acção simbólica, no próximo mês de Novembro.

Ponta Delgada, 29 de Outubro de 2008,

Luís Silva
Diogo Caetano
José Pedro Medeiros
Luís Noronha Botelho
Maria Manuela Livro
Lúcia Ventura
Eva Lima
Teófilo Braga

sexta-feira, outubro 10, 2008

Morreu o defensor do Ambiente: Veríssimo Borges





Veríssimo de Freitas da Silva Borges, de 60 anos, biólogo, ex-Presidente e membro do Núcleo de S. Miguel da Associação Nacional de Conservação da Natureza - QUERCUS, e empresário, faleceu anteontem de manhã no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

Vítima de doença prolongada, a sua morte apanhou de surpresa muita gente e quem o conhecia é unânime em afirmar que o ambientalista sempre teve o Ambiente como primeira força de trabalho. Pensava na sua terra e na defesa do património ambiental, quer seja das lagoas [foi um crítico feroz das soluções apresentadas pelos vários governos], quer seja pela separação do lixo e/ou limpeza da orla marítima.

Em todas as causas ambientais, Veríssimo Borges teve sempre uma palavra a dizer, e as Portas do Mar, por exemplo, não escaparam à sua intervenção, principalmente por temer que com a subida da água do mar aquela zona seja uma das que possa conhecer as consequências e submergir, tal como Al Gore o prognostica para outros pontos do globo.

Certo é que o reconhecido ambientalista, além das fronteiras das ilhas, foi um defensor acérrimo das belezas naturais deste arquipélago e uma voz persistente e insistente na defesa do Ambiente desta terra. Foi também membro dos Amigos dos Açores e do SOS-Lagoas.

Querendo sempre estar na vanguarda do saber na área ambiental, Veríssimo Borges estava a fazer Mestrado em Educação Ambiental do Departamento de Ciências Agrárias/Departamento de Ciências da Educação do Campus de Angra do Heroísmo, na Universidade dos Açores, sendo colega de Teófilo Braga, dos Amigos dos Açores, que sobre a morte do ambientalista referiu no Blogue "Terra Livre": "o movimento ambientalista dos Açores perdeu uma das suas vozes mais importantes", esperando que "outros se levantem e não se deixem silenciar pelos poderes instalados".

Pedro Carteiro, da QUERCUS, por sua vez, destaca o óptimo profissional que era Veríssimo Borges. "Era um ser humano dedicado e empenhado". Recordando os tempos em que conviveu com o colega, sublinha a força de vontade e de querer do mesmo. "Só posso classificá-lo como uma excelente pessoa" afirma ao DA, acrescentando, "era uma pessoa determinada e um trabalhador incansável, com uma capacidade de trabalho indescritível". Acima de tudo, no entender de Pedro Carteiro, Veríssimo Borges foi em vida uma pessoa que acreditava no seu trabalho e que depositava muitas expectativas naqueles com quem trabalhava e com quem convivia diariamente. Também o Bloco de Esquerda, partido que o ambientalista se apresentava a estas eleições legislativas regionais, como independente, cancelou a sua campanha, por 24 horas. A coordenadora do BE /Açores, Zuraida Soares, adiantou à agência Lusa que Veríssimo Borges, "era acima de tudo um grande amigo", acrescentando que o partido decidiu suspender toda a actividade política programada para anteontem.

Segundo Zuraida Soares, Veríssimo Borges estava na lista do partido como independente, com o objectivo de "contribuir para a eleição de uma representação bloquista" para o parlamento açoriano. Também Carlos César ao Diário dos Açores lamentou "a perda de um amigo". O candidato do PS às eleições regionais afirmou que conhecia Veríssimo Borges desde a infância. Como tal, o seu falecimento representa, para o líder "rosa", "em primeiro lugar, a perda de um amigo com quem partilhei muitas lutas e com quem estabeleci muitas cumplicidades". O presidente do Governo Regional, actualmente em suspensão de funções, sublinhou mesmo que Veríssimo Borges foi um militante por muitas causas, todas elas desenvolvidas com muita paixão, no sentido interventivo. No entender de Carlos César, Veríssimo Borges é alguém que faz falta nos Açores, tendo endereçado palavras de solidariedade e pesar à família do extinto.

Também Berta Cabral destacou ao nosso jornal a autenticidade de Veríssimo Borges. "Tive a oportunidade de privar com Veríssimo Borges. Ele exerceu funções como representante da QUERCUS. Foi uma pessoa autêntica." De acordo com a autarca da Câmara Municipal de Ponta Delgada, em suspensão de mandato, Veríssimo Borges era "uma pessoa que defendia com toda a convicção os valores ambientais da nossa Região". Um aspecto que tinham em comum, refere Berta Cabral ao "Diário dos Açores". A agora candidata a deputada pelo PSD afirma que "sempre nos entendemos muito bem porque consideramos que é fundamental defender o nosso ambiente, que tem um valor inestimável e que é uma mais-valia enorme do ponto de vista turístico e do ponto de vista do desenvolvimento sustentável dos Açores". Berta Cabral diz mesmo que o falecido "foi um homem que morreu de pé”, e como tal presta-lhe homenagem. Nas palavras de Berta Cabral, "até à última, até quando pôde e conseguiu raciocinar e lutar, ele defendeu sempre os seus ideais". E finaliza a autarca, "presto-lhe a minha homenagem. Ele ficará para sempre na nossa memória".

(In Diário dos Açores)

quarta-feira, outubro 08, 2008

Veríssimo Borges


Hoje, faleceu Veríssimo Borges, membro dos Amigos dos Açores, durante algum tempo dinamizador do SOS-Lagoas e Presidente do Núcleo de São Miguel da Quercus.